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sábado, 12 de setembro de 2020

"Vento que passas" - Poema de Miguel Torga


Arthur Sarnoff (1912 – 2000), Kids on Swing


Vento que passas


Vento que passas, leva-me contigo
Sou poeira também, folha de outono,
Rês tresmalhada que não quer abrigo
No calor do redil de nenhum dono.
Leva-me, e livre deixa-me cair.
No deserto de todas as lembranças,
Onde eu possa dormir
Como no limbo dormem as crianças.


Miguel Torga
, Diário, vol. V, 1951



Arthur Sarnoff, Kids and Dog under a Tree


"A infância não se repete, nem na lembrança, nem na imaginação. Quando, muito, dá-se outra infância. As cenas ingénuas, porque eram ingénuas, não tinham consciência; e as humilhações, de tão pungentes, não há memória que consinta na sua perfeita expressão."
(Miguel Torga)


Arthur Sarnoff, Boy and Girl by a Church


"Não te preocupes com os que não te conhecem, mas esforça-te por seres digno de ser conhecido."

(Confúcio)


sábado, 9 de setembro de 2017

"A Lavadeira" - Poema de Cora Coralina



Charles Courtney Curran (American impressionist painter, 1861-1942), A Breezy Day, 1887.



A Lavadeira


Essa mulher...
Tosca. Sentada. Alheada ...
Braços cansados
Descansando nos joelhos ...
Olhar parado, vago,
Perdida no seu mundo
De trouxas e espumas de sabão
- é a lavadeira.

Mãos rudes deformadas.
Roupa molhada.
Dedos curtos.
Unhas enrugadas.
Córneas.
Unheiros doloridos
Passaram, marcaram.
No anular, um círculo metálico
Barato, memorial.

Seu olhar distante,
Parado no tempo.
À sua volta
- uma espumadeira branca de sabão.

Inda o dia vem longe
Na casa de Deus Nosso Senhor,
O primeiro varal de roupa
Festeja o sol que vai subindo.

Vestindo o quaradouro
De cores multicores.

Essa mulher
Tem quarenta anos de lavadeira.
Doze filhos
Crescidos e crescendo.

Viúva, naturalmente.
Tranquila, exata, corajosa.

Temente dos castigos do céu
Enrodilhada no seu mundo pobre.

Madrugadeira.

Salva a aurora.
Espera pelo sol.
Abre os portais do dia
entre trouxas e barrelas.

Sonha calada.
Enquanto a filharada cresce
Trabalha suas mãos pesadas.

Seu mundo se resume
na vasca, no gramado.
No arame e prendendores.
Na tina d’água.
De noite – o ferro de engomar.

Vai lavando, vai levando.
Levando doze filhos
Crescendo devagar,
Enrodilhada no seu mundo pobre,
Dentro de uma espumadeira
Branca de sabão.

Às lavadeiras do Rio Vermelho
Da minha terra,
Faço deste pequeno poema
Meu altar de ofertas.


in "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais"
Editora Global


Charles Courtney Curran, Hanging out Linen, 1887


"O silêncio é um amigo que nunca trai."

(Confúcio)


Charles Courtney Curran, Hanging Out the Clothes, 1887


"A cura para o tédio é a curiosidade. Não há cura para a curiosidade."



quarta-feira, 10 de maio de 2017

"Tudo é Belo" - Poema de José Godoy Garcia


Karen Noles (American artist, b. 1947)
 

Tudo é Belo


Tudo é belo 
Mulher e por exemplo uma água quando a gente bebe 
ou uma água que a gente joga na cara 
e fica deixando a frieza vir penetrando na pele; 
a água que escorre da bica e cai no monjolo e o monjolo toca; 
a água de um poço na mata. 
A água quando a gente bebe é por exemplo como um beijo. 

Mulher e por exemplo café, ou estrada quando o trem-de-ferro 
atravessa um rio; 
um rio que banha terras verdes, longe. 

Tudo é belo. 
Árvore de cedro e por exemplo um homem que está 
preso injustamente, um homem que tem esperança 
e que é mais forte que os risos e sevícias, 
quando tentam matar nele a esperança… 

Tudo é belo. 
A cabeça fatigada de um homem. 
As pernas solitárias. As mãos solidárias. 
O peito largo como um tronco de árvore secular. 

