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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

"Ode ao Cidadão Anónimo" - Poema de E. M. de Melo e Castro


António Costa Pinheiro, Painel de azulejos, Estação Alameda, 1997.



Ode ao Cidadão Anónimo


Tu, cidadão anónimo, igual a ti próprio e a mim/outro
Que compras tudo o que és capaz de comprar
E deitas para o lixo tudo o que compraste

Que ganhas a tua vida perdendo a tua vida
Vida que é pequena e que só tens uma
Mas finges ignorar

Que pagas as contas que fazes sem saber porquê
Mas esperas descontos nos contos do vigário
que os teus credores te contam

Tu que ainda há pouco alimentavas a ilusão
de que o que fazes é produtivo para o teu país,
vais verificando dia a dia
que o teu trabalho é inútil principalmente para ti
porque um dia te despedem
até ficares despido

porque quem não precisa de ti não quer senão o teu voto
e tu que te lixes no lixo
porque o trabalho que fizeste toda a vida
é muito mais bem feito por qualquer robot
e ninguém dá por isso se não for feito
por isso és despedido
Assim desfruta a tua liberdade de desempregado
o melhor que puderes
porque és livre e por isso descartável

Está é a mais extraordinária descoberta da sociologia neoliberal
cibernetizada e deves ficar feliz com isso!

Mas não digas a ninguém.
Chora essa tua felicidade sozinho.

Se és velho, nunca vás para uma casa de repouso.
Finge que trabalhas.
Finge que te pagam, mesmo sabendo que nada recebes
Porque dá mais gozo não receber um salário venenoso
Que é teu
Mas irá fortalecer o sistema capitalista
E o igualmente selvagem neoliberalismo…
De que tanto gostas
E em que votaste à toa!


E. M. de Melo e Castro 
(n. Covilhã, 1932),
 in '15 Odes Ocas'



António Costa Pinheiro, Painel de azulejos, Estação Alameda, 1997.


"[...] para mim, trabalhar o verso, trabalhar a prosa, trabalhar o signo não verbal, quer com meios gráficos convencionais ou com meios tecnológicos avançados, faz parte de um processo total que eu chamo poiésis, isto é, a produção do artefato, a produção do objeto, mas do objeto novo, evidentemente. E é justamente nesta inovação, ou nos aspetos transgressivos em relação às normas estabelecidas para a produção de versos, de poemas em prosa ou até mesmo de poemas visuais, é na transgressão que, para mim, se encontra o ponto crucial dessa produção".

 E. M. de Melo e Castro, 2001


António Costa Pinheiro, Painel de azulejos, Estação Alameda, 1997.


sábado, 16 de agosto de 2014

Rafael Bordalo Pinheiro (Vida e Obra)



Rafael Bordalo Pinheiro, Jarra, A dança das rãs, rodada e modelada em barro vermelho, 1893. 
Peça de inspiração Arte NovaFábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica



Citação


"... Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. É que a política é como uma “grande porca”. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta."



Rafael Bordalo Pinheiro, 1879 
(Ao regressar a Lisboa após uma estadia de quatro anos no Brasil)



Rafael Augusto Prostes Bordalo Pinheiro


Caricaturista, ilustrador, ceramista, autor de banda desenhada, editor, decorador e figurinista, considerado o maior artista plástico português do século XIX, Rafael Bordalo Pinheiro nasceu a 21 de março de 1846, em Lisboa, e faleceu a 23 de janeiro de 1905, na mesma cidade.



Autorretrato de Columbano Bordalo Pinheiro (1857 — 1929), 



Oriundo de uma família de artistas, Rafael Bordalo Pinheiro teve uma formação escolar que passou pelo Liceu das Merceiras, onde se matriculou em 1857, no mesmo ano em que nasceu o irmão, Columbano Bordalo Pinheiro, que se viria a revelar um notável pintor.



filho de Rafael Bordalo Pinheiro,pintado por seu tio 


Rafael Bordalo Pinheiro experimentou representação no Teatro Garrett, inscreveu-se no Conservatório em 1860 e, no ano seguinte, matriculou-se em Desenho de Arquitetura Civil na Academia de Belas Artes, onde também se inscreveu em Desenho Histórico.
Perante um percurso escolar perfeitamente irregular e marcado pela pouca assiduidade, em 1863 foi trabalhar como escriturário na Câmara dos Pares. Em paralelo, desenvolveu o gosto pela arte, como se verificou no Salão da Sociedade Promotora de Belas Artes, onde expôs regularmente aguarelas com motivos populares a partir de 1868.

Em 1869 realizou diversas capas de livros e cabeçalhos de jornais e preparou o álbum O Calcanhar d'Achilles [Aquiles], editado no ano seguinte.

