segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Passa uma borboleta por diante de mim" - Poema de Alberto Caeiro



Berthe Morisot (French painter, 1841–1895), 'La Chasse aux Papillons', 1874,
Musée d'Orsay.



Passa uma borboleta por diante de mim


Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XL" 
Heterónimo de Fernando Pessoa
 



Berthe Morisot, 'Eugène Manet on the Isle of Wight', 1875,
Musée Marmottan Monet


"É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os."

Alexandre Herculano,
'História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal', 1854–1859
 
[Em 1846 Alexandre Herculano publica o primeiro livro da sua História de Portugal e até 1853 seguem-se-lhe mais três volumes. Em 1850 interrompe este trabalho e a sua atenção dirige-se então para um dos mais importantes particularismos da história de Portugal - a nossa política de intolerância religiosa – e, em 1854, publica o primeiro volume da Historia da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal. Uma importante análise que trata do aparecimento do sistema inquisitorial, na Europa e entre nós, acompanha a situação dos judeus em Portugal e observa as relações que se estabelecem entre a Inquisição e o poder político, especialmente durante os séculos XV e XVI, nomeadamente até ao reinado de  D. João III.] (daqui)
 

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