Tudo é belo. 
Mulher e por exemplo, as canções. 
O caminho do nascimento à morte de um homem. 


José Godoy Garcia, in 'Antologia Poética'


Karen Noles (American artist, b. 1947)


A Doutrina da Humanidade


"Ter suficiente domínio sobre si mesmo para julgar os outros em comparação consigo e agir em relação a eles como nós quereríamos que eles agissem para connosco é o que se pode chamar a doutrina da humanidade; nada há mais para além disso. 
Se não se tem um coração misericordioso e compassivo, não se é um homem; se não se têm os sentimentos da vergonha e da aversão, não se é um homem; se não se têm os sentimentos da abnegação e da cortesia, não se é um homem; se não se tem o sentimento da verdade e do falso ou do justo e do injusto, não se é um homem. Um coração misericordioso e compassivo é o princípio da humanidade; o sentimento da vergonha e da aversão é o princípio da equidade e da justiça; o sentimento da abnegação e da cortesia é o princípio do convívio social; o sentimento do verdadeiro e do falso ou do justo e injusto é o princípio da sabedoria. Os homens têm estes quatro princípios, do mesmo modo que têm quatro membros." 

Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"Repartir" - Sermão de António Vieira


Vincent van Gogh, O Café à Noite, 1888


Repartir


«...E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos. Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer coisa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos Reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho. (...) Em nenhuns Reis do mundo se vê isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas, foi empresa que os Reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar, nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade que tem o governo do nosso reino.» 


Padre António Vieira (1608-1697), 
Sermão da Primeira Oitava da Páscoa


Vincent van Gogh, O Velho Moinho, 1888


"A regra da virtude pode ser comparada à Estrela Polar, que comanda a homenagem da multidão de estrelas sem abandonar o seu lugar."

Livro II, 1., Confúcio, Os Analectos


Vincent van Gogh, Campo de Trigo com Corvos, 1890
 
 
"Sozinhos, pouco podemos fazer; juntos, podemos fazer muito."



Seal - Amor Divino



Seal Henry Olusegun Olumide Adeola Samuel (Londres, 19 de fevereiro de 1963) é um músico, cantor e compositor, entre seus maiores sucessos está a canção Kiss from a Rose, trilha sonora do filme Batman Forever, pela qual recebeu três prémios Grammy em 1995.

Filho de pais nigerianos e neto de brasileiro, Seal passou seus primeiros quatro anos de vida com seus pais adotivos, Frank e Barbara, em Romford, Essex, até que sua mãe biológica veio buscá-lo. Sentado com ela no ônibus, ele se lembra de ter gritado durante todo o caminho até a casa, em Brixton. Dois anos depois, sua mãe e o namorado decidiram voltar para a Nigéria e Seal foi viver com o pai, um homem violento, que trabalhava como bombeiro em Paddington, distrito da City of Westminster, no centro de Londres, onde Seal cresceu. Mais tarde obteve um diploma de arquitetura e teve vários empregos em Londres, antes de se tornar cantor profissional.

Embora sempre tenha havido especulações sobre a causa das cicatrizes no seu rosto, elas não são o resultado de nenhum tipo de rito tribal de escarificação. O cantor sofre de lúpus eritematoso discóide (DLE). Seal revelou que se afligia com essa síndrome quando adolescente, uma condição em que as células do sistema imune atacam vários tecidos do corpo. Uma inflamação intensa que se desenvolve na pele, particularmente nas áreas expostas ao sol; se não tratada com protetor solar e anti-inflamatórios, pode deixar cicatrizes. A doença não somente causou-lhe as cicatrizes na face como também provocou perda de cabelos, mas está em remissão há anos. 
Foi casado com a modelo alemã Heidi Klum. Em janeiro de 2012 foi anunciada a separação após 7 anos de casamento.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Que Humanidade é esta?" - Texto de José Saramago


Robert Zünd (1826 –1909), Near the Schlachtkapelle in Sempach, 1867
 
 

Que Humanidade é esta? 


"Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta?
Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos.
Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante.
Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro.
Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo.
E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica." 
 