Durante a Exposição Internacional de Madrid, de 1871, apresentou os seus trabalhos e, nesse mesmo ano, participou no Almanaque das Gargalhadas.

Em 1872 colaborou com Artes e Letras e foi editado o álbum Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa, que é a primeira banda desenhada portuguesa, que relata em 16 páginas a viagem do Imperador do Brasil D. Pedro II à Europa. Dado o grande sucesso deste álbum, foram feitas mais duas edições no mesmo ano e, deste modo, Bordalo foi um dos pioneiros da BD a nível mundial. Estes três álbuns foram reeditados em 1996 pela Bedeteca de Lisboa por ocasião dos 150 anos do nascimento do autor, realizando-se na ocasião uma exposição sobre as suas Histórias aos Quadradinhos, entre outras iniciativas.

A sua colaboração como ilustrador com a imprensa estrangeira fez-se notar particularmente em 1873, com El Mundo Comico e Ilustración Española y Americana (ambos de Madrid) e o The Illustrated London News (de Londres).


Primeira caricatura do "Zé Povinho" in "A Lanterna Mágica" (1875).


Ano também marcante na sua carreira foi o de 1875: criou o célebre Zé Povinho, que apareceu pela primeira vez nas páginas d'A Lanterna Mágica, periódico que se começou a publicar a 1 de maio, sob direção literária de Guerra Junqueiro e de Guilherme de Azevedo. Também em 1875, a convite do prestigiado jornal O Mosquito, partiu para o Brasil. Colaborou com esse periódico carioca entre 1875 e 1877 e, com o seu encerramento, fundou o Psit!!!, em 1877, que durou escassos meses, tendo criado de seguida O Besouro, publicado entre 1878 e 1879, o ano do seu regresso a Lisboa.

Em 1879 fundou um dos títulos mais representativos em que participou, o célebre O António Maria, com Guilherme de Azevedo, cuja I série se publicou entre 1879 e 1885.
Com o encerramento de O António Maria criou de seguida o Pontos nos II, que se publicou entre 1885 e 1991, reaparecendo uma II série de O António Maria, entre 1891 e 1898. O último jornal que dinamizou foi A Paródia, que contou com a colaboração literária de João Chagas, publicado de 1900 até 1906.

Retomando um hábito tido no Brasil, fez caricatura a partir de quadros célebres, como Zé Povinho  na [Última] Ceia e Zé Povinho - Marquês de Pombal, ambos de 1882.

Com a colaboração de Ramalho Ortigão lançou o Álbum das Glórias em 1880 e, no ano seguinte, O António Maria estreou-se como revista teatral.



Rafael Bordalo PinheiroAs duas soberanias, in A Paródia, 1902


Para além dos periódicos que fundou e dinamizou com caricaturas e ilustrações, colaborou simultaneamente em muitos outros com BD, como aconteceu com as edições de O Comércio do Porto Ilustrado, no qual participou entre 1892 e 1904 com 10 histórias de BD que tiveram a particularidade de ser a cores, reeditadas em 1996 por Carlos Bandeiras Pinheiro. Uma outra BD importante, O Lazareto de Lisboa, surgida em 1881, também foi reeditada, em 2003, pela Frenesi.



Rafael Bordalo Pinheiro, Jarra com tampa, moldada e modelada em barro vermelho, 1888. 

(Esta peça foi executada por Rafael Bordalo Pinheiro (sentado numa asa a autocaricatura do artista), para oferecer ao Dr. Feijão, que o tratou de um antraz em 1888. Fabrica de Faianças das Caldas da Rainha- Museu da Cerâmica.)



Rafael Bordalo Pinheiro, Candelabro renascentista em faiança, 1894


Em 1884 começou a laborar a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. De entre as peças fabricadas, destaque para as pequenas figuras de carácter popular e caricatural, como o célebre Zé Povinho, a Ana das Caldas, o Arola ou as versões do John Bull (como penico e escarrador), personagem que surgiu como resposta ao Ultimato Britânico de 1890, sem esquecer as peças de grandes dimensões, como a Talha Manuelina e a Jarra Beethoven.


Rafael Bordalo Pinheiro, Jarra Beethoven, 1895


Prova do seu empenho na fábrica, viajou com o irmão Feliciano em 1888, visitando fábricas em França, Bélgica e Inglaterra, para conhecer técnicas de produção de cerâmica.

Em 1889 decorou o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Paris, onde as suas cerâmicas foram acolhidas com êxito, tendo sido agraciado com o grau de cavaleiro da Legião de Honra da República Francesa.


