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domingo, 9 de agosto de 2026

"Dia dos Pais" - Poema de Giuseppe Artidoro Ghiaroni



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), "A Father's Return", n.d.

Dia dos Pais


Meu pai está tão velhinho, 
tem a mão branca e comprida, 
parecendo a sua vida, 
longa vida que se esvai.

E eu o lembro quando moço 
de uma atlética altivez. 
Ah! Tinha força por três! 
Você se lembra, papai?

Menino, ouvia dizer 
que você era um gigante. 
Eu ficava radiante 
e também me agigantava.

Porque toda madrugada, 
eu quentinho do agasalho, 
ao sair para o trabalho 
o gigante me beijava.

Sua grande mão de ferro 
parecia leve, leve 
naquela carícia breve 
que da memória não sai. 

Depois... um beijo em mamãe 
e o meu gigante partia. 
E a casa toda tremia 
com os passos de papai. 

Mas agora o seu retrato 
muito moço, muito antigo, 
se parece mais comigo 
do que mesmo com você.

Você já lembra vovô 
e, à medida que envelhece, 
papai, você se parece 
com mamãe, não sei por quê.

Você se lembra, papai? 
Quando mamãe, de repente, 
caiu de cama, doente, 
era o pai quem cozinhava.

Tão grande e desajeitado 
a varrer... Quando eu o via 
de avental, papai, eu ria; 
eu ria e mamãe chorava.

Eu quis deixar o ginásio 
para ganhar ordenado, 
ajudar meu pai cansado, 
mas tal não aconteceu.

Papai disse estas palavras: 
Sou um operário obscuro, 
mas você terá futuro, 
será melhor do que eu.

Eu? Melhor que este velhinho 
a quem devo o pão e o estudo? 
Que é pobre porque deu tudo 
à Família, à Pátria, à Fé?

Meu pai, com todo o diploma, 
com toda a universidade, 
quisera eu ser a metade 
daquilo que você é.

E quero que você saiba 
que, entre amigos, conversando, 
meu assunto vai girando 
e no seu nome recai.

Da sua força, coragem, 
bondade eu conto uma história. 
Todos veem que a minha glória 
é ser filho de meu pai.

“Um dia eu fui tomar banho 
no rio que estava cheio. 
Quando a correnteza veio, 
vi a morte aparecer.

Papai saltou dentro d’água 
nadando mais do que um peixe, 
salvou-me e disse:  Não deixe! 
Não deixe mamãe saber!”.

Assim foi meu pai, o forte 
que respeitava a fraqueza. 
Nunca humilhou a pobreza, 
nunca a riqueza o humilhou.

Estava bem com os homens 
e com Deus estava bem. 
Nunca fez mal a ninguém 
e o que sofreu perdoou.

Perdoa então se lhe falo 
Daquilo que não se esquece. 
E a minha voz estremece 
e há uma lágrima que cai.

Hoje sou eu o gigante 
e você é pequenino. 
Hoje sou eu que me inclino. 
Papai... a bênção, papai.

[Jornalista e poeta brasileiro, 19192008]
 
 ♥♥♥


Carl Larsson (Swedish painter, 1853–1919),
"Self-portrait with Brita", 1895 (watercolor)
 
O Dia do Pai (em Portugal e na Europa em geral) ou Dia dos Pais (no Brasil) é uma data comemorativa que homenageia anualmente os pais. A data varia de acordo com os países. Em Portugal e na Espanha é celebrada no dia 19 de março, enquanto no Brasil é celebrado no segundo domingo de agosto. Nos Estados Unidos e na Inglaterra é celebrado no terceiro domingo de junho.

domingo, 17 de agosto de 2025

"O dia de descanso" - Poema de Ana Luísa Amaral



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), 'The Swing', n.d.



O dia de descanso



Levei minha filha ao parque
e era domingo.

Pelo domingo, o parque
fica como o jardim do paraíso,
abertos os portões e nenhum deus.
Tudo inocência
entre verdura e saibro e cavalinhos
cabalisticamente numerados
até sete.