José Saramago, in 'Canarias7 (1994)'
 
 
 Obras de Robert Zünd
Robert Zünd, Harvest, 1860

  • "O milagre não é dar vida ao corpo extinto, ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo… nem mudar água pura em vinho tinto… milagre é acreditarem nisso tudo!" - Mário Quintana
 

 
Robert Zünd, Beech Wood, 1887

  • ''A verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos.'' - Marcel Proust
 

Robert Zünd, Oak Forest, 1882

  • "Temos de conhecer as pessoas e as coisas humanas para as amar. Temos de amar Deus e as coisas divinas para as conhecer." - Blaise Pascal


Robert Zünd, Ox Team in Valais, 1900

  • "Viver é a coisa menos frequente do mundo, a maior parte das pessoas existe e isso é tudo." - Oscar Wilde


Robert Zünd, The Harvest

  • "Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração." - William Shakespeare


Robert Zünd

  • "O que eu ouço, esqueço. O que eu vejo, lembro. O que eu faço, aprendo." - Confúcio


Joe Cocker - With a little help from my friends


domingo, 27 de maio de 2012

"Retrato" - Poema de Cecília Meireles


Art Frahm (American painter and commercial artist, 1907 - 1981),
Moonlight Beauty – Peg O’ My Heart. 



Retrato 


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo. 

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra. 

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face? 


Cecília Meireles, 
in Viagem


Pensamentos e Citações



"Ser simples é complicado." 

(Amália Rodrigues)

Amália da Piedade Rodrigues (Lisboa, 1 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999) foi uma fadista, cantora e atriz portuguesa, geralmente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.
Tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo.


Mário Quintana


"A felicidade é um sentimento simples; você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, 
por não perceber a sua simplicidade." 

(Mário Quintana)

Mário de Miranda Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5 de maio de 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro.


Paulo Coelho


"As coisas mais simples da vida são as mais extraordinárias,
 e só os sábios conseguem vê-las." 

(Paulo Coelho)

Paulo Coelho (Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1947) é um escritor, letrista e filósofo esotérico brasileiro.


Oscar Wilde


"Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo." 

(Oscar Wilde)

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde (Dublin, 16 de outubro de 1854 — Paris, 30 de novembro de 1900) foi um escritor irlandês que brilhou na sociedade londrina da sua época, pela esfuziante inteligência, pelo dandismo e pelo individualismo, que o levaram a fulgurações de um humor impecável. A sua vida e a sua obra deram-lhe um a popularidade enorme, ora alçada à «grandiosidade do seu génio», ora rebaixada à cominação pública pela sua relação homossexual, ao tempo, crime grave. O «estético» romance O Retrato de Dorian Gray, as alegres, e inovadoras na linguagem, peças teatrais, os pungentes dramas humanos que são A Balada e o De Profundis, e ainda as suas reflexões político-sociais, próximas de um cero socialismo, quase sempre paradoxal, marcam-lhe um lugar na literatura inglesa, no reinado vitoriano, nada afim das suas posições iconoclastas. Hoje em dia, Oscar Wilde é, sobretudo, lembrado pelas suas frases e paradoxos, alguns tornados bordões da nossa linguagem quotidiana, não apenas pela rebeldia, como pela inegável inteligência, ora profunda, ora subtil, ora superficial, mas sempre acutilante e modificadora das mentalidades.


Katherine Hepburn


"Nunca deixo de ter em mente que o simples facto de existir já é divertido." 

(Katherine Hepburn)

Katharine Houghton Hepburn (Hartford, 12 de Maio de 1907 — Old Saybrook, 29 de Junho de 2003) foi uma importante actriz dos Estados Unidos da América. Hepburn actuou no cinema, na televisão e no teatro, e hoje é reconhecida como sendo um símbolo feminista e permanece uma das mais famosas estrelas de cinema de sempre.


Albert Einstein 


"Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado." 

