Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade,
in Corpo, 1984
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Galeria de Kay Sage
Photograph of Kay Sage and Yves Tanguy
Frederick Kiesler with Yves Tanguy, Kay Sage, Marcel Duchamp
and Maria Martins in Woodburry, Connecticut, 1947
Kay Sage, The Fourteen Daggers
Kay Sage, Margin of Silence, 1942
Kay Sage, J'ai vu trois cités, 1944
Kay Sage, Danger, Construction Ahead, 1940
Kay Sage, Unusual Thursday, 1951
Kay Sage, The Contrary, 1952, Walker Art Center Minneapolis
Kay Sage, Tomorrow Is Never, 1955
“No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso
“No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso
quer dizer que nós também somos pessoa para ele.”
Antoine de Saint-Exupéry
Antoine de Saint-Exupéry
Kay Sage, The Upper Side of the Sky, 1944,
From Dreaming with Open Eyes
O Sorriso
Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade,
O Sorriso
Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade,
in "O Outro Nome da Terra"











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