Mostrar mensagens com a etiqueta Sócrates. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sócrates. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de abril de 2022

"Poema Relativo" - Jorge de Lima

 
Albert Eckhout (c.1610–c.1666), Natureza-morta com Bananas, goiaba e outras frutas,
Museu Nacional da Dinamarca



Poema Relativo



Vem, ó
bem-amada
Junto à minha casa
Tem um regato (até quieto o regato).

Não tem pássaros que pena!

Mas os coqueiros fazem,
Quando o vento passa,
Um barulho que às vezes parece
Bate-bate de asas.

Supõe, ó bem-amada,
Se o vento não sopra,
Podem vir borboletas
À procura das minhas jarras
Onde há flores debruçadas,
Tão debruçadas que parecem escutar.

Todos os homens têm seus crentes,
Ó bem-amada:
os que pregam o amor ao próximo
e os que pregam a morte dele.

Mas tudo é pequeno
E ligeiro no mundo, ó amada.
Só o clamor dos desgraçados
É cada vez mais imenso!

Vem, ó bem-amada.
Junto à minha casa
Tem um regato até manso.
E os teus passos podem ir devagar
Pelos caminhos:
aqui não há a inquietação
de se atravessar o asfalto.

Vem, ó bem-amada,
Porque como te disse
Se não há pássaros no meu parque,
Pode ser, se o vento
Não soprar forte
Que venham borboletas.
Tudo é relativo
E incerto no mundo.
Também tuas sobrancelhas
Parecem asas abertas.


Jorge de Lima
,
Em Bazar, ano 1, n. 4, nov. 1931. 


Albert Eckhout, Natureza-morta com melancia, abacaxi e outras frutas brasileiras.
 
 
"Quando me tornei vegetariano, poupei dois seres, o outro e eu."

Prof° Hermógenes (Natal, 1921 –  Rio de Janeiro, 2015),
Militar, escritor, professor, divulgador do hatha ioga



Albert Eckhout, Natureza-morta com Abacaxi, Mamão e Outras Frutas.

"Ser vegetariano é viver uma vida de paz, saúde e longevidade."

Sócrates (c. 470 a.C. – 399 a.C.), Filósofo da Grécia Antiga

 

 
Busto de Sócrates, cópia romana.


Sócrates, figura emblemática da filosofia, nasceu em Atenas cerca de 470 a. C. e foi considerado, segundo alguns historiadores na esteira de Cícero - que afirmou ter sido Sócrates quem «fez descer a filosofia do céu para a terra e a fez penetrar nos lares e nas praças públicas de Atenas» -, como o responsável pela transição para um novo período da filosofia grega, que se caracteriza pelo abandono das preocupações cosmológicas em favor de uma temática predominantemente antropológica.
Embora esta interpretação seja muito polémica - os temas do discurso socrático não divergem substancialmente das preocupações dos sofistas, que já haviam colocado o homem no centro da reflexão filosófica -, é pacífico reconhecer que se notabilizou pela inflexão que impôs no sentido da problematização ética.
Movido por um ideal essencialmente prático - acreditava que só a troca de ideias através do diálogo direto era relevante -, Sócrates não deixou obra escrita, tendo o seu pensamento sobrevivido graças a Platão, de quem foi mestre. Enquanto personagem central de grande parte das obras platónicas, foi louvado como um pensador que, longe de procurar impor ou defender qualquer sistema - é dele a imortal máxima « sei que nada sei» -, se orientou sobretudo para uma missão pedagógica com o objetivo de levar os concidadãos a «conhecerem-se a si mesmos», libertando-os dos preconceitos que lhes impediam o acesso à virtude, à felicidade e ao verdadeiro saber.
Este tipo de proposta colocou-o em tenaz oposição aos sofistas, cujos desígnios interesseiros e funcionalistas censurava, por colocarem indiscriminadamente o conhecimento ao serviço dos poderosos que lhes podiam pagar aulas de retórica e erística com o único objetivo de melhor defenderem os seus interesses particulares.
O método que desenvolveu visava convencer os interlocutores a rejeitar o saber aparente - «opinião», ou doxa -, desprovido de qualquer fundamento objetivo, com origem no «senso comum». Inquirindo acerca do significado e definição de conceitos como «o bem», «a virtude» ou «a felicidade» - motivo pelo qual Aristóteles o considerou como fundador da filosofia do conceito -, fazia sobressair a incoerência e a inconsistência das crenças que dirigiam as ações daqueles que não refletiam sobre a essência dos valores.
Este método ficou conhecido como «aporético» por se concluir de forma «negativa»: uma vez atingida pelo opositor a autoconsciência da sua profunda ignorância, Sócrates não propunha qualquer solução para os problemas identificados. Dotado de uma fé inquebrantável na realização da razão, acreditava que esse procedimento era suficiente para indicar o caminho do saber genuíno - a episteme.
Assim, classificava a sua filosofia como uma maiêutica (literalmente: «arte de parturejar»), ou seja, como uma forma de «trazer à luz» as almas transviadas por um conhecimento vulgar e irrefletido, cabendo posteriormente a cada um a tarefa de se elevar por si mesmo até à verdade.
No entanto, é preciso referir que a «missão socrática» não tinha por escopo a mera promoção intelectual dos que o ouviam; longe disso, ao admitir como autêntica virtude humana o conhecimento, combatendo a ignorância estava também pugnando pelo aperfeiçoamento moral dos indivíduos - o mal e as condutas injustas são apenas fruto da ignorância e a ética é correlativa à sabedoria.
A acutilância de Sócrates na crítica à sociedade ateniense da altura, dilacerada pela guerra, por uma série de conflitos internos e por uma decadência moral devida em grande parte ao relativismo propagandeado pelos sofistas, levou a que se tornasse uma personagem demasiado incómoda para ser tolerada. Em 399 a. C. foi acusado de corromper os jovens e de impiedade por não acreditar nos deuses da cidade. Enfrentando o processo que lhe moveram com a maior serenidade, recusou o exílio infamante e acabou por ser condenado à morte pela ingestão de cicuta. (Daqui)


