Poetas
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca, in "Trocando Olhares", 1994.
Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda.
Guilherme Parente, 'Palavras, leva-as o vento', 2012
"Digo o que penso e, muito simplesmente enuncio factos pois que, apesar de poetisa,
ligo bem maior importância aos factos do que às palavras por bonitas que sejam.
Palavras são como as cantigas: leva-as o vento."
Florbela Espanca, in "Correspondência", 1920
"Digo o que penso e, muito simplesmente enuncio factos pois que, apesar de poetisa,
ligo bem maior importância aos factos do que às palavras por bonitas que sejam.
Palavras são como as cantigas: leva-as o vento."
Florbela Espanca, in "Correspondência", 1920

