quarta-feira, 1 de abril de 2026

"Aqui termina o caminho" - Poema de Emílio Moura



Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886-1973),
 Lagoa Santa, 1925.

Aqui termina o caminho


Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo 
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave 
pensamento de exílio.

Porque ainda esperas? Aqui termina o caminho, 
aqui morre a voz, e não há mais eco, nem nada.

Por que não esquecer, agora, as imagens que tanto 
nos perturbaram 
e que inutilmente nos conduziram 
para nos deixar de súbito na primeira esquina?

Essa voz que vem não sei de onde, 
esses olhos que olham não sei o quê, 
esses braços que se estendem não sei para onde...

Debalde esperarás que o eco de teus passos acorde 
os espaços que já não têm voz.

As almas já desertaram daqui. 
E nenhum milagre te espera, 
nenhum.


Emílio Moura
 (1902-1971), 
in "Canto da hora amarga", 1936.
 
 

Tarsila do Amaral, Palmeiras, 1925.


(Olhando os Babaçus em Alcântara)


A palmeira e sua palma
Ondulam o ideal
Da calma.


Millôr Fernandes, in "Hai-kais",
Porto Alegre: L&PM, 1997.
 

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