Albert Eckhout, Natureza-morta com Abóboras e Melões.

"Os vegetais constituem alimentação suficiente para o estômago e, no entanto, o recheamos com vidas valiosas." 

Séneca (ca. 4 a.C. 65 d. C.), Filósofo estoico e um dos mais célebres advogados,
 escritores e intelectuais do Império Romano
 
 
 
Busto de Séneca, atribuído ao escultor Giuliano Finelli
(1641-1644), Museu do Prado.
 
 
Lucius Annaeus Seneca, o Jovem, filósofo, orador e trágico romano, nasceu em Córdova no ano 4 a. C. e morreu em Roma em 65 d. C.
Era o segundo filho de uma família rica. O pai, Lucius Annaeus Séneca, o Velho, tornou-se famoso em Roma como professor de Retórica.
Séneca foi levado para Roma por uma tia e treinado como orador e educado em filosofia.
A sua saúde tornou-se débil e foi para o Egito, em repouso, para casa da tia, mulher do prefeito, Gaius Galerius.
Regressado a Roma, por volta de 31 d. C., começou a sua carreira como político e advogado.
Em 41 o imperador Cláudio desterrou-o para a Córsega por acusação de adultério com a princesa Lucia Livilla, sobrinha do imperador. Aí estudou ciências naturais e filosofia e escreveu os três tratados intitulados Consolationes. Por influência de Agripina, mulher do imperador, retornou a Roma em 49, foi nomeado pretor em 50, casou com Pompeia Paulina, mulher rica, rodeou-se de um poderoso grupo de amigos e tornou-se tutor do futuro imperador Nero.
A morte de Cláudio, em 54, trouxe Séneca para a ribalta.
O primeiro discurso de Nero, escrito por Séneca, prometia liberdade para o Senado e o fim da influência das mulheres.
Agripina, mãe de Nero, entendia que a sua influência devia continuar, e havia mais inimigos.
Em 59 teve de participar no assassinato de Agripina.
Depois da morte de Burrus, em 62, Séneca sentiu que não poderia continuar. Teve autorização para se retirar e nos últimos anos da sua vida escreveu algumas das suas melhores obras filosóficas.
Em 65, os seus inimigos acusaram-no de ter tomado parte na conspiração de Piso.
Foi-lhe ordenado que se suicidasse.
Fê-lo com toda a dignidade e coragem.
Principais obras filosóficas: Apolocyntosis divi Claudii, Naturales questiones, Consolationes, De ira, De Clementia, De Tranquillitate animi, De vita beata, De constantia sapientis, De otio, De beneficiis, De brevitate vitae. (Daqui)
 
 
Albert Eckhout, Natureza-morta com cocos.


