sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A flautear em vale agreste" - Poema de William Blake



Judith Leyster (Dutch Golden Age painter, 1609–1660),
Young Flute Player, c. 1630.



A flautear em vale agreste


A flautear em vale agreste,
A flautear canção feliz,
Das nuvens uma criança
Vem sorridente e me diz:

“Toca a canção de um Cordeiro!”
Toquei-a com alegria.
“Flautista, toca de novo.”
Toquei: a chorar me ouvia.

“Deixa a flauta, a fácil flauta;
Canta os cantos de alegria.”
Cantei tudo o que tocara;
De gozo a chorar me ouvia.

“Senta-te e escreve, flautista,
Num livro, a que possam ler.”
E ela sumiu-me da vista:
E um junco então fui colher,

E fiz uma pena rude,
E manchei as águas mansas,
E escrevi minhas canções
Que hão de alegrar as crianças…


William Blake, in 'Poesia e prosa selecionadas'.
Introdução, seleção, tradução e notas Paulo Vizioli.
Edição bilíngue. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.


 
 
Judith Leyster, Self-Portrait, c. 1630, National Gallery of Art.



Quando vozes de crianças se ouvem na relva,
E risos se ouvem nas colinas
Meu coração descansa no meu peito,
E todo o resto fica sereno.





Nelly Furtado - All Good Things (Come To An End) 


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