Mostrar mensagens com a etiqueta Sarah Brightman. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sarah Brightman. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de março de 2015

"Loira" - Poema de Cesário Verde


Théophile Alexandre Steinlen, Il n’y est pas, 1901



Loira


Eu descia o Chiado lentamente 
Parando junto às montras dos livreiros 
Quando passaste irónica e insolente, 
Mal pousando no chão os pés ligeiros. 

O céu nublado ameaçava chuva, 
Saía gente fina de uma igreja; 
Destacavam no traje de viúva 
Teus cabelos de um louro de cerveja. 

E a mim, um desgraçado a quem seduzem 
Comparações estranhas, sem razão, 
Lembrou-me este contraste o que produzem 
Os galões sobre os panos de um caixão. 

Eu buscava uma rima bem intensa 
Para findar uns versos com amor; 
Olhaste-me com cega indiferença 
Através do lorgnon provocador. 

Detinham-se a medir tua elegância 
Os dandies com aprumo e galhardia; 
Segui-te humildemente e a distância, 
Não fosses suspeitar que te seguia. 

E pensava de longe, triste e pobre, 
Desciam pela rua umas varinas 
Como podias conservar-te sobre 
O salto exagerado das botinas. 

E tu, sempre febril, sempre inquieta, 
Havia pela rua uns charcos de água 
Ergueste um pouco a saia sobre a anágua 
De um tecido ligeiro e violeta. 

Adorável! Na ideia de que agora 
A branda anágua a levantasse o vento 
Descobrindo uma curva sedutora, 
Cada vez caminhava mais atento. 

Mas súbito parei, sentindo bem 
Ser loucura seguir-te com empenho, 
A ti que és nobre e rica, que és alguém, 
Eu que de nada valho e nada tenho. 

Correu-me pelo corpo um calafrio, 
E tive para o teu perfil ligeiro 
Este olhar resignado do vadio 
Que fita a exposição de um confeiteiro. 

Vi perder-se na turba que passava 
O teu cabelo de ouro que faz mal; 
Não achei essa rima que buscava, 
Mas compus este quadro natural. 


in 'O Livro de Cesário Verde' 



Sarah Brightman


"Quem ama a vida é amado por ela" 


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"Quem és tu" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


Théophile Alexandre Steinlen (1859-1923), Chat au Clair de Lune, c.1900



Quem és tu 


Quem és tu que assim vens pela noite adiante, 
Pisando o luar branco dos caminhos, 
Sob o rumor das folhas inspiradas? 

A perfeição nasce do eco dos teus passos, 
E a tua presença acorda a plenitude 
A que as coisas tinham sido destinadas. 

A história da noite é o gesto dos teus braços, 
O ardor do vento a tua juventude, 
E o teu andar é a beleza das estradas.





Galeria de Théophile Alexandre Steinlen

[Théophile Alexandre Steinlen, nascido em Lausanne em 10 novembro 1859 e falecido em Paris em 14 dezembro 1923, foi um pintor, desenhista e litógrafo suíço, naturalizado francês em 1901.]


Théophile Alexandre Steinlen, Apotheosis of Cats, 1890


Théophile Alexandre Steinlen, Les deux Chats


  Théophile Alexandre Steinlen, Cat on a Cushion, Winter


   Théophile Alexandre Steinlen


   Théophile Alexandre Steinlen, Cinq Chats endormis, 1915.


Théophile Alexandre Steinlen


Théophile Alexandre Steinlen


 Theophile Alexandre Steinlen,  Les Joies de L'Ete, 1894



 Theophile Alexandre Steinlen


 Theophile Alexandre Steinlen,  Les Deux Meres, 1903


Theophile Alexandre Steinlen, Idyll de Faubourg


 Theophile Alexandre Steinlen, La Veillee, 1907


Theophile Alexandre Steinlen, Sur Le Seuil, 1902


Theophile Alexandre Steinlen, Gust of wind


 Théophile Alexandre Steinlen, Ball on the 14th of July


Theophile Alexandre Steinlen, Ball in a Paris Suburb


Théophile Alexandre Steinlen, Café à Léon, 1921


“Seja feliz ou infeliz, a vida é o único tesouro que o homem possui.”

"Happy or unhappy, life is the only treasure which man possesses."

History of my life: Volumes 1-2, página 35, Harcourt, Brace & World, 1966 - 679 páginas



Sarah Brightman - Live In Vienna