"Que horror é meter entranhas em entranhas, engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos!" 
 
Pitágoras (c. 570 a.C c. 495 a.C.), Matemático e filósofo grego. 
 
 


Pitágoras, natural de Samos, na Ásia Menor, onde terá nascido nos finais do século VI a. C., emigrou para Crotona, colónia grega no Sul da Itália, e aí fundou uma escola místico-filosófica com preocupações sociopolíticas, cuja influência acabou por dominar a cidade. Atendendo ao carácter hermético da sua doutrina - no interior da escola vigorava uma regra de sigilo que considerava como crime a divulgação dos ensinamentos aos não iniciados, pelo que não existiam quaisquer escritos -, assim como à aura de profeta prodigioso que acabou por o envolver, são pouco fidedignos os relatos que dele nos chegaram, além de se tornar muito difícil distinguir o que é genuinamente de Pitágoras do que foi introduzido pelos seus discípulos.
Contrariamente aos pensadores milésios, não se dedicou a especulações sobre o arkê - princípio material das coisas -, procurando sobretudo aceder ao conhecimento das estruturas formais que regem o mundo, que se podem sumariar em três grandes vertentes: harmonia matemática, doutrina dos números e dualismo cosmológico essencial.
Com base na redução da harmonia da escala musical a razões matemáticas, inferiu que todo o Universo seria harmonia e número, criando a teoria da harmonia das esferas (o Cosmos é regido por relações matemáticas). Considerava que as coisas eram números, que os corpos eram constituídos por pontos e que os números que representavam as quantidades desses pontos lhes definiam as propriedades. Acreditou ainda que o próprio número, agente de todas as modificações, estaria na origem do dualismo Limite/Ilimitado, que representava o início do processo cosmogónico (implantação do princípio masculino do Limite no seio do Ilimitado circundante, feminino, análoga à fecundação ou deposição de uma semente no solo).
Do interesse pela matemática resultaram alguns avanços científicos, sobretudo nas áreas da geometria e da aritmética (dos quais o Teorema de Pitágoras será o mais famoso).
No que diz respeito a crenças, acreditou na imortalidade e transmigração das almas, tal como no parentesco de todos os seres vivos, além de se ter dedicado à enunciação de uma série de regras éticas e religiosas que deveriam presidir à ação dos seus discípulos.
Segundo alguns testemunhos, teria sido o primeiro a usar as palavras «cosmos» e «filosofia» na aceção atual.
Apesar de a intervenção política de Pitágoras em Crotona ter sido de curta duração - os habitantes cedo se rebelaram contra o governo que instaurara -, a escola que fundou acabou por florescer e já na altura da sua morte, que deverá ter ocorrido próximo do ano de 480 a. C., se encontravam comunidades pitagóricas espalhadas por toda a Grécia, difundindo e aprofundando o pensamento do mestre, tendo contribuído dessa forma para que durante vários séculos ele fosse fonte de inspiração para muitos dos grandes nomes da filosofia. (Daqui)

 
Albert Eckhout, Natureza-morta com mandioca.

 
"Por mim discerni uma certa sublimidade na disciplina de Pitágoras, e como uma certa sabedoria secreta capacitou-o a saber, não apenas quem ele era a si mesmo, mas também o que ele tinha sido; e eu vi que ele se aproximou dos altares em estado de pureza, e não permitia que a sua barriga fosse profanada pelo partilhar da carne de animais; e que ele manteve o seu corpo puro de todas as peças de roupa tecidas de refugo de animais mortos; e que ele foi o primeiro da humanidade a conter a sua própria língua, inventando uma disciplina de silêncio descrito na frase proverbial, 'Um boi senta-se sobre ela.' Eu também vi que o seu sistema filosófico era em outros aspetos oracular e verdadeiro. Então corri a abraçar os seus sábios ensinamentos..."
 
 Apolónio de Tiana (15 d.C. – c. 100 d.C.), Filósofo neopitagórico e professor de origem grega. 
 
 
Estátua de Apolónio de Tiana de autoria de Barthélémy de Mélo 
 no Parque dos Filósofos, Versalhes.
 


Apolónio de Tiana, filósofo neopitagórico, nasceu no início do século I, no reinado de Augusto, em Tiana, cidade da Capadócia. Aos catorze anos foi para Tarso estudar gramática e retórica. O encontro com o filósofo Euxene revelou-lhe o pitagorismo. Absolutamente convicto da verdade desta doutrina, deixa o seu mestre, cuja conduta lhe parecia desadequada da teoria. Começa então um processo ascético muito austero, durante o qual empreendeu múltiplas viagens em busca das fontes do pitagorismo: Babilónia, Cáucaso, Índia, Etiópia, Egito, Grécia e Itália.
Este contemporâneo de Cristo foi venerado como um deus descido à Terra, um contraponto pagão ao cristianismo. Os habitantes da sua cidade natal chegaram mesmo a erguer-lhe um templo.
Não chegou aos nossos dias qualquer obra de Apolónio; o que sabemos dele é-nos dado quase na totalidade pelo seu biógrafo Filóstrato.
Apolónio pretendia encontrar a tradição universal original, transmitida de mestre a discípulo desde o início dos tempos, procurando reformar o culto dos seus contemporâneos, que lhe parecia demasiado rudimentar. Opõe-se por exemplo aos sacrifícios; a divindade suprema, diz Apolónio, não necessita de nada. Num espírito verdadeiramente universal, de influência pitagórica, considera a Terra inteira como uma só pátria, na qual os homens devem partilhar os bens oferecidos pela natureza. (Daqui)
 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

"Justitia Mater" - Poema de Antero de Quental


Abraham Solomon (English, 1824-1862), Waiting for the Verdict, oil painting on canvas, 1859


Justitia Mater



Nas florestas solenes há o culto
Da eterna, íntima força primitiva:
Na serra, o grito audaz da alma cativa,
Do coração, em seu combate inulto:

No espaço constelado passa o vulto
Do inominado Alguém, que os sóis aviva:
No mar ouve-se a voz grave e aflitiva
D'um deus que luta, poderoso e inculto.

Mas nas negras cidades, onde solta
Se ergue, de sangue medida, a revolta,
Como incêndio que um vento bravo atiça,

Há mais alta missão, mais alta glória:
O combater, à grande luz da história,
Os combates eternos da Justiça!

1870

Antero de Quental,
in "Sonetos"


Abraham Solomon, Not Guilty, 1854


"Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente."

Sócrates

Filósofo, Grécia Antiga
 (-469 // -399)


terça-feira, 1 de maio de 2012

"A Mulher Madura" - Texto de Affonso Romano de Sant'Anna


Duma, 'Going to London'


A Mulher Madura 


O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a subtileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, descodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o voo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta joias. As joias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso, é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar. 

Affonso Romano de Sant'Anna, "A Mulher Madura",
Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 09.


Duma

Duma nasceu em Lisboa, em 1973. Vive e trabalha em Oeiras. Licenciada em Publicidade pelo IADE (Instituto de Artes Visuais, Design & Marketing). Frequentou os cursos de Desenho e de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Expõe desde 1994. Encontra-se representada pelas seguintes Galerias: Nuno Sacramento - Arte Contemporânea (Aveiro) Galeria Quattro (Leiria) Galeria S. Mamede (Lisboa) e Private Gallery (Lisboa). 
Fonte: www.dumaarte.com 