Levei minha filha ao parque
e era domingo
e não havia o anjo com a espada de fogo.

Não que na minha filha
cuidasse o guardião:
rasteiros os arbustos sem sítio de maçã
e esta filha tinha só três anos.
o anjo era meu só,
velha dez vezes mais e proibida
por regras de baloiço.

Mesmo dez vezes mais, voei, e tudo ausente.
entre palmas e risos,
o anjo, o fogo, a espada, tudo ausente,
e o céu: só céu azul e limpo.

Levou-me a minha filha ao parque
e era domingo,
o dia de descanso do anjo distraído
de expulsar e distraídos
os portões abertos.


Ana Luísa Amaral
, in 'Imagias',
Editora: Gótica, 2002

quinta-feira, 27 de junho de 2024

"Fica comigo" - Poema de Eduarda Chiote


Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), 'A Gentle Reminder', c. 1899.


Fica comigo


Mãe,
arqueia os joelhos
para que o crepúsculo do medo
possa ceder ao berço
onde repouse.
E não me toques. Não me toques,
não me beijes.
Deixa-me permanecer aninhado no vazio
qual bicho de
sono.
Não me despertes.
Mãe, sou um menino de leite.
Apaga o seio.
Fica comigo: a noite
começa.


Eduarda Chiote
, in 'Antologia Poética'
 

domingo, 18 de dezembro de 2016

"Os Coelhinhos" - Poema de Odylo Costa Filho


Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), "Feeding the Rabbits"
also known as "Alice in Wonderland", c. 1904.


Os Coelhinhos


Iam dois coelhinhos
andando apressados
para o Céu — com medo
de serem caçados.

E também com medo
de passarem fome.
Pois — quando não dorme —
o coelhinho come.

E ainda tinha os filhos
que a coelha esperava...
O Céu era longe
e a fome era brava.

Jesus riu, com pena:
fez brotar na Lua
— para eles — florestas
de cenoura crua. 


Odilo Costa Filho
, in 'Os bichos do céu'
Rio de Janeiro: Edições Brasil, 1972.
 

domingo, 30 de março de 2014

"Alegria e Tranquilidade" - Texto de Séneca, in 'Cartas a Lucílio'



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), 'After School', c. 1893


Alegria e Tranquilidade


"A alegria pode sofrer interrupções no caso de pessoas ainda insuficientemente avançadas, enquanto, no caso do sábio, o bem estar é um tecido contínuo que nenhuma ocorrência, nenhum acidente pode romper; em todo o tempo, em todo o lugar o sábio goza de tranquilidade! Porquê? Porque o sábio não depende de fatores externos, não está à espera dos favores da fortuna ou dos outros homens. A sua felicidade está dentro dele; fazê-la vir de fora seria expulsá-la da alma, que é onde, de facto, a felicidade nasce! Pode uma vez por outra surgir qualquer ocorrência que lembre ao sábio a sua condição de mortal, mas ocorrências deste tipo são de somenos importância e não o atingem mais do que à flor da pele. O sábio, insisto, pode ser tocado ao de leve por um ou outro contratempo, mas para ele o sumo bem permanece inalterável. Volto a dizer que lhe podem ocorrer contratempos provindos do exterior, tal como um homem de físico robusto não está livre de um furúnculo ou de uma ferida superficial; em profundidade, porém, não há mal que o atinja. A diferença existente, insisto ainda outra vez, entre o homem que atingiu a plenitude da sabedoria e aquele que ainda lá não chegou é a mesma que se verifica entre um homem são e um convalescente de doença grave e prolongada. Para este a diminuição da intensidade da doença já quase significa saúde mas, se não se precaver, o mal rapidamente se agrava e volta à primitiva forma; o sábio, em contrapartida, nem pode retroceder, nem sequer avançar mais na via da sapiência. A saúde do corpo está à mercê do tempo e o médico, se a pode restituir, não a pode garantir perpetuamente, e tanto assim é que com frequência o mesmo doente o volta de novo a chamar; a saúde da alma, essa - obtém-se de uma vez por todas - e totalmente! Dir-te-ei agora o que significa uma alma sã: é cada um contentar-se consigo mesmo, ter confiança em si próprio, saber que todos os votos feitos pelos homens, todos os benefícios que trocam entre si não têm a mínima importância para a obtenção da felicidade. Uma coisa passível de acréscimo não é uma coisa perfeita; o homem que quer vir a possuir uma permanente alegria, tem de fruir apenas do que efetivamente lhe pertence. Ora todos os bens a que o comum dos mortais aspira são, de uma forma ou outra, transitórios, pois de coisa alguma a fortuna nos permite a posse para sempre. "