Rafael Bordalo Pinheiro, Bule de tipo caricatural, peça moldada e modelada, 1897-1906. 
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


Outras atividades em que se destacou foram a realização de figurinos para peças teatrais, como as que fez para Eduardo Schwalbach a partir de 1897, como O Reino da Bolha, ou a baixela manuelina que desenhou para o visconde de São João da Pesqueira, em 1904.

Implacável com a classe política do país, ninguém foi poupado à pena cáustica de Bordalo, como Hintze Ribeiro, José Luciano de Castro, Mouzinho de Albuquerque, o duque d'Ávila, o conde de Burnay, D. Luís, D. Carlos ou, em particular, António Maria Fontes Pereira de Melo.



Rafael Bordalo Pinheiro, Jarra decorada com folhas de plátano
Esta peça moldada e modelada em barro vermelho em 1901, está inserida 
na fase bordalina de onde saiu a Talha Manuelina.
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


A cidade de Lisboa tem-lhe prestado diversas homenagens, como a atribuição do seu nome ao largo onde morou, próximo do Chiado, a criação em 1989 do Prémio Municipal "Rafael Bordalo Pinheiro" de Banda Desenhada, Caricatura e Cartoon e, desde 1915, o Museu Rafael Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, tutelado pela edilidade desde 1924, que resultou da doação (do edifício e do recheio) por um grande admirador do autor, Cruz Magalhães, que embora nunca o tenha conhecido organizou metodicamente um espólio sem igual sobre o autor. A Casa da Imprensa atribui desde 1990 os Prémios "Bordalo", criados em 1962 com outro nome, que distingue personalidades em várias áreas.


Rafael Bordalo Pinheiro, Floreira, peça rodada e modelada em barro vermelho, 1898
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


Em 2005, por ocasião do Centenário da sua morte, realizaram-se diversas iniciativas, com exposições (nomeadamente em Lisboa e no Porto), as edições da Fotobiografia organizada por João Paulo Cotrim (Assírio & Alvim), do Álbum das Glórias (Expresso) e o catálogo A Rolha - Bordalo (Hemeroteca Municipal de Lisboa).
Nas Caldas da Rainha existe uma Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro e uma Escola Secundária tem Rafael Bordalo Pinheiro como patrono.

Rafael Bordalo Pinheiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-07-24].



Figura em cerâmica retratando o Zé Povinho


O Zé Povinho é uma personagem satírica de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro e adoptada como personificação nacional portuguesa. 

O Zé Povinho corresponde a uma imagem simbólica do povo, da massa anónima e submissa, plena de atualidade, que aparece nas mais variadas situações, desde os aumentos de impostos e das tarifas dos transportes, aos negócios mal explicados. De origem rural, sorriso afável, cabelo despenteado e usando chapéu braguês, o Zé vai manifestando o seu espanto umas vezes ou em outras mostra que percebe mais do que seria suposto.




Rafael Bordalo Pinheiro, Caixa "Toma", faiança 1904. 
Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.


Bordalo Pinheiro definiu assim, o personagem Zé Povinho

"O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e... fica como sempre... na mesma".

"Mas se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer, em constante contradição consigo mesmo, simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente..."




Rafael Bordalo Pinheiro


Os Azulejos 
de
 Rafael Bordalo Pinheiro

Rafael Bordalo Pinheiro, Painel de azulejos, barro vermelho moldado, 1893-1905. 
Inspiração na produção hispano mourisca do século XVI. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


Rafael Bordalo Pinheiro principia a sua produção em Setembro de 1884,  aplicando-o com grande sucesso em grandes superfícies como fachadas e interiores de residências. A durabilidade e impermeabilização das superfícies, características particulares do azulejo, aliadas a efeitos visuais resultantes da imitação de materiais através do azulejo de relevo, deram origem a composições livres de rara beleza.



Rafael Bordalo Pinheiro, Painel de azulejos com borboletas e espiga de trigo, barro vermelho moldado, 1905. 
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


Numa primeira fase mostrou preferência pelos azulejos de padrão, inspirados em motivos da azulejaria hispano-árabe, modalidade que nunca abandonou apesar das novas experiências com nenúfares, borboletas, gafanhotos e gatos, claramente influenciadas pela Arte Nova. A renovação do saber artesanal introduzida por Bordalo abriu as portas do mercado internacional ao azulejo português.