(Albert Einstein)

Albert Einstein, Ulm, 14 de março de 1879 — Princeton, 18 de abril de 1955) foi um físico teórico alemão radicado nos Estados Unidos. É conhecido por desenvolver a teoria da relatividade. Recebeu o Nobel de Física de 1921, pela correta explicação do efeito fotoeléctrico; no entanto, o prémio só foi anunciado em 1922. O seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atómica, apesar de não prever tal possibilidade. Devido à formulação da teoria da relatividade, Einstein tornou-se mundialmente famoso. Nos seus últimos anos, sua fama excedeu a de qualquer outro cientista na cultura popular: "Einstein" tornou-se um sinónimo de génio. Foi por exemplo eleito pela revista Time como a "Pessoa do Século", e a sua face é uma das mais conhecidas em todo o mundo. Em 2005 celebrou-se o Ano Internacional da Física, em comemoração aos cem anos do chamado annus mirabilis (ano miraculoso) de Einstein, em que este publicou quatro dos mais fundamentais artigos cientifícos da física do século XX. Em sua honra, foi atribuído o seu nome a uma unidade usada na fotoquímica, o einstein, bem como a um elemento químico, o einstênio.
Cem físicos renomados o elegeram, em 2009, o mais memorável físico de todos os tempos.


Madre Teresa de Calcutá 


"O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o." 

(Madre Teresa de Calcutá)

Agnes Gonxha Bojaxhiu (Skopje, 26 de Agosto de 1910 — Calcutá, 5 de Setembro de 1997), conhecida mundialmente como Madre Teresa de Calcutá , foi uma missionária católica albanesa, nascida na República da Macedónia e naturalizada indiana, beatificada pela Igreja Católica em 2003. Considerada, por alguns, a missionária do século XX, fundou a congregação "Missionárias da Caridade", tornando-se conhecida ainda em vida pelo cognome de "Santa das sarjetas".



Confúcio 


"O homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está perto da virtude." 

(Confúcio)

Confúcio (551 a. C. - 479 a. C.) é o nome latino do pensador chinês Kung-Fu-Tzu ou Mestre Kong. Até os dias de hoje, Confúcio continua sendo a figura histórica mais conhecida na China como mestre, filósofo e teórico político. Sua doutrina, o Confucionismo, teve forte influência não apenas sobre a China mas também sobre toda a Ásia oriental. Hoje, é difícil que se encontre alguém que, pelo menos, não tenha ouvido falar no seu nome. Conhece-se muito pouco da sua vida. Parece que os seus antepassados foram aristocratas, mas o Filósofo e moralista viveu pobre, e desde a infância teve que trabalhar muito para poder viver e auxiliar no sustento da família, pois seu pai faleceu quando tinha apenas três anos de idade. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias em busca da Illuminação. Confúcio viajou por diversos reinos e esteve em íntimo contato com o povo. Pregou a necessidade de uma mudança total do sistema de governo por outro que se destinasse a assegurar o bem-estar dos súditos, pondo em prática processos tão simples como a diminuição de contribuições e o abrandamento das penalidades. Sua ideia de organização da sociedade buscava recuperar os valores antigos perdidos pelos seus contemporâneos, pois a época em que viveu estava mergulhada em violência e barbárie e a China vivia uma aguda crise social, cultural e política. Embora tentasse ocupar um alto cargo administrativo que lhe permitisse pôr em prática suas ideias, nunca o conseguiu, pois tais ideias eram consideradas muito perigosas pelos que estavam no poder. Porém, o que não pode fazer pessoalmente acabaram por fazer alguns dos seus discípulos, que, graças à boa preparação por ele ministrada, se guindaram, dia após dia, aos cargos mais elevados. Já idoso, Confúcio retirou-se para a sua terra natal, onde morreu com 72 anos. 
Sua escola foi sistematizada nos seguintes princípios: Ren (altruísmo); Li (cortesia); Zhi (conhecimento ou sabedoria moral); Xin (integridade); Zhing (fidelidade); e Yi (justiça, retidão e honradez). O livro principal (e talvez o único por ele escrito) foi Os Analectos – estruturado sobre a afirmação de uma moral humanista – que serviu de inspiração filosófica e cultural para os chineses e para toda a Ásia Oriental. Esta obra, uma compilação dos ditos e dos escritos de Confúcio, hoje, é lida e festejada nos quatro cantos do mundo. Nenhum livro, na história da Humanidade, exerceu por tanto tempo uma influência tão marcante sobre uma quantidade tão grande de pessoas, de religiosos e de dirigentes políticos. 