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

[Lúcio Aneu Séneca, Corduba, 4 a.C. — Roma, 65) foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.]



Frederick Morgan, 'Skipping', 1896


"Quando vejo uma criança, ela inspira-me dois sentimentos: 
ternura, pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser."

Louis Pasteur
 


Frederick Morgan, 'See Saw', 1898


"Cada um de nós, enquanto cidadão, tem um papel a desempenhar na criação
 de um mundo melhor para as nossas crianças."

Nelson Mandela, em Discurso, 2002


 

"Do mesmo modo que no início da primavera todas as folhas têm a mesma cor e quase a mesma forma, nós também, na nossa tenra infância, somos todos semelhantes e, portanto, perfeitamente harmonizados."

Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos sobre a Sabedoria da Vida' 
 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

"Mães de Portugal" - Poema de Alberto d'Oliveira



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), 'Bob Apple', n.d.


Mães de Portugal


Ó Mães de Portugal comovedoras,
Com Meninos Jesus de encontro ao peito,
Iguais na devoção e amor perfeito
Aos painéis onde estão Nossas Senhoras!

Ó Virgem Mãe, qual se tu própria foras,
Surgem de cada lado, quase a eito,
As Mães e os Filhos em abraço estreito,
Dolorosas, felizes, povoadoras...

São presépios as casas onde moram:
E o riso casto, as lágrimas que choram,
O anseio que lhes enche o coração,

Gesto, candura, olhar — tudo é divino,
Tudo ensinado pelo Deus Menino,
Tudo é da Mãe Celeste inspiração!


Alberto d'Oliveira
,
in "Poemas de Itália e Outros Poemas" 
 

Alberto Oliveira
Alberto d'Oliveira


Alberto d'Oliveira, escritor português, nasceu a 16 de novembro de 1873, no Porto, e faleceu a 23 de abril de 1940, na mesma cidade. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde fundou, com António Nobre, a revista Boémia Nova cuja polémica com a publicação fundada por Eugénio de Castro, Os Insubmissos, funcionou como pedra de toque para a afirmação dos movimentos simbolista e decadentista em Portugal. Colaborador da Revista de Portugal, fundada por Eça de Queirós, o nome de Alberto de Oliveira está umbilicalmente ligado, porém, ao movimento neogarrettista, cujo programa enunciou na coletânea de ensaios Palavras Loucas, onde preconiza, nomeadamente em "Do Neogarrettismo no Teatro", sob a figura tutelar de Garrett, exaltado pelo seu papel na defesa do nacionalismo, na recuperação da literatura popular enquanto fonte genuína da cultura portuguesa, no renascimento do drama e da poesia nacional, o abandono de modelos culturais estrangeiros, a defesa do que é nacional, a recolha da literatura oral de tradição popular, a recuperação do drama e romance histórico, o retorno ao rusticismo e à vernaculidade, vetores que viriam a plasmar-se de forma exemplar na própria produção poética de Alberto de Oliveira. Tendo, no início dos anos 20, dirigido o semanário monárquico e integralista Ação Nacional (1921), dedicou-se, nos últimos anos de vida, à redação de páginas de memórias sobre o período em que foi cônsul no Brasil e sobre figuras literárias com quem privou como Eça de Queirós ou António Nobre.