Rafael Bordalo Pinheiro, Painel de azulejos, barro vermelho moldado, 1893-1905. 
Gafanhotos sobre espigas de trigo. Cercadura com óvulos de inspiração renascentista. 
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


Além do azulejo artístico, a Fábrica de Faianças fabricou o azulejo comum e produziu tijolos (moldes em madeira reforçados a ferro) e telhas vidradas, revestidas de esmaltes verdes e cor de mel. Começou por fabricar tijolos e telhas para a edificação da própria fábrica e em Abril de 1885 concebe uma telha de menor peso e maior impermeabilidade com determinados apêndices para melhor segurança, em concorrência directa com a telha de Marselha. Foram construídos sete fornos para o cozimento deste material, na sua maior parte em barro vermelho. [ CITI ]


Rafael Bordalo Pinheiro, Azulejos de padrão, nenúfar e rã (Rã no Charco)
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha . Museu Rafael Bordalo Pinheiro - Divisão de Museus - CML


Rafael Bordalo Pinheiro, Painel com rãs, Finais do século XIX



Rafael Bordalo Pinheiro, Painel Arte Nova Com Rãs, Início sec. XX



Rafael Bordalo Pinheiro, Azulejos,  Fábrica Bordalo Pinheiro, s.d.



Rafael Bordalo Pinheiro, Painel de azulejos de inspiração mourisca com escudete de cinco quinas.



Rafael Bordalo Pinheiro, "Gato", Azulejo no pátio do Museu


Fontes:
Rafael Bordalo Pinheiro – Wikipédia
Rafael Bordalo Pinheiro - Infopédia
Rafael Bordalo Pinheiro - Centro Virtual Camões
Rafael Bordalo Pinheiro (Vidas Lusófonas)
R. Bordalo Pinheiro: biografia - CITI
Museu Bordalo Pinheiro - Museu de Arte
Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha
Faianças Artísticas Bordallo Pinheiro
Museu da Cerâmica
ComJeitoeArte
MatrizNet
Caldas da Rainha



Rafael Bordalo Pinheiro, Painel de azulejos

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"No Meu País"... Poema de Sebastião Alba





No Meu País



No meu país
dardejado de sol e da caca dos gaios
só há estâncias
(de veraneio) na poesia.
Nossos lábios
a um metro e sessenta e tal
do chão amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio.
Nossos lábios outonais, digo,
outonais doze meses.
No entanto
à flor da possível
geografia
um frémito cinde
as estações do ano.


Sebastião Alba, in 'O Ritmo do Presságio'



Conjunto azulejar azul e branco composto por motivo de dezasseis peças.
 Igreja Matriz de Argoncilhe.
 



O Azulejo em Portugal
 
Painel de azulejos da autoria de Jorge Colaço (1922) ilustrando uma cena da Batalha de Aljubarrota
  que em 1385 opôs os exércitos Português e Castelhano
Em exposição no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
 

 
A partir dos finais do século XV, princípios do XVI, quando a decoração ornamental muçulmana teve um papel importante na arte portuguesa, foi estimulado o desenvolvimento do azulejo. Eram feitas encomendas de azulejos às cerâmicas mouriscas de Sevilha e então dominava o gosto por superfícies completamente cobertas com azulejos, que permitiam uma melhor compreensão da organização geométrica das formas. 
 
Na segunda metade do século XVI chegam a Portugal azulejos vindos das oficinas flamengas e espanholas de Talavera e Sevilha. Por influência destes centros, Portugal aprendeu o método de fabrico e pintura de faianças (de origem italiana), o uso de composições figuradas e a divulgação da última decoração renascentista que exerceu a sua influência durante o século XVII. 
 
Do Oriente chegou o sentido do brilho, exuberância e fantasia de motivos ornamentais, especialmente através dos tecidos, e o uso das cores intensas. 
 
Da China veio o azul da porcelana, que na segunda metade do século XVII deu ao azulejo composições já sem caráter repetitivo, cheias de dinamismo, de formas em movimento. 
 
Nos finais do século XVII, princípios do século XVIII, Portugal importou da Holanda grandes quantidades de azulejo, absorvendo a pureza e o refinamento dos materiais, assim como a ideia de especialização de pintores.
 
 No reinado de D. João V (1706-1750), os azulejos sofrem a influência da talha, utilizando os mesmos motivos numa tendência para que as superfícies inteiras de parede fossem revestidas, criando assim um impacto espetacular característico do Barroco. Por seu lado, as gravuras estrangeiras que circulavam no país inspiraram as composições dos painéis figurativos.
 
Após o terramoto de 1755, a frágil situação económica e a necessidade de reconstruir Lisboa levou a uma conceção utilitária e prática do azulejo, usado como um complemento de fatores estéticos. Assim continuou até finais do século XVIII, o que conduziu a uma grande quebra ao nível da ornamentação.
 