Cronologia em Seis Momentos:

551 a. C. - Confúcio nasce em Zou de Lu. 
517 a . C. - Confúcio deixa Lu e vai para Qi. O duque Jing de Qi faz com que ele volte a Lu. 
510 a. C. - Apogeu de Confúcio. 
497 a. C. - Confúcio vai para Wei. 
484 a. C. - Confúcio abandona suas aspirações políticas e retorna ao Estado de Lu. 
479 a. C. - Confúcio morre no dia 11 da quarta lua.


Rudyard Kipling


"Tenho comigo, seis servos leais (que me ensinaram tudo que aprendi); 
Os seis nomes são:
O QUE, POR QUE e QUANDO, COMO, ONDE e QUEM." 

(Rudyard Kipling)

Romancista e poeta inglês, Rudyard Kipling nasceu em 1865, em Bombaím, na Índia colonial, filho de um professor de Artes e Ofícios e da cunhada do pintor Edward Burne-Jones, Kipling foi educado por uma aia indiana, que lhe ensinou, pela magia das histórias de encantar, a língua Hindu mesmo antes do Inglês em que viria escrever.
Vencedor do prémio Nobel em 1907, foi publicando algumas obras, embora a uma cadência mais demorada. Entre 1922 e 1925 desempenhou as funções de reitor da Universidade de St. Andrews. Faleceu a 18 de janeiro de 1936, em Londres, tendo aos seus restos mortais sido concedida a honra de sepultura no Poet's Corner, na Abadia de Westminster. A sua autobiografia, Something Of Myself, foi publicada postumamente, em 1937. 


terça-feira, 1 de maio de 2012

"A Mulher Madura" - Texto de Affonso Romano de Sant'Anna


Duma, 'Going to London'


A Mulher Madura 


O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a subtileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, descodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o voo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta joias. As joias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso, é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar. 

Affonso Romano de Sant'Anna, "A Mulher Madura",
Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 09.


Duma

Duma nasceu em Lisboa, em 1973. Vive e trabalha em Oeiras. Licenciada em Publicidade pelo IADE (Instituto de Artes Visuais, Design & Marketing). Frequentou os cursos de Desenho e de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Expõe desde 1994. Encontra-se representada pelas seguintes Galerias: Nuno Sacramento - Arte Contemporânea (Aveiro) Galeria Quattro (Leiria) Galeria S. Mamede (Lisboa) e Private Gallery (Lisboa). 
Fonte: www.dumaarte.com 

Duma - Studio

"A figura feminina no meu trabalho é algo natural em mim, é como um bocado de mim mesma que se representa em cada tela. Gosto de mostrar ao espectador apenas uma pequena parte de todo o cenário, gosto de deixar espaço para a imaginação do espectador. Em cada enquadramento existe um universo ilimitado de acções, pensamentos e emoções, cada personagem mostra-nos apenas uma pequena parte da sua personalidade, é como um frame congelado de um filme ou um rápido momento captado por uma câmara fotográfica. Sempre me senti muito atraída por representar a figura feminina, particularmente o retrato. No entanto, o tipo de retrato que quero mostrar não é o de alguém em particular, não quero dar uma identidade específica, quero somente representar uma ideia de feminilidade. Retirando o olhar, a personagem fica envolvida em mistério, forçando o espectador a criar uma história à volta dela. Isso é complementado com o enquadramento que faço e com um fundo liso e simples, também sem referências ou identidade. Ao "forçar" a imaginação, cada personagem providencia uma experiência única e individual para cada espectador.A nível técnico apresento as minhas personagens de uma forma muito gráfica, limpa e quase minimal. As gradações de sombra são bem definidas e demarcadas como ilustrações vectorizadas em computador, cujo resultado final faz lembrar uma impressão. Sou muito influenciada pelo design gráfico, ilustração, fotografia, moda e pelo simples facto de ser mulher".
(Duma)


Duma, 1945

"...e mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras..."

(Hermann Hesse, in 'O Lobo da Estepe')


Duma 

“Deixa o caráter ser formado pela poesia, fixado pelas leis do bom comportamento, e aperfeiçoado pela música.”

