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segunda-feira, 28 de julho de 2025

"Em cada coisa, um encanto" - Poema de Berenice Gehlen Adams

 

 
Rafał Olbiński (Polish illustrator, painter, and educator, living in the United States, b. 1943),
Convincing Impossibility, 2012.
 


Em cada coisa, um encanto... 


O mundo é cheio de coisas.
É coisa que não acaba mais, ou será que acaba?

Tem de tudo um pouco...
Tem coisas que estão dentro:
Peixe dentro da água,
Tartaruga dentro do casco,
Semente dentro da fruta...

Tem coisas que estão fora:
Coelho fora da toca,
Menino fora da casa,
Chuva fora da nuvem...

Tem coisas que estão em cima:
Vaso em cima da mesa,
Telhado em cima da casa,
Boneca em cima da cama...

Tem coisas que estão embaixo:
Chinelo embaixo da cama,
Tapete embaixo da mesa,
Minhoca embaixo da terra...

Tem coisas que são grandes:
O edifício, o parque, a cidade,
O elefante, o hipopótamo, a montanha...

Tem coisas que são pequenas:
O fósforo, a borracha, o prego.
A formiga, a agulha, o grão de areia...

Tem coisas que são novas,
Tem coisas que são velhas...
Tem coisas que são secas,
Tem coisas que são molhadas...

O mundo é cheio de coisas,
De coisas diferentes,
E dentro de cada coisa
Existe um segredo,
Existe um encanto,
Que a gente vai descobrindo
Brincando, cantando e estudando...


"De quase tudo um pouco - Poemas infantis".
(Professora, escritora, artista plástica, ilustradora, editora de revista,
educadora e ativista ambiental brasileira, n. 1961)
 

 
Rafał Olbiński, Compelling Sense of Dislocation, 2003.


"A inteligência da criança observa amando e não com indiferença - isso é o que faz ver o invisível."

Maria Montessori, Pensamentos sobre Pedagogia


 
Maria Montessori in a portrait by Alexander Akopov


Maria Montessori

 
Pedagoga e médica italiana, Maria Montessori nasceu em 1870, em Chiaravalle, perto de Ancona.
Filha única de um militar italiano, Maria Montessori recebeu um educação muito severa durante a infância e quando tinha cinco anos foi viver para Roma, onde iniciou os seus estudos. Dada a sua vocação para matemáticas, Maria Montessori entrou com dezasseis anos para a escola técnica com a intenção de seguir engenharia. Contudo, mudou rapidamente de ideias e decidiu que queria ser médica, uma opção inédita que a família não aceitou. Para além de ter de enfrentar a oposição dos seus pais, Montessori teve ainda que lutar contra os preconceitos da época que não admitiam que uma mulher pudesse seguir esta carreira. No entanto, apesar das diversas contrariedades, Maria acabou por entrar para a escola médica e em 1896, com 26 anos, cometeu a proeza de ter sido a primeira mulher italiana a licenciar-se em Medicina.

Terminado o curso, começou por trabalhar na área da Psiquiatria e muito concretamente junto de crianças com problemas de atraso de desenvolvimento, recusando-se a aceitar que estas crianças não pudessem aprender. Posteriormente iniciou a sua carreira de docente, tendo passado por várias instituições e ocupado diversos cargos. Entre outros, foi regente da cadeira de higiene no Colégio das Mulheres de Roma e professora de Antropologia na Universidade de Roma, cargo que ocupou durante 4 anos, desde 1904 até 1908.
 
Maria Montessori não concordava com o ensino da época, muito baseado na memorização e na disciplina, aspetos que cortavam a criatividade das crianças. Montessori defendia que os métodos que se utilizavam não eram adequados para a aprendizagem e que as escolas eram monótonas e pouco apelativas. Deste modo, partindo das ideias de autores como Itard e Froebel, mas sobretudo de Edouard Seguin, um médico francês que tinha criado e desenvolvido um sistema de educação para crianças deficientes, Montessori desenvolveu um método pedagógico junto de crianças mentalmente diminuídas e generalizou a todas as crianças saudáveis.

Este método baseava-se em princípios como a auto-atividade, a espontaneidade e criatividade, e ajudava o desenvolvimento mental da criança, fomentando as condições necessárias para que as crianças pudessem ter total liberdade de expressão. Montessori sustentava que a criança, ao contrário do adulto, encontra-se continuamente em crescimento e mutação e que por esse motivo era fundamental que o educador conhecesse os períodos sensíveis do desenvolvimento da criança para que a pudesse ajudar. Por outro lado, defendia ainda que as crianças deveriam trabalhar individualmente de acordo com o seu próprio ritmo e utilizando os métodos de acordo com as suas necessidades. 
 
Os métodos empregues por Maria Montessori tiveram um enorme sucesso e rapidamente começaram a aparecer por toda a Itália escolas que os adotavam. A primeira "Casa dei Bambini" ("Casa de Crianças") foi inaugurada em 1907, em Roma, no bairro de San Lorenzo.
Em 1934, Maria Montessori saiu da Itália para fugir do fascismo e após o fim da Segunda Guerra Mundial, depois de ter vivido em Espanha e na Índia, foi viver para a Holanda, onde prosseguiu os seus trabalhos até morrer em 1952.