Com o regresso do Brasil, após as invasões francesas, a corte portuguesa oitocentista trouxe consigo a ideia de usar o azulejo como material de revestimento das fachadas dos edifícios, dada a dualidade deste material. Por outro lado, a Revolução Industrial implicou uma certa industrialização do azulejo. 
 
Contudo, o azulejo não se limita em si mesmo a receber influências. O azulejo impõe-se pela sua força como um elemento complementar de uma estrutura arquitetónica. Portugal, ao utilizar azulejos estrangeiros, deu-lhes sempre uma utilização completamente diferente daquela que era tradicional nos países de origem.

As formas variadas de combinar os padrões e frisos hispano-mouriscos foram alcançadas de forma a assegurar ritmos e movimentos inesperados. Os azulejos feitos na segunda metade do século XVI, segundo as técnicas de pintura italiana e flamenga, mostram principalmente uma preocupação com os elementos estéticos e pictóricos.

Até ao fim do século XVII, padrões multicolores foram usados como uma decoração a sugerir linhas diagonais, desempenhando um papel importante e dinâmico na arquitetura. Os ritmos de diagonal não se harmonizavam bem com as linhas predominantemente verticais e horizontais da arquitetura. Deste modo, o azulejo altera de certa forma o caráter dos espaços fechados. É ainda neste período que as composições figuradas se desenvolvem e rapidamente cobrem as superfícies das paredes. É também nesta altura que se adota o azul feito do cobalto. 
 
A especificidade pictórica dos azulejos sugerem a dimensão de um espaço maior através da perspetiva. A ligeira variação na cor (provocada pelo fogo, segundo as técnicas artesanais), a cintilação, o ligeiro reflexo e o volume resultante da ondulação da superfície dos azulejos são elementos que faltam aos azulejos industriais. Estes adaptam-se melhor aos revestimentos de edifícios, onde o mais relevante é a luminosidade das cores.

O azulejo serviu também a Contrarreforma, que o utilizou para dar forma a um programa estético e religioso, influenciando o espírito dos crentes por meio de um espetáculo persuasivo. Com a ocupação espanhola e durante as guerras da Restauração, o azulejo viu o seu uso restringido aos edifícios religiosos. No entanto, com o governo do Conde da Ericeira e a construção de sumptuosas arquiteturas, assistiu-se a uma fase de expansão e modernização do azulejo no século XVII. Nesta altura surge uma renovação de padrões, técnicas e estilos. 
 
Durante o reinado de D. João V, o azulejo é largamente utilizado nas igrejas, palácios e casas pertencentes à burguesia, quer no interior, quer nos jardins. Esta grande utilização do azulejo contribuiu também para uma diminuição da qualidade e criatividade dos pintores. 
 
Com a implantação do regime liberal em 1834, o azulejo foi um acessório importante para o revestimento dos frontispícios e entradas de edifícios e, igualmente, de algumas lojas comerciais (padarias, tabernas).

Na primeira metade do século XX, o azulejo caracterizou-se, por um lado, pela exuberância e grande intensidade de cor dos seus frisos, composições e painéis de Arte Nova. Por outro lado, havia uma produção de azulejos de tendência nacionalista.
 
A implantação do Estado Novo e a definição do estilo de arquitetura de Salazar, por volta de 1946, levou à criação de um estilo nacionalista que rejeitou o azulejo. Nessa altura, ele é substituído pelo mármore. O azulejo voltaria a conquistar a sua dignidade pela mão dos artistas plásticos ligados à oposição a Salazar.

azulejo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-07-18].

 


 
Painel rococó no jardim do Palácio Nacional de Queluz.
 
 

"Os azulejos relatam um mundo fabuloso que se oferece aos nossos olhos: um macaco a tocar flauta, uma mulher comendo uvas, (...), amantes namorando, um leão domado, uma moreia com pintas de leopardo. "

John Berger


John Peter Berger (5 de novembro de 1926, Highams Park, Londres) é um crítico de arte, romancista, pintor e escritor inglês. Entre suas obras mais conhecidas estão o romance G., vencedor do Booker Prize de 1972 e o ensaio introdutório em crítica de arte Ways of Seeing, escrito como acompanhamento da significativa série homónima da BBC, e frequentemente usado como texto universitário.




 

"Estou Tonto" - Poema de Álvaro de Campos


Júlio Pomar, Fernando Pessoa, c. 1983, painel de azulejos,
estação de Metropolitano Alto dos Moínhos, Lisboa


(O metro de Lisboa também é conhecido pela sua decoração; o azulejo é o principal elemento decorativo das estações, fazendo de cada estação uma obra diferente. A estação do Alto dos Moinhos, por exemplo, tem azulejos alusivos a Fernando Pessoa do artista português Júlio Pomar).



