
Jacobus van Looy (Dutch painter and writer, 1855–1930),
"White Cat in an open window", 1895. Oil on canvas, 126.4 x 75 cm.
Frans Hals Museum, Haarlem, Netherlands.
O gato da ilha de Man
Será que erramos de novo?
rimos menos e menos,
ficamos mais tristemente sãos.
Tudo o que queremos
a ausência dos outros.
Até mesmo a música clássica favorita
foi ouvida demais e
todos os bons livros foram
lidos...
Há uma porta de vidro
deslizante
e lá fora
um gato branco da ilha de Man
está sentado com um olho vesgo
sua língua saindo por um
canto para fora da boca.
Me inclino
e abro a porta
e ele vem correndo para dentro
as pernas da frente correndo
em uma direção,
e as traseiras
em outra.
Ele dá a volta no
quarto com um ângulo doentio
para onde estou sentado
sobe com as garras pelas minhas pernas
meu peito
põe as patas dianteiras
como se fossem braços
sobre meus ombros
enfia seu focinho
no meu nariz
e olha para mim
tão bem quanto pode.
também perplexo,
eu olho para ele.
Uma noite melhor agora,
meu velho,
um momento melhor,
um jeito melhor agora
presos juntos
desse jeito
aqui.
Sou capaz
de sorrir de novo
quando de repente
o gato da ilha de Man
salta longe
dispersando pela
saída acarpetada
caçando alguma coisa que agora
nenhum de nós
consegue ver.
Charles Bukowski, "The pleasures of the damned";
in "Vida desalmada" - Florianópolis: Spectro, 2006.
Tradução Fabio Soares e Gerciana Espíndola.
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