(Confúcio)


Duma, 'Dream collector'

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus."

(Sócrates)


Duma, 'Ginger'

"A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade."

(Joseph Joubert)


Duma, 'L'Artiste Parisienne'

"Ensinar é aprender duas vezes."

(Joseph Joubert)


Duma, 'Mushi, mushi?'

"Por mais humilde que seja, um bom trabalho inspira uma sensação de vitória."

(Jack Kemp)


Jack Kemp Jr. (Los Angeles, 13 de Julho de 1935 - 2 de maio de 2009) é um político dos Estados Unidos da América e antigo jogador profissional de futebol americano. Foi congressista por Nova Iorque (1971-1989) e candidato do Partido Republicano à vice-presidência em 1996. 
Graduou-se no Occidental College, onde começou a despontar como desportista e pertenceu à fraternidade Alpha Tau Omega. 
O seu carisma e condições para a liderança levaram-no a envolver-se em diferentes actividades comunitárias na área de Buffalo, Nova Iorque, assim como no seu estado natal da Califórnia. Em 1967 foi nomeado assessor especial do Governador da Califórnia, Ronald Reagan, cuja campanha havia apoiado publicamente, e foi galardoado com vários prémios cívicos por serviço à comunidade em Nova Iorque. 
Em 1970 retirou-se definitivamente do futebol americano profissional e, aproveitando a popularidade em Buffalo, decidiu apresentar-se pelo Partido Republicano à Câmara de Representantes representando o 39°Círculo de Nova Iorque. Depois seria reeleito congressista 9 vezes consecutivas, permanecendo na Câmara durante 18 anos. Interrogado quando decidiu dar o salto do seu duro desporto para a política, disse: "Claro que tenho experiência. Fui pisado, golpeado, insultado, vendido e vilipendiado". 
Em 6 de Abril de 1987, Jack Kemp anunciou a candidatura à presidência do seu país, mas sem êxito. Mais tarde, em 1996, o candidato presidencial republicano Bob Dole estava atrás de Bill Clinton em todas as sondagens e decidiu convidar Kemp para ser o ser running mate, tendo saído derrotados. 
Anunciou depois que não seria candidato em 2000, cumprindo a promessa. É um dos quadros superiores da Oracle Corporation.


Duma, 'Lótus'

"Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes."

(Sócrates)


Duma, 'Happy to be me'

"O único lugar no mundo onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário."

(Vidal Sassoon)


Vidal Sassoon

Cabeleireiro inglês, Vidal Sassoon nasceu a 17 de janeiro de 1928, em Londres. Teve uma infância difícil pois entre os cinco e os onze anos viveu em orfanatos, depois do pai ter abandonado a família. Só voltou a morar com a mãe quando esta se casou outra vez. Era uma família de poucas posses, o que não permitiu a Vidal Sassoon seguir carreira como estudante. Assim, ainda jovem, aos 17 anos, foi trabalhar como aprendiz num salão de beleza e barbearia londrino, propriedade de Adolph Cohen, conhecido por "O Professor".
Consciente que não poderia ambicionar a grandes estudos, dedicou-se com muito afinco ao trabalho. Em 1957, fez pela primeira vez um penteado para uma pessoa famosa, a estilista Mary Quant, na altura em que esta lançou a minissaia. Logo no ano seguinte, abriu o seu primeiro salão de cabeleireiro e começou a ganhar mais fama. Vidal Sassoon optou por fazer novos cortes de cabelo geométricos, pondo de parte os mais tradicionais. A partir daqui, começou a ter bastantes clientes, algumas das quais eram atrizes, cantoras ou manequins.
Em 1959, criou o corte a que foi dada a designação de "forma", pois adaptava-se à estrutura óssea da pessoa, a quem dava liberdade de movimentos. Pôs assim de parte os cortes e penteados volumosos da época e, a partir daí, apresentou uma série de inovações que privilegiavam a comodidade da mulher e seguiam as tendências da moda.
O cabeleireiro inglês acabou por se tornar o preferido das estrelas e criou vários estilos novos, como aconteceu com as atrizes Farrah Fawcet e Mia Farrow. A manequim Twiggy foi outra das suas clientes, para quem preparou um corte radical, que consistia em cabelo curto e pintado de vermelho.
Na década de 70, deixou de cortar cabelo para lançar uma série de produtos de cabeleireiro, que viriam a ser comercializados com muito sucesso em todo o mundo.
Acabou por mudar-se para os Estados Unidos da América, de onde controla a sua cadeia de salões de cabeleireiro, de produtos capilares e de escolas de estilismo.
Vidal Sasson é judeu e investe parte da sua fortuna no Centro de Estudos de Antisemitismo e Xenofobia de uma universidade de Jerusalém em Israel. A Sassoon International Center for the Study of Antisemitism (SICSA) foi fundada em 1982. Em 1946, lutou nas ruas de Londres contra os grupos de militantes fascistas e, em 1948, combateu na guerra da independência de Israel.