Estou Tonto 


Estou tonto, 
Tonto de tanto dormir ou de tanto pensar, 
Ou de ambas as coisas. 
O que sei é que estou tonto 
E não sei bem se me devo levantar da cadeira 
Ou como me levantar dela. 
Fiquemos nisto: estou tonto. 

Afinal 
Que vida fiz eu da vida? 
Nada. 
Tudo interstícios, 
Tudo aproximações, 
Tudo função do irregular e do absurdo, 
Tudo nada. 
É por isso que estou tonto ... 

Agora 
Todas as manhãs me levanto 
Tonto ... 

Sim, verdadeiramente tonto... 
Sem saber em mim e meu nome, 
Sem saber onde estou, 
Sem saber o que fui, 
Sem saber nada. 

Mas se isto é assim, é assim. 
Deixo-me estar na cadeira, 
Estou tonto. 
Bem, estou tonto. 
Fico sentado 
E tonto, 
Sim, tonto, 
Tonto... 
Tonto. 



Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa



O azulejo em Portugal

Painel historiado do cerco ao Castelo de Torres Novas, painel de azulejos de Gil Pais, Torres Novas.


Os portugueses não inventaram o azulejo mas usaram-no de forma original, para revestir paredes, pavimentos, bancos, lagos e fontes. Fizeram-no tão bem que estes pequenos quadrados de barro, a que o fogo dá vida, atingiram o estatuto de obras-primas. 
O Azulejo é uma das expressões mais fortes da Cultura em Portugal e uma das contribuições mais originais do génio dos portugueses para a Cultura Universal.
O Azulejo ultrapassou largamente a mera função utilitária ou o seu destino de Arte Ornamental e atingiu o estatuto transcendente de Arte, enquanto intervenção poética na criação das arquiteturas e das cidades.



Estação de Metro do Alto dos Moinhos


 As estações de metro de Lisboa são a mais importante Galeria de Arte Pública da cidade. Na decoração da maioria das estações há um elemento em destaque: o azulejo. Elemento expressivo por natureza, demonstra ser a técnica ideal para artistas portugueses e estrangeiros se expressarem.
Algumas estações contêm em si verdadeiras surpresas, por vezes organizadas de modo a promover circuitos de fruição. Por exemplo, o Museu da Música está instalado na estação de metro Alto dos Moinhos.
Os lisboetas e utilizadores do metro na sua azáfama pouco tempo têm para admirar estas galerias e para mais, os televisores publicitários espalhados nas plataformas tendem a roubar a sua atenção!


Letreiro na estação Alto dos Moinhos do metro de Lisboa, linha azul; azulejos de Júlio Pomar.



Azulejos na Estação de Metro do Alto dos Moinhos


A estação de metro do  Alto dos Moinhos, (Linha Azul), aberta ao público em 1988, tem projecto do arq. Ezequiel Nicolau e intervenção plástica do pintor Júlio Pomar. Utilizando o graffiti como expressão artística, Júlio Pomar homenageou quatro figuras das letras portuguesas, Camões, Bocage, Pessoa e Almada.
O trabalho de um ano de desenho resultou na animação plástica das paredes desta estação e numa exposição organizada pelo Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1984, intitulada "1 Ano de desenho, 4 poetas no Metropolitano de Lisboa". João Castel-Branco Pereira, na sua obra "Arte-Metropolitano de Lisboa", descreve a tónica que o pintor quis imprimir a cada poeta e a iconografia que utilizou:

Camões "guerreiro e galante, memorista de uma história pátria poeticamente ficcionada, em duelos medievais, exotismos do Oriente e amores fogosos em ilhas míticas"
Bocage "irreverente e sarcástico narrador de histórias burlescas, que contudo não deixa transparecer uma consciência tenebrística da vida"
Fernando Pessoa "personagem do drama moderno da impossibilidade do indivíduo ser um só, desmultiplicando-se em diferentes heterónimos, sentados em simultâneo à mesma mesa do café urbano"
Almada Negreiros "cosmopolita, fazendo explodir a sua integridade na diversidade dos talentos, Arlequim dos seus desenhos, elegante citadino, apaixonado do ver, observador sempre atento".
http://www.cm-lisboa.pt/


Júlio PomarCamões, c. 1983, painel de azulejos, 
estação de Metropolitano Alto dos Moinhos, Lisboa

segunda-feira, 3 de março de 2014

"A Recuperação da Culpa" - Crónica de Agustina Bessa-Luís


Painel de Azulejos



A recuperação da culpa 


A Cultura Europeia encontra-se, há pelo menos seis décadas, numa situação embaraçosa. Ao serem solucionados problemas da saúde e do trabalho; ao crescerem as hipóteses e as profecias do bem-estar, o espírito criador foi sofrendo na sua raiz uma lesão profunda. A solidão, tão cara ao homem de pensamento e necessária à sua originalidade, foi sendo condenada pelo apelo à aldeia global. As fronteiras, ao caírem, produziram um fenómeno de desorientação; os mass-media, ao servirem os grandes espaços geofísicos, contribuíram para uma desmobilização do génio.

Não é de estranhar que a Cultura se tornasse uma espécie de cruzada, sem objetivos exceto os de menos alcance e que competem aos programas locais, de divulgação mais excitante. Mas o pensamento ficou bloqueado, o cérebro humano não responde aos estímulos da paixão criadora. Os modelos heroicos foram surpreendidos por uma concorrência de robots, que desiludem os homens e deixam as sociedades perturbadas quanto aos seus direitos à imaginação própria. No entanto, é preciso enfrentar as condições oferecidas por uma nova era que se quer propensa à esperança genuína dos povos. Uma era de Cultura.

A Cultura é, em princípio, um sentimento de afeto pelo mundo que nos rodeia. Se o afeto das situações não for contemplado, a Cultura não passa do âmbito das instituições que a nomeiam e tentam proteger. Ao ampliar os seus horizontes físicos, o homem sente-se tentado a julgar-se preparado para o acontecimento da Cultura. Porém, conhecer mais nomes célebres e lugares estranhos não desperta o caráter primordial duma cultura, que é o ser livre de orgulho e dispensado da inteligência de grupo. Toda a diferenciação cria qualquer forma de fanatismo. A Cultura instalou-se sempre partindo duma diferenciação. É um direito, sem dúvida, mas em que medida um direito não é também uma culpa?

Para vivermos plenamente um direito, temos de nos mover dentro do afeto desse direito. Não na autoridade ou no espírito da lei que lhe assiste, mas no afeto do direito. E o afeto da culpa? Quando ele nos é negado, morremos no corpo e no espírito.

A um auditório de mulheres de cultura, faria sentido eu dirigir a seguinte pergunta: porque é que a culpa foi, através dos tempos, atribuída às mulheres? Ao atribuir-se à mulher um estado de culpa, não se estará a dignificar a culpa como motivadora duma civilização? É possível. Nesse caso, a mulher, como portadora duma culpa, é sempre iniciadora duma cultura. A culpa, nesse caso e aqui, não é um opróbrio, mas uma consequência da própria infalibilidade. Só da culpa a pessoa pode elevar-se. A cultura parte do pressuposto duma culpa. Só ela se interroga. Só ela desencadeia o conflito.

S. Boaventura, porque observa a ordem da justiça com particular atenção, considera o pecado original não só imputável à mulher, mas também ao varão por não a ter contido e reprimido. O homem teme, ao mover a mulher a seguir a razão, perder a sua parte de deleite sensual de que a sociedade fez um bem útil. É de prever que novas capacidades intelectuais e morais estejam em evolução no homem do futuro. A sua sensibilidade ganhará forma no sentido de o aproximar de uma linguagem mais universal do que tribal. A literatura e as artes serão cultivadas como uma religião de ascetas, provavelmente. A ascese é a escolha duma inovação. É uma prova da inovação.

Entretanto, um dos grandes impasses da Cultura reside nos conflitos entre o prazer que a sociedade adapta ao seu sistema, e a vinculação ao desprazer, ou seja, ao trabalho e a todas as propostas difíceis.

O mundo está constituído por etnias cujas contradições não são absorvidas tão rapidamente como se movem e se reproduzem. A Cultura, fenómeno de sedimentação de experiências, tornou-se num expediente, numa tática e num consentimento sem obra.

Todas as pessoas possuem um dom que protege há milhões de anos a sua vida na terra. É uma espécie de infalibilidade que previne o instinto de morte de se desenvolver e nos destruir. Não tem a ver com a opção, mas com um acordo comum entre todas as espécies. A vontade do homem apoia assim o interesse dos políticos que, como Ciro, fazem de cada lar um bordel, para deste modo governarem as metrópoles com menos despesa de guarnições.

A Europa enfrenta-se com o seu dom de infalibilidade. Decisão, partilha, amor e cultura têm de ser conduzidos pela mão da infalibilidade. Senão, tudo não passará de muito barulho para nada.

O afeto da cultura, mais do que o planeamento da Cultura, a infalibilidade, mais do que a certeza, serão auxiliares para nos podermos conhecer e libertar.

São estas as ideias para uma renovação da Cultura. São ideias que marcam o entendimento do tempo comum europeu, tanto atlântico como mediterrânico.

O tempo europeu, subsidiário da cultura helénica e romana, encontra hoje o vazio do pensamento que a serviu. As dicotomias bem e mal, justo e injusto, puro e impuro, sofrem grandes provações. A tendência é para recuperar do passado velhas fórmulas cuja sabedoria está confundida com preconceitos mutáveis.

Que nome daremos à atualidade da culpa, única forma de instaurar uma cultura? É com certeza nome de mulher. O nome do eterno feminino que o Dr. Fausto reconheceu não sem admiração. «A tua incerteza mata-me» - diz Fausto a Margarida. E ela está completamente nas últimas palavras que profere: «Causas-me horror!»

Freud deu o último abanão ao sentimento burguês de culpa. Depois disso a sociedade não parou de conferir ao prazer uma inteligência como forma de reprimir os ideais, mais perigosos do que o instinto do prazer.

É certo que a culpa pode submeter os homens a um simples treino da infelicidade. Hoje, o homem está capacitado de ser infeliz, apesar de as condições de vida serem melhores. Os seus padecimentos são demonstrados, são, por assim dizer, consumidos. Mas não correspondem a qualquer glória integrada no mistério humano.

Conheci uma mulher pobre e, além disso, atrasada mental. Ela passava os dias prestando serviços gratuitos numa pequena loja onde eu ia fazer as minhas compras do dia: o pão, o leite, a fruta. Ela vigiava-me para que eu não escolhesse a fruta e repreendia-me se eu o fazia. Até que, um dia, a dona da loja lhe fez ver que eu era uma pessoa importante e que não podia tratar-me dessa maneira. No fundo, eu achei que aquela mulher era idiota e que alguém devia pô-la na ordem.

Só que, alguns dias depois, a mulher apareceu morta em casa. Embora todos comentassem aquilo sem qualquer emoção duradoura, eu pensei que alguma coisa teria acontecido que lhe tivesse provocado a morte. Ela tinha sido atingida na sua infalibilidade. Há um ponto na razão que comandou a infalibilidade, o direito de julgar e de agir conforme o afeto da justiça. Eu tinha ferido de morte a infalibilidade dessa mulher. Ela viu-se como todos a viam: pobre e inútil, sobretudo, fora da inteligência da culpa. Eu e os outros não a culpávamos. Mas também não a amávamos.

A mulher-objeto, a mulher-demónio, não são senão interpretações da culpa. A mulher não representa maior perigosidade do que o homem, e isso tenta-se demonstrar ao situá-la numa escala inferior, ou numa situação submissa. Mas o que muito se demonstra sofre de falta de convicção.

A mulher conhece-se a si mesma; o homem não. Não é por acaso que o oráculo de Delfos, uma mulher, aconselhe o homem a conhecer-se a si mesmo, o que produziria o estado de culpa. A culpa que não se descreve por meio de qualquer linguagem, é unicamente uma via onde se cruzam a vida e a morte.

Agustina Bessa-Luís, in Público, 2011

(Texto inédito escrito entre 1990 e 1993, publicado no jornal “Público” a 15 de outubro de 2011, dia em que Agustina Bessa-Luís completou 89 anos.)





sábado, 7 de abril de 2012

"Azulejo" - Poema de Ary dos Santos


Azulejos - Aveiro, Portugal



Azulejo

Azulejos da cidade 
numa parede ou num banco, 
são ladrilhos da saudade 
vestida de azul e branco.
Bocados da minha vida 
todos vidrados de mágoa, 
azulejos, despedida 
dos meus olhos, rasos de água.

À flor dum azulejo, uma menina; 
do outro, um cão que ladra e um pastor. 
Ai, moldura pequenina, 
que és a banda desenhada 
nas paredes do amor.

Azulejos desbotados 
por quanto viram chorar. 
Azulejos tão consados 
por quantos viram passar.

Podem dizer-vos que não, 
podem querer-vos maltratar: 
de dentro do coração 
ninguém vos pode arrancar.

À flor dum azulejo, um passarinho, 
um cravo e um cavalo de brincar; 
um coração com um espinho, 
uma flor de azevinho 
e uma cor azul luar.

À flor do azulejo, a cor do Tejo 
e um barco antigo, ainda por largar. 
Distância que já não vejo, 
e enche Lisboa de infância, 
e enche Lisboa de mar.







Azulejos


Azulejos


Azulejos


O Azulejo Português - Parte 1/5

O Azulejo Português - Parte 2/5


O Azulejo Português - Parte 3/5


O Azulejo Português - Parte 4/5


O Azulejo Português - Parte 5/5



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