Alberto de Oliveira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-05-03]


Edwin Thomas Roberts (British painter, 18401917) 
 
 
Ser mãe
 
Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!
do soneto "Ser Mãe" 

[Henrique Maximiano Coelho Neto (18641934) foi um escritor, cronista, folclorista, romancista, crítico, teatrólogo, político e professor brasileiro.]



Theodor Dengler
(German painter and drawer, 1867–1902),
'A Portrait of a Mother and Daughter', c. 1891


"Pode secar-se, num coração de mulher, a seiva de todos os amores;
nunca se extinguirá a do amor materno."

(Júlio Dantas)

Júlio Dantas (Lagos, 1876 — Lisboa, 1962) foi um escritor, médico, político e diplomata, que se distinguiu como um dos mais conhecidos intelectuais portugueses das primeiras décadas do século XX.
Na sua atividade intelectual foi um polígrafo, cultivando os mais variados géneros literários, da poesia ao romance e ao jornalismo, mas foi como dramaturgo que ficou mais conhecido, em particular pela sua peça A Ceia dos Cardeais (1902), uma das mais populares produções teatrais portuguesas de sempre.
Na política foi deputado, Ministro da Instrução Pública e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1921-1922 e 1923), terminando a sua carreira pública como embaixador de Portugal no Brasil (1941-1949).
Considerado retrógrado por alguns intelectuais coevos, como foi o caso de Almada Negreiros, que foi ao ponto de escrever o Manifesto Anti-Dantas e de publicamente o desconsiderar, conseguiu granjear durante a vida grande prestígio social e literário, prestígio que decaiu após a sua morte.
Foi eleito sócio da Academia de Ciências de Lisboa (1908), instituição a que presidiu a partir de 1922.



Frederick Warren Freer
(American painter, 1849–1908),
'Nursery Rhymes', 1896.



"Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida."

Sófocles

[Dramaturgo grego, 497 a.C. (ou 496 a.C.) – 406 a.C. (ou 405 a.C.)]



Mary Cassatt
(American painter, 1844–1926),
'Auguste Reading to Her Daughter', 1910.


"Se você sacode uma árvore, fique por perto para colher as frutas." 
 
Citada em "Positive Anonymous 12 Step Program‎"
Pág. 26, de Vasu K. Brown. 


 
Mary Cassatt (American painter, 18441926), 'The Garden Reading'.


"A mãe trouxe para a terra o invento de amar."
[Romancista e poeta francês, 1856–1941]
 


Jeffrey T Larson
 (American artist, b. 1962), 'Beach Treasures', 1999.

domingo, 20 de janeiro de 2013

"Adoração" - Poema de Guerra Junqueiro



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), 'Marguerites', 1889


Adoração 


Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão
Em mim não é amor; filha, é adoração!
Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.
Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,
E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa
Em meus lábios, oh! quando essa infinita graça
do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante
Eu sinto – virgem linda, inefável, radiante,
Envolta num clarão balsâmico da lua,
A minh'alma ajoelha, trémula, aos pés da tua!
Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:
Além de bela és santa; além de estrela és rosa.
Bendito seja o deus, bendita a Providência
Que deu o lírio ao monte e à tua alma a inocência,
O deus que te criou, anjo, para eu te amar,
E fez do mesmo azul o céu e o teu olhar!...


Guerra Junqueiro
, in 'Poesias Dispersas'



Frederick Morgan, 'The garland', n.d.
 

"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal." 

Friedrich Nietzsche
[Filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão, 1844–1900]
 


Frederick Morgan, 'Picking Wild Flowers', n.d.
 
