domingo, 13 de junho de 2021

"A meu favor" - Poema de Alexandre O’Neill


Heinrich Campendonk (German, 1889–1957), Young Couple, 1915



A meu favor

 
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

A meu favor tenho uma rua em transe
Um alto incêndio em nome de nós todos.
No Reino da Dinamarca.
 Lisboa: Guimarães, 1958


 
Heinrich Campendonk, Bucolic Landscape, 1913


"Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados."

(Albert Schweitzer
 

Heinrich Campendonk, Mann, Pferd, Kuh, 1918
 
 
"Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mais sábia é a sua mente."
 

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