Duma - Studio

"A figura feminina no meu trabalho é algo natural em mim, é como um bocado de mim mesma que se representa em cada tela. Gosto de mostrar ao espectador apenas uma pequena parte de todo o cenário, gosto de deixar espaço para a imaginação do espectador. Em cada enquadramento existe um universo ilimitado de acções, pensamentos e emoções, cada personagem mostra-nos apenas uma pequena parte da sua personalidade, é como um frame congelado de um filme ou um rápido momento captado por uma câmara fotográfica. Sempre me senti muito atraída por representar a figura feminina, particularmente o retrato. No entanto, o tipo de retrato que quero mostrar não é o de alguém em particular, não quero dar uma identidade específica, quero somente representar uma ideia de feminilidade. Retirando o olhar, a personagem fica envolvida em mistério, forçando o espectador a criar uma história à volta dela. Isso é complementado com o enquadramento que faço e com um fundo liso e simples, também sem referências ou identidade. Ao "forçar" a imaginação, cada personagem providencia uma experiência única e individual para cada espectador.A nível técnico apresento as minhas personagens de uma forma muito gráfica, limpa e quase minimal. As gradações de sombra são bem definidas e demarcadas como ilustrações vectorizadas em computador, cujo resultado final faz lembrar uma impressão. Sou muito influenciada pelo design gráfico, ilustração, fotografia, moda e pelo simples facto de ser mulher".
(Duma)


Duma

"...e mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos 
e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras..."

(Hermann Hesse, in 'O Lobo da Estepe')

Duma 

"Deixa o caráter ser formado pela poesia, fixado pelas leis do bom comportamento, 
e aperfeiçoado pela música."

(Confúcio)

Duma, 'Dream collector'

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus."

(Sócrates)

Duma, 'Ginger'

"A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade."

(Joseph Joubert)

Duma, 'L'Artiste Parisienne'

"Ensinar é aprender duas vezes."

(Joseph Joubert)

Duma, 'Mushi, mushi?'

"Por mais humilde que seja, um bom trabalho inspira uma sensação de vitória."

(Jack Kemp)

Jack Kemp Jr. (Los Angeles, 13 de Julho de 1935 - 2 de maio de 2009) é um político dos Estados Unidos da América e antigo jogador profissional de futebol americano. Foi congressista por Nova Iorque (1971-1989) e candidato do Partido Republicano à vice-presidência em 1996. 
Graduou-se no Occidental College, onde começou a despontar como desportista e pertenceu à fraternidade Alpha Tau Omega. 
O seu carisma e condições para a liderança levaram-no a envolver-se em diferentes actividades comunitárias na área de Buffalo, Nova Iorque, assim como no seu estado natal da Califórnia. Em 1967 foi nomeado assessor especial do Governador da Califórnia, Ronald Reagan, cuja campanha havia apoiado publicamente, e foi galardoado com vários prémios cívicos por serviço à comunidade em Nova Iorque. 
Em 1970 retirou-se definitivamente do futebol americano profissional e, aproveitando a popularidade em Buffalo, decidiu apresentar-se pelo Partido Republicano à Câmara de Representantes representando o 39°Círculo de Nova Iorque. Depois seria reeleito congressista 9 vezes consecutivas, permanecendo na Câmara durante 18 anos. Interrogado quando decidiu dar o salto do seu duro desporto para a política, disse: "Claro que tenho experiência. Fui pisado, golpeado, insultado, vendido e vilipendiado". 
Em 6 de Abril de 1987, Jack Kemp anunciou a candidatura à presidência do seu país, mas sem êxito. Mais tarde, em 1996, o candidato presidencial republicano Bob Dole estava atrás de Bill Clinton em todas as sondagens e decidiu convidar Kemp para ser o ser running mate, tendo saído derrotados. 
Anunciou depois que não seria candidato em 2000, cumprindo a promessa. É um dos quadros superiores da Oracle Corporation.

Duma, 'Lótus'

"Há sabedoria em não crer saber aquilo que tu não sabes."

(Sócrates)

Duma, 'Happy to be me'

"O único lugar no mundo onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário."

(Vidal Sassoon)

Vidal Sassoon

Cabeleireiro inglês, Vidal Sassoon nasceu a 17 de janeiro de 1928, em Londres. Teve uma infância difícil pois entre os cinco e os onze anos viveu em orfanatos, depois do pai ter abandonado a família. Só voltou a morar com a mãe quando esta se casou outra vez. Era uma família de poucas posses, o que não permitiu a Vidal Sassoon seguir carreira como estudante. Assim, ainda jovem, aos 17 anos, foi trabalhar como aprendiz num salão de beleza e barbearia londrino, propriedade de Adolph Cohen, conhecido por "O Professor".
Consciente que não poderia ambicionar a grandes estudos, dedicou-se com muito afinco ao trabalho. Em 1957, fez pela primeira vez um penteado para uma pessoa famosa, a estilista Mary Quant, na altura em que esta lançou a minissaia. Logo no ano seguinte, abriu o seu primeiro salão de cabeleireiro e começou a ganhar mais fama. Vidal Sassoon optou por fazer novos cortes de cabelo geométricos, pondo de parte os mais tradicionais. A partir daqui, começou a ter bastantes clientes, algumas das quais eram atrizes, cantoras ou manequins.
Em 1959, criou o corte a que foi dada a designação de "forma", pois adaptava-se à estrutura óssea da pessoa, a quem dava liberdade de movimentos. Pôs assim de parte os cortes e penteados volumosos da época e, a partir daí, apresentou uma série de inovações que privilegiavam a comodidade da mulher e seguiam as tendências da moda.
O cabeleireiro inglês acabou por se tornar o preferido das estrelas e criou vários estilos novos, como aconteceu com as atrizes Farrah Fawcet e Mia Farrow. A manequim Twiggy foi outra das suas clientes, para quem preparou um corte radical, que consistia em cabelo curto e pintado de vermelho.
Na década de 70, deixou de cortar cabelo para lançar uma série de produtos de cabeleireiro, que viriam a ser comercializados com muito sucesso em todo o mundo.
Acabou por mudar-se para os Estados Unidos da América, de onde controla a sua cadeia de salões de cabeleireiro, de produtos capilares e de escolas de estilismo.
Vidal Sasson é judeu e investe parte da sua fortuna no Centro de Estudos de Antisemitismo e Xenofobia de uma universidade de Jerusalém em Israel. A Sassoon International Center for the Study of Antisemitism (SICSA) foi fundada em 1982. Em 1946, lutou nas ruas de Londres contra os grupos de militantes fascistas e, em 1948, combateu na guerra da independência de Israel.

Vidal Sassoon. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-04-30].


Charles Aznavour - She

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"Quando eu não te tinha" - Poema de Alberto Caeiro


Paul César Helleu Sketching with His Wife, Alice Guérin (1889),
 by John Singer Sargent, The Brooklyn Museum, New York


-I-

Quando eu não te tinha


Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima…
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor—
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.


Alberto Caeiro, in Pastor Amoroso
(Heterónimo de Fernando Pessoa)


Paul César Helleu, Portrait d’Alice Guérin, 
Helleu's future wife


“O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu carácter.”

(Sócrates - um dos mais importantes filósofos da antiguidade)
 

Ateniense, Sócrates nasceu por volta do ano 470 a.C. Filho de pais humildes, dedicou-se ao estudo da filosofia e à meditação, mesmo sem qualquer recompensa financeira. Mas é difícil falar sobre Sócrates, já que tudo em torno de sua vida é envolvida por mistérios. Não escreveu nada sobre suas ideias e ideais, tudo que se sabe sobre seu pensamento foi transmitido pelos seus discípulos Platão e Xenofonte
Platão foi o responsável por disseminar a imagem de Sócrates como sendo um homem que andava pelas ruas e praças de Atenas, perguntando a cada um sobre ideias e valores que os gregos acreditavam e julgavam conhecer. 
Sócrates é conhecido por ter se rebelado contra os sofistas, dizendo que esses não eram filósofos. Acusou-os de corromper o espírito dos jovens, ao fazer o erro e a mentira valerem tanto quanto a verdade. Os sofistas vendiam suas habilidades de oratória para os cidadãos. Defendiam a opinião de quem pagasse melhor, introduzindo a ideia de que a verdade nasce do consenso entre os homens. 
O filósofo também teceu severas críticas à forma como a democracia ateniense implantada, bem como a aspectos da cultura grega, crenças religiosas e costumes. 
Apesar de ter ocupado cargos políticos, chegando, inclusive, a ser convidado para o Senado dos quinhentos, suas ideias não foram aceitas pela aristocracia grega. Passaram a ver o filósofo como uma ameaça ao funcionamento da sociedade grega vigente na época. Os jovens, por outro lado, passaram a seguir Sócrates, constituindo um grupo de discípulos. 
Não demorou muito para que Sócrates fosse acusado de subversão da ordem, corrupção da juventude e um profanador das crenças gregas. Foi condenado a beber veneno e ficou preso por cerca de um mês, até sua morte, em 399 a.C.




"Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo."