Mãe
De patins, de bicicleta,
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão
De Vera Aguiar, Simone Assumpção, Sissa Jacoby.
Il. Laura Castilhos. Porto Alegre: Projeto, 1995. 128p
"Poesia fora da estante" é uma antologia de poemas de 30 autores
selecionados criteriosamente para dar às crianças uma boa oportunidade
de convívio com textos em versos. Os autores estão tanto entre aqueles
que produziram deliberadamente para crianças como entre aqueles que,
tendo produzido literatura para adultos, podem ser lidos pelas crianças
com prazer e encantamento, seja pela temática seja pela estruturação
linguística. São representantes de épocas e de correntes estéticas
diferentes, mas todos têm tradição e reconhecimento público na nossa
história literária.
Essa coletânea é o resultado de um trabalho cuidadoso de análise e
seleção entre as milhares de possibilidades que oferecem as obras de:
Guilherme de Almeida, Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade,
Oswald de Andrade, Walmir Ayala, Ronald Azeredo, Elza Beatriz, Tatiana
Belinky, Mario da Silva Brito, Alcides Buss, Dilan Camargo, Milton
Camargo, Haroldo de Campos, Sérgio Caparelli, Maria Dinorah, Millor
Fernandes, Ferreira Gullar, Paulo Leminski, Elias José, Jorge de Lima,
Henriqueta Lisboa, Vinicius de Moraes, Mauro Mota, Sidônio Muralha,
Roseana Murray, Libério Neves, José Paulo Paes, Mário Quintana e
Gilberto Mendonça Teles. Há também versos anônimos que pertencem à
tradição popular, ao folclore.
Os poemas foram escolhidos com o objetivo de provocar um convívio
lúdico com o texto e, ao mesmo tempo, oferecer formação estética e
cultural, desenvolvendo o gosto pelo texto de qualidade. Vão desde a
quadrinha bem humorada, às reflexões filosóficas e à preocupação formal,
como a poesia concreta que utiliza o espaço gráfico como elemento
visual da composição.
Estão agrupados em subconjuntos que simultaneamente oferecem uma
perspetiva dos recursos estruturais e composicionais agenciados e uma
coerência temática. Esses agrupamentos compõem jogos polissémicos e
novas possibilidades de leitura, enquanto procuram mostrar que: a poesia
está em toda parte; as palavras são elementos de construção; a poesia é
uma forma de jogo que dá prazer e alegria; os poemas falam da vida, das
coisas, dos bichos e das emoções; e que a poesia é um produto
duradouro, que pertence ao povo e que atravessa o espaço e o tempo.
Há uma preocupação em organizar visualmente a página de forma
acessível aos leitores iniciantes, embora a fonte escolhida para os
títulos possa causar um certo desconforto inicial. A programação gráfica
em duas cores (azul colonial e amarelo ocre) é esteticamente bem
solucionada. As ilustrações não interferem e lembram pequenas
iluminuras, selos, vinhetas delicadas que alegram e dão movimento ao
conjunto.
Embora a produção cultural literária no Brasil já tenha tentado
dirigir ao público infantil um acervo considerável de textos poéticos,
uma iniciativa dessa natureza, com caráter de coletânea moderna, ainda
não tinha vindo a lume. É uma oportunidade valiosa de ter acesso a um
corpus representativo e bem organizado tanto para o trabalho na escola,
como para a leitura no lar. É importante que a criança não perca sua
afinidade natural com a musicalidade da linguagem, tão presente nos
primeiros anos, e continue a ter contacto contínuo e permanente com a
linguagem poética. A leitura, a audição, a declamação de versos
desenvolve a sensibilidade estética, as habilidades linguísticas e a
competência para lidar com o simbólico.
Os organizadores são pesquisadores do Rio Grande do Sul, que
obtiveram apoio institucional para realizar o trabalho. Têm tradição no
trabalho universitário e também nas atividades não propriamente
académicas com o estímulo à leitura. (Daqui)
[Grande pintor e animador da vida artística portuguesa, nascido em 1853 e falecido em 1927,
João Marques de Oliveira, foi, juntamente com
Silva Porto, um dos mais importantes nomes do
naturalismo português. Trouxe para a pintura nacional uma pujança e uma frescura de há muito desaparecida. Escolhia como temas preferenciais as paisagens campestres nortenhas, onde o homem do Norte é amplamente retratado. Foi um dos principais responsáveis pelo aparecimento das revistas
Arte Portuguesa, no Porto, e
Crónica Ilustrada, em Lisboa.]
(daqui)