Mostrar mensagens com a etiqueta Alfama. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alfama. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

"Memmo Alfama, Lisboa" - Poema de José Luís Peixoto

 

António Soares (Ilustrador e pintor português, 1894—1978), Alfama, Lisboa, 1966
 
 
Memmo Alfama, Lisboa
 

Se o Tejo fosse um verbo ou uma fonte, haveria nesta tarde
suficiente expressão para saciar todas as bocas. Acreditamos
nos últimos dias de julho, na simples inocência dos telhados,
acreditamos no está e, logo a seguir, no já não está. Existimos
misturados com esta tarde, é a nossa respiração que a faz
entardecer.



José Luís Peixoto
, inédito
Memmo Alfama, Lisboa, 29 de julho de 2021
(daqui)
 
 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

"Madrugada em Alfama" - Poema de David Mourão-Ferreira


Cidade de Lisboa, capital de Portugal



Madrugada em Alfama


Mora num beco de Alfama
e chamam-lhe a madrugada,
mas ela, de tão estouvada
nem sabe como se chama.

Mora numa água-furtada
que é a mais alta de Alfama
e que o sol primeiro inflama
quando acorda a madrugada.

Nem mesmo na Madragoa
ninguém compete com ela,
que do alto da janela
tão cedo beija Lisboa.

E a sua colcha amarela
faz inveja à Madragoa:
Madragoa não perdoa
que madruguem mais do que ela.

Mora num beco de Alfama
e chamam-lhe a madrugada;
são mastros de luz dourada
os ferros da sua cama.

E a sua colcha amarela
a brilhar sobre Lisboa,
é como a estátua de proa
que anuncia a caravela.




Amália Rodrigues - Madrugada em Alfama


“Quem sabe aproveitar a ocasião é um homem de oportunidade.”

(Johann Wolfgang von Goethe)