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terça-feira, 2 de junho de 2020

"Diversidade" - Poema de Tatiana Belinky



Tarsila do Amaral  (1886-1973), Crianças do Orfanato, 1935.



Diversidade


Um é feioso,
Outro é bonito
Um é certinho
Outro, esquisito

Um é magrelo
Outro é gordinho
Um é castanho
Outro é ruivinho

Um é tranquilo
Outro é nervoso
Um é birrento
Outro dengoso

Um é ligeiro
outro é mais lento
Um é branquelo
Outro sardento

Um é preguiçoso
Outro, animado
Um é falante
Outro é calado

Um é molenga
Outro forçudo
Um é gaiato
Outro é sisudo

Um é moroso
Outro esperto
Um é fechado
Outro é aberto

Um carrancudo
Outro, tristonho
Um divertido
Outro, enfadonho

Um é enfezado
Outro é pacato
Um é briguento
Outro é cordato

De pele clara
De pele escura
Um, fala branda
O outro, dura

Olho redondo
Olho puxado
Nariz pontudo
Ou arrebitado

Cabelo crespo
Cabelo liso
Dente de leite
Dente de siso

Um é menino
Outro é menina
(Pode ser grande
ou pequenina)

Um é bem jovem
Outro, de idade
Nada é defeito
Nem qualidade

Tudo é humano,
Bem diferente
Assim, assado
Todos são gente

Cada um na sua
E não faz mal
Di-ver-si-da-de
É que é legal

Vamos, venhamos
Isto é um facto:
Tudo igualzinho
Ai, como é chato!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

"Ser criança" - Poema de Tatiana Belinky


Emile Claus (Belgian painter, 1849 –1924), The Little Sister, 1881 
 


Ser criança

 
Ser criança é dureza-
Todo mundo manda em mim-
Se pergunto o motivo,
Me respondem “porque sim”.

Isso é falta de respeito,
“Porque sim” não é resposta,
Atitude autoritária
Coisa que ninguém gosta!

Adulto deve explicar
Pra criança compreender
Esses “podes” e “não podes”,
Pra aceitar sem se ofender!

Criança exige carinho,
E sim! Consideração!
Criança é gente, é pessoa,
Não bicho de estimação!
 

Emile Claus, Children Eating Turnips, 1884, Private collection


"As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo."

(Giacomo Leopardi)


 Giacomo Leopardi (daqui) 


Escritor e filósofo italiano, Giacomo Leopardi nasceu a 29 de junho de 1798 em Recanati, nos então Estados da Igreja. O pai, um conde italiano excêntrico, sinistro e pálido, era tido com último homem a usar uma espada em Itália. Determinou que à criança só serviriam trajes negros, mostrando que a disciplina se deveria sobrepor aos enfeites de uma mãe, a quem entregou por sua vez o governo da casa.

Entregou o filho aos seis anos de idade aos ensinamentos de precetores que lhe ensinaram a mestria dos clássicos gregos e latinos. O pai, proprietário de uma biblioteca particular composta por cerca de vinte mil volumes, desafiava então o jovem Giacomo a fazer traduções, julgando ser este o melhor meio de o introduzir à erudição. Assim, aos dezasseis anos, já revelava autoridade suficiente para escrever um ensaio em que denunciava os erros dos autores clássicos. O seu primeiro livro, Saggio Sugli Errore Popolari Degli Antichi, embora escrito em 1815, permaneceu na posse do autor, e só veio a ser publicado nove anos após a sua morte.

Sabe-se que durante esta época Giacomo Leopardi foi vítima de um problema cerebrospinal e da cegueira progressiva de um olho. As suas deficiências físicas, provocadas ou por doença degenerativa, acidente, ou mazelas de duelo, fizeram com que se recatasse da companhia feminina.
Se os poemas que começou por escrever eram inflamados de patriotismo saudosista, queixumes com uma mão no peito e outra na testa, como All' Italia', publicado em 1819, a sua estadia em Roma por volta de 1823 aproximou-o dos círculos germânicos. 

Mudando-se para Bolonha em 1825, passou a trabalhar como professor particular, ao mesmo tempo que ia escrevendo obras que, embora continuando a manter a forma clássica, adotavam o conteúdo romântico alemão. Assim, Versi (1826) e Operette Morale (1827) refletem bem a transição no cunho do seu autor. Em 1830 partiu de Recanti para Florença mas, três anos depois optou definitivamente por Nápoles, onde escreveu Ginestra (1836).

Tido como o representante do Romantismo em Itália, Leopardi faleceu em Nápoles, vítima de um edema pulmonar, a 14 de junho de 1837. (Daqui)