Obras principais de Montessori:

1904, Sui caratteri antropometrici in relazione alle gerarchie intellettuali dei fanciulli nelle scuole
1904, Influenza delle condizioni di famiglia sul livello intelletuale degli scolari
1907, La Casa dei bambini dell'Istituto dei beni stabili
1909, Il metodo della pedagogia scientifica
(O método Montessori)
1910, Antropologia pedagogica
1911, La Moralé sessuale dell'educazione tra madre e figlio
1916, L'autoeducazione nelle scuole elementari
1935, Manual della pedagogia scientifica
(daqui)

sexta-feira, 11 de julho de 2025

"Uma constante da vida" - Poema de Ana Luísa Amaral

 

 
Cruzeiro Seixas (Poeta e pintor surrealista português, 1920-2020), S/Título - Serigrafia.
 
 
 
Uma constante da vida 


Errámos junto
à História: devíamos
pegar em foices e enxadas
e destruir mil campos
de pensar:
computadores, ogivas nucleares,
assentos petrolíferos e mais:
centrais de mil cisões
(e, já agora, aquele pequeníssimo
sonar)

Errámos pela
História: enquanto tempo,
devíamos pegar nas foices,
nas enxadas.
E nos anéis das fadas
plantar outras sementes: bombas
despoletadas, ferrugentas,
que dessem trigo e paz

Errámos nas histórias
de encantar:
um lobo freudiano, um capuchinho,
um osso pela grade
da prisão.
Voltaram as sereias
sentadas no olhar em devoção
(sem nunca terem nem sequer
partido)

(E seduz-nos ainda
esse cantar.)
Errámos sem saber
que o seu vagar é tal
que o sonho, cedo ou tarde,
se fará.
Que ao lado da cisão: a catedral
e ao lado do vitral: irracional
razão

A história junto
à História,
a enxada quebrada pelo chão.


Ana Luísa Amaral, in Às vezes o Paraíso
Quetzal Editores. Lisboa. 1998.
 
 
 
Cruzeiro Seixas, A Balança, 1993.
 

"As pessoas educam para a competição e esse é o princípio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz."

Maria Montessori, "A Educação e a Paz",

 

"A Educação e a Paz" de Maria Montessori,
 Ed. Papirus, 2004.


Descrição 
 
Publicada pela primeira vez em 1949, a obra A educação e a paz permanece atual, pois o homem ainda não aprendeu a viver em paz, embora já estejamos no terceiro milénio. Maria Montessori evoca aqui uma educação que possibilite o desenvolvimento do que há de melhor em cada indivíduo, abandonando a priorização da posse material, de modo que, ao estar bem consigo mesmo, o indivíduo possa conviver melhor com os demais, respeitando as diferenças. O homem ainda está em busca de soluções relacionadas a ideologias políticas, a ciências económicas, mas se esqueceu de buscá-las em uma educação que valorize o indivíduo harmonizado consigo mesmo e com o universo, a solução definitiva para a construção da paz. Nesta obra encontram-se compiladas as conferências em que a educadora defende essa proposta educacional, que há de provocar uma grande transformação nas relações humanas, no sentido de que saibamos nos compreender e amar como irmãos. Temos ainda muito a aprender com essa admirável educadora, uma vez indicada ao prémio Nobel da Paz, e com este trabalho magnífico em prol de uma educação para a paz! - Papirus Editora

domingo, 1 de junho de 2025

"Hoje é Dia da Criança" - Poema de Luísa Ducla Soares

 
Stephen Gjertson (American artist, b. 1949), Cinderella Dreams. Oil on canvas, 28 x 32.
Private collection.


Hoje é Dia da Criança

 
Hoje é Dia da Criança
e eu quero dar-te a Lua.
Mas há meninos sem nada
que dormem sós numa rua.

Hoje é Dia da Criança,
na aula lês teus direitos.
Mas há meninos nas obras,
a mando de alguns sujeitos.

Hoje é Dia da Criança
saboreias chocolate.
Mas há meninos raptados
que sonham com o resgate.

Hoje é Dia da Criança
em todo o Planeta Terra.
Mas há meninos que morrem
em combates, numa guerra.

Hoje é Dia da Criança,
tu brincas, cantas, sorris.
Um dia, cada criança
como tu será feliz. 
in 'O Livro das Datas' 
 


"O Livro das Datas" de Luísa Ducla Soares
Ilustração: Raquel Costa
Edição/reimpressão: 04-2015
Editor: Porto Editora
 
 
SINOPSE 

Plano Nacional de Leitura
 
Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com a Educação para a Cidadania nos 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade.

Já pensaram que há datas que todos celebramos e que algumas até dão direito a feriado? É o caso do Natal, da Páscoa, do Dia da Liberdade e de outras mais.

Há datas que não dão direito a feriado mas festejamos com alegria, como o Dia da Mãe, o Dia do Pai, do Ambiente e tantas, tantas outras. Há também datas mesmo divertidas como o Carnaval e as que celebram as Mentiras ou as Bruxas. Outras recordam guerras, revoluções, festas religiosas.

Mas estou certa de que nem todos sabem a origem e significado das mais importantes, que aqui procuramos explicar. A juntar a essa explicação, podem ler uma história original alusiva a cada efeméride(daqui)
 
 
Stephen Gjertson, Four O'Clock, 1988.


"Se houver ajuda e salvação para a humanidade, só poderá ser através das crianças. 
Porque as crianças são as criadoras da humanidade."

Maria Montessori

(Educadora, médica e pedagoga italiana, 1870–1952)