Vidal Sassoon. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-04-30].


Charles Aznavour - She

sábado, 10 de março de 2012

"A Fermosura desta fresca Serra" - Soneto de Luís de Camões





A Fermosura desta fresca Serra


A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;

O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do Sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;

Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos of’rece,
Me está, se não te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas mores alegrias, mor tristeza.





Ouriço de castanha
 
 

O castanheiro


Castanheiro, castanheira, castanheiro-bravo, castanheira-portuguesa (no Brasil), castinheiro ou castiro (na Galiza) (Castanea sativa) é uma árvore de grande porte, muito abundante no interior norte e centro de Portugal, cujo fruto (ouriço) contém a castanha, que formou, juntamente com o trigo, cevada e centeio, a base da alimentação em Portugal até ao século XVII. No sul é rara, apenas aparecendo em áreas muito elevadas como a Serra de São Mamede (Marvão).

O castanheiro produz também madeira de excelente qualidade, o castanho, muito usada no passado na construção em Portugal, nomeadamente na região norte do país. É ainda hoje muito utilizada em mobília e decoração interior. Desde tempos remotos que é conhecida na Península Ibérica.

Alberto Sampaio, referindo-se à alimentação do camponês nortenho na Idade Média, diz: «Os frutos, sobretudo as castanhas, encontravam-se num dia ou noutro na mesa do lavrador». As castanhas menores e tocadas pelos bichos serviam de ração para porcos. A partir da Idade Média, a introdução do pinheiro-bravo (Pinus pinaster) foi um dos grandes responsáveis pelo recuo desta espécie, bem como do carvalho. Mais tarde, a introdução do milho e da batata fizeram a castanha perder a importância que tinha na alimentação da população.

Hoje, a castanha está intimamente ligada às comemorações de São Martinho e ao Magusto, sendo consumida durante o outono, normalmente assada ou cozida. Apesar de a planta se encontrar em declínio, devido à concorrência de outras espécies florestais, à doença da tinta e ao abandono dos campos, o seu fruto ainda é uma exportação agrícola portuguesa importante (aproximadamente 4% da produção mundial). (daqui)


Castanheiro com frutos


Ramos de castanheiro com frutos


Ouriço de castanha


Castanhas


Castanhas assadas, o elemento central do magusto.


Magusto


Magusto é uma festa popular, cujas formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Grupos de amigos e famílias juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam castanhas ou bolotas para comer, bebe-se a jeropiga, água-pé ou vinho novo, fazem-se brincadeiras, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam-se cantigas. O magusto realiza-se em datas festivas: no dia de São Simão, no dia de Todos-os-Santos ou no dia São Martinho. Inúmeras celebrações ocorrem não só por Portugal inteiro mas também na Galiza (onde se chama magosto, em galego) e nas Astúrias
Na Aldeia Viçosa o "Magusto da Velha" é uma tradição local. 

Leite de Vasconcelos considerava o magusto como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babadas dos defuntos”

A celebração do magusto está associada a uma lenda, a qual dizia que um soldado romano de nome Martinho de Tours (mais tarde conhecido como São Martinho), ao passar a cavalo por um mendigo quase nu, como não tinha nada para lhe dar, cortou a sua capa ao meio com a sua espada; estava um dia chuvoso e diz-se que, neste preciso momento, parou de chover, derivando daí a expressão: "Verão de São Martinho"(daqui)




"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. 
No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade."