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quarta-feira, 27 de março de 2013

O último discurso de “o grande ditador” - Charlie Chaplin


Jackson Pollock, Nº5, 1948


O último discurso de “O Grande Ditador”

Charlie Chaplin

"Sinto muito, mas não quero ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não quero governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria apenas de ajudar: judeus, não judeus, negros ou brancos.

Todos nós desejamos ajudarmo-nos uns aos outros. São assim os seres humanos. Queremos viver para o bem do próximo e não para o seu infortúnio. Por que razão nos havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Há espaço para todos neste mundo. A Terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza! Porém, perdemo-nos. A cobiça envenenou a alma dos homens, fez erguerem-se no mundo as muralhas do ódio, e tem-nos feito marchar a passos largos para a miséria e para a morte. Criámos a era da velocidade, mas sentimo-nos aprisionados dentro dela. A Máquina, que produz abundância, tem-nos deixado na penúria. O nosso conhecimento, transformou-nos em cépticos; a nossa inteligência, fez-nos duros e cruéis. Pensamos muito e sentimos muito pouco. Muito mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Muito mais do que de inteligência, precisamos de afecto e de ternura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.

A aviação e a rádio aproximaram-nos mais. A sua própria natureza é um apelo eloquente à bondade do homem. Um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós. Neste preciso momento a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo fora, milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir, eu digo: “ Não desesperem! A desgraça que se abateu sobre nós não é mais do que o fruto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores caem e o poder que arrebataram ao povo, ao povo há-de regressar. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que controlam as vossas vidas, que ditam os vossos actos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado e vos usam como carne para canhão. Não sóis máquinas! Homens é que sóis! E com o amor da humanidade nas vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do Homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens! Está em vós! Vós, o Povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de a tornar uma maravilhosa aventura. Portanto – em nome da Democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um Mundo Novo, um Mundo Bom que a todos assegure uma oportunidade de trabalho, um futuro para a juventude e a segurança à velhice.

É com estas promessas que gente perversa tem subido ao poder. Mas só para abusar da vossa credulidade. Não cumprem o que prometem. Nunca cumprirão! Os ditadores libertam-se, escravizando, porém, o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, derrubar as fronteiras nacionais, pôr fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um Mundo de razão, um mundo onde a ciência e o progresso conduzam a prosperidade de todos. Soldados, em nome da Democracia, unamo-nos!

Hannah, estás a ouvir-me? Onde estiveres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol começa a romper as nuvens que se dispersam! Estamos a sair da treva para a luz! Começamos a entrar num mundo novo – um mundo melhor, onde os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e começa, afinal, a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos Hannah! Ergue os olhos!"

Charlie Chaplin, em "O Grande Ditador", outubro de 1940


Discurso de Charlie Chaplin em "O grande ditador"



"Durante milénios o mundo foi semelhante a essas pinturas italianas da Renascença onde, sobre as lajes frias, são torturados homens enquanto outros olham para outro lado na distracção mais perfeita. O número dos «desinteressados» era vertiginoso em comparação com o dos interessados. O que caracterizava a história era a quantidade de pessoas que não se interessavam pela desgraça dos outros. Algumas vezes os desinteressados também se tornavam vítimas. Mas passava-se tudo no meio da distracção geral e uma coisa compensava a outra. Hoje toda a gente faz menção de se interessar. Nas salas do palácio as testemunhas voltam-se de súbito para o flagelado."
Albert Camus

 
Galeria de Jackson Pollock
Jackson Pollock, o pintor do Expressionismo Abstrato


Paul Jackson Pollock, (Cody, Wyoming, 28 de janeiro de 1912 — Springs, 11 de agosto de 1956) foi um pintor norte-americano e referência no movimento do expressionismo abstrato.
Pollock começou seus estudos em Los Angeles e depois mudou-se para New York. Homem de personalidade volátil e tendo vários problemas com o alcoolismo, em 1945 ele casou-se com a pintora Lee Krasner, que se tornaria uma importante influência em sua carreira e em seu legado.
Desenvolveu uma técnica de pintura, criada por Max Ernst, o 'dripping' (gotejamento), na qual respingava a tinta sobre suas imensas telas; os pingos escorriam formando traços harmoniosos e pareciam entrelaçar-se na superfície da tela. Pollock foi muito importante para o 'dripping'; o quadro "UM" é um exemplo dessa técnica. Pintava com a tela colocada no chão para sentir-se dentro do quadro. Pollock parte do zero, do pingo de tinta que deixa cair na tela elabora uma obra de arte. Além de deixar de lado o cavalete, Pollock também não usa mais pincéis.
A arte de Pollock combina a simplicidade com a pintura pura e suas obras de maiores dimensões possuem características monumentais. Com Pollock, há o auge da pintura de ação (action painting). A tensão ético-religiosa por ele vivida o impele aos pintores da Revolução mexicana. Sua esfera da arte é o inconsciente: seus signos são um prolongamento do seu interior. Apesar de ter seu trabalho reconhecido e com exposições por vários países do mundo, Pollock nunca saiu dos Estados Unidos. Morreu em um acidente de carro em 11 de agosto de 1956.  (daqui)


Jackson Pollock - Number 1,  (Lavender Mist), 1950,
National Gallery of Art

Jackson Pollock - Autumn Rhythm, 1950


Jackson Pollock - The She Wolf, 1943


Jackson Pollock - The key, 1946


Jackson Pollock - Blue (Moby Dick) - c. 1943


Jackson Pollock - Stenographic Figure – 1942


Jackson Pollock - The tea cup, 1946


domingo, 12 de agosto de 2012

"O Futuro" - Poema de Reinaldo Ferreira


Clement Rollins Grant (American painter, 1849–1893), Autumn Repose.



O Futuro

 
Aos Domingos, iremos ao jardim.
Entediados, em grupos familiares, 
Aos pares, 
Dando-nos ares 
De pessoas invulgares, 
Aos Domingos iremos ao jardim. 
Diremos nos encontros casuais 
Com outros clãs iguais, 
Banalidades rituais 
Fundamentais. 
Autómatos afins, 
Misto de serafins 
Sociais 
E de standardizados mandarins, 
Teremos preconceitos e pruridos, 
Produtos recebidos na herança 
De certos caracteres adquiridos. 
Falaremos do tempo, 
Do que foi, do que já houve... 
E sendo já então 
Por tradição 
E formação 
Antiburgueses 
- Solidamente antiburgueses -, 
Inquietos falaremos 
Da tormenta que passa 
E seus desvarios. 

Seremos aos domingos, no jardim, 
Reacionários. 


Reinaldo Ferreira


Reinaldo Ferreira
 

Reinaldo Ferreira (Barcelona, 20 de Março de 1922; Lourenço Marques, 30 de Junho de 1959) foi um poeta português que realizou toda a sua obra em Moçambique. 
Filho do célebre Repórter X, Reinaldo Ferreira chega a Lourenço Marques em 1941, finaliza o 7º ano do liceu e ingressa como aspirante no Quadro Administrativo da Colónia, tendo subido até Chefe de Posto.
Os primeiros poemas começam a ser publicados nos jornais locais ou em revistas de artes e letras. Adapta para a rádio peças de teatro e, mais tarde, colabora no teatro de revista. Autor da letra de canções ligeiras, entre as quais Kanimambo, Uma Casa Portuguesa e Piripiri.
Em 1959 é-lhe detetado cancro do pulmão e morre em Junho desse ano. Não editou nenhum livro em vida.
A coletânea dos seus poemas surgiu em 1960.
António José Saraiva e Óscar Lopes compararam-no ao poeta Fernando Pessoa, realçando «o mesmo sentir pensado, a mesma disponibilidade imensamente cética e fingidora de crenças, recordações ou afetos, o mesmo gosto amargo de assumir todas as formas de negatividade ou avesso lógico».


Galeria de Clement Rollins Grant
(Pintor Americano, 1849-1893)

Clement Rollins Grant (1849 – 1893), A fisherman's Family.


Clement Rollins Grant, A Gathering at the Beach.


Clement Rollins Grant, Gathering Flowers.


Clement Rollins Grant, The Connoisseur.


Clement Rollins Grant, Waiting in the Lane, Along the Sunny Path.


Clement Rollins Grant, Ethel Monroe Keeler of Cambridge.


Clement Rollins Grant, Woman in a landscape.


Clement Rollins Grant, Mother and child in a landscape.


Clement Rollins Grant, In from the garden.


Clement Rollins Grant, A seat in the garden.


Clement Rollins Grant, Young woman in profile.


Clement Rollins Grant, The Visit.


"Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegura o ensejo de trabalho, que dê futuro à juventude e segurança à velhice." 
 

Charles Chaplin; O Último discurso do filme "O Grande Ditador"


Charles Chaplin em 1920 e em 1965


Charles Spencer Chaplin, mais conhecido como Charlie Chaplin (Londres, 16 de abril de 1889 — Corsier-sur-Vevey, 25 de dezembro de 1977), foi um ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. 
Chaplin foi um dos atores mais famosos da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. 
É bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro (este considerado por ele seu melhor filme), O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova Iorque e A Condessa de Hong Kong.

domingo, 5 de agosto de 2012

"Soneto de mal amar" - Poema de Ary dos Santos


Ferdinand Minor (German, 1814-1883), The flirtation
 
 

Soneto de mal amar 


Invento-te recordo-te distorço 
a tua imagem mal e bem amada 
sou apenas a forja em que me forço 
a fazer das palavras tudo ou nada. 

A palavra desejo incendiada 
lambendo a trave mestra do teu corpo 
a palavra ciúme atormentada 
a provar-me que ainda não estou morto. 

E as coisas que eu não disse? Que não digo: 
Meu terraço de ausência meu castigo 
meu pântano de rosas afogadas. 

Por ti me reconheço e contradigo 
chão das palavras mágoa joio e trigo 
apenas por ternura levedadas. 


Ary dos Santos,
in 'O Sangue das Palavras'


Ferdinand Minor – The Italian Beauty


Ferdinand Minor


 Ferdinand Minor


"O humor nos permite ver, através do que parece ra­cional, o irracional; o humor reforça, além disso, nosso instinto de conservação e preserva nossa saúde de es­pírito. Graças ao humor, as vicissitudes da existência tornam-se menos difíceis de levar: ele desenvolve nos­so sentido de proporção e nos revela que o absurdo ronda sempre a gravidade exagerada." - Charlie Chaplin


Tchaikovsky: The Nutcracker (complete)

domingo, 13 de maio de 2012

"Jardim Perdido" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



Édouard Léon Cortès (Pintor francês, 1882-1969), Été au Jardin
 

Jardim Perdido 


Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão,

A verdura das árvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava,
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.

A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidade e suspensão.

Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.
do livro "Poesia", 1944



Édouard Léon Cortès, The Ferryman



Édouard Léon Cortès


Édouard Léon Cortès nasceu em Lagny, França em 1882. Durante sua juventude, Paris era o centro mundial da arte, e artistas de todo o mundo viajavam para lá para estudar e pintar suas belas paisagens. Nessa época, Paris ficou conhecida como "Cidade das Luzes", e havia uma grande procura, por parte de colecionadores e turistas, por pinturas retratando as ruas e paisagens da cidade. Em meados de 1900 Cortès começou a pintar as telas que o tornariam o mais famoso pintor de cenas urbanas de Paris.
Um dos artistas mais prolíficos de seu tempo, Cortès, retratando suas ruas e monumentos, encontrou aí seu nicho de mercado e soube explorá-lo muito bem. Suas perspetivas de Paris estão entre as imagens mais reveladoras e belas do género, as quais retratou em todos as estações do ano, por mais de 60 anos.
Edouard Cortès, juntamente com outros artistas como Eugene Galien-Laloue (1854-1941), Luigi Loir (1845-1916) e Jean Beraud (1849-1936), corresponderam ao chamado do mercado de arte. Especializando-se em cenas de rua de Paris, cada um desses artistas retrataram a cidade durante o seu apogeu, e continuaram a pintá-las por muitos anos durante o século 20. Suas belas representações de Paris estavam sempre na moda e Cortès continuou a pintá-las até sua morte. Em meados da década de 1920, Edouard e sua família voltaram para a Lagny (Normandia) e ele começou a pintar cenas da vida no campo - incluindo paisagens, cenas de interiores e natureza morta. Ele era um membro ativo da Union des Beaux-Arts de Lagny, onde estreou numa exposição em 1927, continuando a se apresentar lá até o final de 1930. Durante este período, ele recebeu vários prémios, ganhou grande notoriedade e foi um expositor frequente em salões de arte em Paris. Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, Cortès e sua família passaram o tempo em Cormelles-le-Royal (na Normandia), na tentativa de retirar-se da dura realidade da guerra. No início de 1950, mudou-se para Lagny, onde permaneceria pelo resto de sua vida, até falecer em 1969.


Galeria de Édouard Léon Cortès

Suas telas parisienses, dotadas de uma elegância sem par, tem em comum a efervescência da cidade grande, onde carros, cavalos e pessoas de todo tipo circulam pelas ruas da cidade.
Cortès retratou vários pontos marcantes da cidade, em épocas e estações do ano diferentes, sob sol pleno ou sob a chuva, em dia claro ou ao anoitecer, sempre mostrando a vida da cidade, seus habitantes e os lugares que frequentavam.


Édouard Léon Cortès, The Panthéon


Édouard Léon Cortès, Place de La Concorde 


Édouard Léon CortèsPlace de l'Opera, Paris


Édouard Léon CortèsPlace de l'Opera


Édouard Léon CortèsPont Alexander III 


Édouard Léon CortèsQuai du Louvre


Édouard Léon CortèsRue de Lyon, Bastilha


Édouard Léon CortèsRue de La Paix, Place Vendôme



Édouard Léon Cortès, Flower Market at the Madeleine


Édouard Léon Cortès, Le Jardin des Tuileries



Édouard Léon Cortès, Les Bouquinistes de Notre-Dame
 

Édouard Léon Cortès, Arc de Triomphe



Luzes da Ribalta - Charles Chaplin

domingo, 22 de abril de 2012

"Ler significa reler e compreender, interpretar" - Texto de Leonardo Boff


 
Ben Goossens (Belgium artist / Surrealist photographer, b. 1945)



“Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer, como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação.”

Leonardo Boff, 1997

[Leonardo Boff, pseudónimo de Genézio Darci Boff (Concórdia, 14 de dezembro de 1938), é um teólogo brasileiro, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. É respeitado pela sua história de defesa pelas causas sociais e atualmente debate também questões ambientais.]


Imagem de  Ben Goossens
 
 
"Uma coisa bonita era para se dar ou para se receber, não apenas para se ter."
 
 (Clarice Lispector)


 
Imagem de  Ben Goossens


"Eu continuo a ser uma coisa só: um palhaço, o que me coloca em nível mais alto 
do que o de qualquer político." 
 
 (Charles Chaplin)
 

 
Imagem de  Ben Goossens


"Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega." 
 
 (Lya Luft)
 

 
Imagem de  Ben Goossens


"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." 

(Ruy Barbosa) 
 

Ruy Barbosa

Ruy Barbosa de Oliveira (Salvador, 5 de novembro de 1849 — Petrópolis, 1 de março de 1923) foi um jurista, político, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro. Um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo, foi um dos organizadores da República e coautor da constituição da Primeira República juntamente com Prudente de Morais. Ruy Barbosa atuou na defesa do federalismo, do abolicionismo e na promoção dos direitos e garantias individuais. Primeiro Ministro da Fazenda do novo regime, marcou sua breve e discutida gestão pelas reformas modernizadoras da economia. Destacou-se, também, como jornalista e advogado. Foi deputado, senador, ministro. Em duas ocasiões, foi candidato à Presidência da República. Empreendeu a Campanha Civilista contra o candidato militar Hermes da Fonseca. Notável orador e estudioso da língua portuguesa, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, sendo presidente entre 1908 e 1919. Como delegado do Brasil na II Conferência da Paz, em Haia (1907), notabilizou-se pela defesa do princípio da igualdade dos Estados. Sua atuação nessa conferência rendeu -lhe o apelido de "O Águia de Haia". Teve papel decisivo na entrada do Brasil na I Guerra Mundial. Já no final de sua vida, foi indicado para ser juiz da Corte Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio, que recusou. 


Imagem de  Ben Goossens


"A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é o maior elemento da estabilidade." 
 
(Ruy Barbosa)