
Charles Le Brun (Peintre et décorateur français, 1619–1690), 'L'Adoration des bergers', 1689,
Paris, Musée du Louvre.
Nasceu um Menino
Nasceu, nasceu um Menino,
Nasceu um Menino mais,
No bercinho pouco fino
Das palhas duns animais!
Que num vil curral por quarto
E entre uns pedregulhos nus,
Teve a santa dor do parto
A Mulher que o deu à luz.
Mas de cada vez, no mundo,
Que mais um ser aparece,
Quem pode descer ao fundo
Do que o Destino nos tece?
À hora em que Este chegava,
Lá para um cerro distante,
Por cada fibra chorava
Um velho cedro gigante.
Chorava porque sabia
Que em seu peito condenado
Aquele Menino, um dia,
Seria crucificado.
Ora cada vez, no mundo,
Que nasce mais um Menino,
Quem pode descer ao fundo
Do que nos tece o Destino?
Já, pelos céus fora, um astro
Descendo sobre o curral,
Abre para sempre um rastro
De alvor sobrenatural.
E o velho cedro, que chora
Porque se julga precito,
Pelos séculos fora
Será sagrado e bendito.
Que abertos pelos espaços,
No azul sereno e profundo,
Do sangue duns outros braços
Seus braços dão Vida ao mundo.
José Régio, em ‘Obra Completa’
Charles Le Brun, 'Le Sommeil de l'Enfant Jésus' ou 'Le Silence', 1655, Musée du Louvre.
“Uma boa consciência é um Natal contínuo.”
(Benjamin Franklin)

'Charles Le Brun', portrait by Nicolas de Largillière (French portrait painter, 1656–1746)
Charles Le Brun
Charles Le Brun foi um pintor, decorador e teórico francês nascido a 24 de fevereiro de 1619, em Paris, França.
Filho
de um escultor que lhe ensinou a profissão, Charles Le Brun cedo
revelou vocação para a pintura, começando aos treze anos a trabalhar no
atelier do pintor François Perrier. Nessa altura, o talento do jovem
chamou a atenção do Chanceler Pierre Séguier que o tomou para sua
guarda.
Em 1633, graças ao seu protetor, o
artista foi trabalhar para o atelier de Simon Vouet, que teve também
entre os seus discípulos futuras grandes personalidades das artes, André Le Nôtre, Pierre Mignard e Eustache Le Sueur. Completou a sua formação
numa estadia no Palácio de Fontainebleau onde estudou as coleções de
arte reais.
Reconhecido pelo seu grande talento e com o apoio financeiro do seu protetor, Le Brun partiu para Roma,
em 1642, a fim de estudar os grandes escultores e pintores italianos e
de conhecer os grandes artistas europeus da época, como foi o caso de Nicolas Poussin que veio a ser seu mestre.
De regresso a Paris,
em 1646, recebeu várias encomendas, como a do superintendente Fouquet
para quem realizou as esculturas dos jardins e as tapeçarias do seu
soberbo palácio em Vaux-le-Vicomte ou a da Corporação dos Ourives que
lhe encomendou o quadro O Martírio de S. André (1647) para a Catedral
Notre-Dame, em Paris.
A pedido do Cardeal Mazarino, Le Brun e André Le Nôtre ficaram
responsáveis pela transformação do Pavilhão de Caça de Luís III no
Palácio de Versalhes.
Em 1660, foi nomeado
Primeiro Pintor Real, tornou-se diretor, em 1663, da Manufatura Real dos
Gobelins (famosas tapeçarias francesas) e da Mobília Real e chanceler
vitalício da Academia Real de Pintura e Escultura, que tinha fundado, em
1648, juntamente com outros onze pintores. Fundou ainda, em 1666, a
Academia de França, em Roma,
com o objetivo de formar e estimular o talento de jovens pintores e
escultores. Depois, ocupou-se exclusivamente da decoração da nova
residência real, o Palácio de Versalhes.
Realizou
trabalhos de decoração e pintura na Escada dos Embaixadores, na Galeria
dos Espelhos, nas salas da Paz e da Guerra e nos grandes apartamentos
reais, constantemente inspirado na mitologia e na arte italiana e
honrando sempre o Rei Sol - Luís XIV. Le Brun foi ainda o criador da Art Officiel, uma arte colocada ao serviço do poder e das grandes instituições.
Em 1683, com a morte de Jean-Baptiste Colbert,
um dos protetores do artista, Le Brun foi substituído, nas suas funções
de superintendente dos edifícios, das artes e das manufaturas, por Pierre Mignard, protegido do Marquês de Louvois. Em resultado desta
substituição, o artista passou a produzir apenas quadros de temáticas
religiosas e a ocupar-se do Palácio de Montmorency.
Como
teórico, escreveu o tratado A Expressão das Paixões (1663), no qual
analisou os diferentes estilos e géneros de pinturas, e Método para
Aprender a Desenhar as Paixões (1698, edição póstuma), no qual
descodificou, apoiando-se nas teorias de Nicolas Poussin, a expressão visual das paixões na pintura.
Quanto
aos seus trabalhos, destacam-se ainda, para além dos acima mencionados,
a decoração pictural da Galeria de Apolo (1663), no Louvre, e os
quadros O Retrato Equestre do Chanceler Séguier (1655-1657), Alexandre e
Porus (1673) e Adoração dos Pastores (1690), entre muitos outros.
Charles Le Brun faleceu a 12 de fevereiro de 1690, em Paris. (daqui)
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