***


Frederick Morgan

Frederick Morgan (18471927), was an English painter of portraits, animals, domestic and country scenes. He became famous for his idyllic genre scenes of childhood.
Morgan was born in London. He was commonly known as Fred Morgan and was the son of John Morgan, a successful genre artist sometimes known as 'Jury Morgan' (after one of his paintings "The Gentlemen of the Jury").
At the age of fourteen he was taken out of school by his father who then tutored him in art. At the age of 16, while still studying with his father, his first picture, "The Rehearsal", was exhibited at the Royal Academy, and, after a hiatus of several years, his paintings were shown there regularly. For a while he worked as a portrait artist for an Aylesbury photographer, - this training proved to be crucial as it "taught him how to observe closely and to give the greatest attention to detail."
Eventually he turned to other subjects for his art, in particular idyllic genre scenes of country life and childhood. For many years, starting in 1874, Thomas Agnew & Sons purchased all the work he produced. Over this period he painted some of his most popular works such as "The Doll’s Tea Party" (1874), "Emigrants' Departure" (1875) and "School Belles" (1877). Most of his painting was done in the village of Shere close to Guildford, a well-known retreat for artists. He also painted in Normandy, including "Midday Rest" (1879) and "An Apple Gathering" (1880).
Although an excellent portrait artist, Morgan had problems in depicting pets and barnyard animals - he enlisted the aid of either Arthur John Elsley or Allen Sealey (1850–1927) when such problems needed resolving.
He is known mostly for his romantic and sentimental paintings of children in the same style as his contemporary Arthur John Elsley. His paintings achieved great popularity in his lifetime and were widely published. He exhibited with the Royal Academy and was a member of the Royal Institute of Oil Painters (ROI).
In 1872 he married another painter, Alice Mary Havers (1850–1890); they had three children. Their eldest son, known as Val Havers, also developed into a painter. Frederick Morgan married twice more, producing two children from the second marriage. Morgan's paintings are exhibited at many art galleries and museums including the Walker Art Gallery in Liverpool and the Russell-Cotes Museum in Bournemouth. "His Turn Next", was used to advertise Pears' Soap and is in the Lady Lever Art.



Frederick Morgan, 'First Steps', n.d.


"O amor é a arte de encontrar no rosto do outro o espelho dos nossos sonhos."

Inês Pedrosa, in Expresso

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Mãe" - Poema de Cora Coralina



Frederick Morgan (English painter, 18471927), The First Tooth, Unknown date
 
 
Mãe 


Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe.
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.


Cora Coralina (18891995)


Galeria de Frederick Morgan 
  Frederick Morgan, Not of the Fold, Unknown date
 


  Frederick Morgan, The Little Hostess (Charity), Unknown date
 

  Frederick Morgan, Tug-of-War, Unknown date
 

  Frederick Morgan, Feeding the Rabbits, also known as Alice in Wonderland, Unknown date
 

  Frederick Morgan, Never Mind (The Consolation), 1884


Frederick Morgan, The butterfly, Unknown date

quinta-feira, 26 de julho de 2012

"Pedagogia" - Poema de Miguel Torga



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), "Grandfather's Birthday", c. 1909.
 

Pedagogia 


Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende...
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!

Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás de ser!


Miguel Torga, Antologia Poética (6.ª ed.)
Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2001.
 

 Georgios Jakobides (Greek painter and medallist, 1853–1932), 
 "The Favorite" - Grandfather and Grandson, 1890.


"Ser avô ou avó é colher no coração as sementes emocionais plantadas nos corações dos filhos."

Emídio Brasileiro
[Escritor, advogado, professor e pesquisador brasileiro, n. 1962]
 

Georgios Jakobides, "Grandma's Favorite", 1893.


- Dia dos Avós -
26 de julho

Em Portugal a data escolhida para a celebração do Dia dos Avós é o dia 26 de Julho, por este ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. A celebração do dia dedicado aos avós é feita através de eventos que  lhes prestam homenagem. Os netos  presenteiam simbolicamente os seus avós, de forma a agradecer o apoio e dedicação destes à família e mostrar o quanto são importantes para os seus familiares.