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Remedios Varo (Catalan-Mexican surrealist artist, 1908–1963),
"Paraíso de los gatos" (Cats paradise), 1955, Private Collection.
Gatos
Gatos novos
gatos velhos
gatos magros
gatos gordos
gatos brancos
gatos pretos
gatos mimalhos
gatos a pedir
gatos a roubar
gatos a fugir
gatos a ronronar
gatos no telhado
gatos na janela
gatos no sofá
gatos no berço
gatos na cama
gatos na sala
gatos na cozinha
gatos maltratados
gatos a miar
em noites de luar.
Gatos doentes
gatos a brincar
gatos a dormir
gatos a saltar
gatos a parir
gatos a mamar
gatos a nascer
gatos a arranhar
gatos a comer
gatos a pular
gatos a lamber
gatos lestos
gatos mancos
gatos siameses
gatos persas
gatos malteses.
Tantos gatos
de rabo alçado
e eu só tenho um
de pano coçado.
António Mota,
in "Lá de Cima Cá de Baixo"
"Lá de Cima Cá de Baixo" de António Mota;
Ilustrações de Teresa Lima.
Edições Asa, 2017.
SINOPSE
"Lá de Cima Cá de Baixo" é uma coletânea de poemas que António Mota deseja partilhar com os seus leitores, descrevendo a vida de todos os dias. Uma formiga que vai calada e ligeirinha. Um baloiço que serve de mirante. As noites solitárias. Os bichos. Os sonhos.
Marta Teives (Designer, animadora, urban sketcher, artista de storyboard
e ilustradora portuguesa, n. 1977), "Os Gatos da Casa Amarela", livro
Nascido precisamente numa dessas pequenas aldeias da região do Douro, o autor transpõe para os seus livros memórias da sua própria infância, construindo no entanto histórias com problemas muito atuais. Temas como o do enfrentar da velhice e dos lares de terceira idade (A casa das bengalas) ou das opções profissionais e de futuro (Cortei as tranças), demonstram que, para além das diferentes condições de vida, muitas das questões e perplexidades que se põe aos jovens são basicamente as mesmas, no campo ou na cidade. – Centro de Documentação de Autores Portugueses, 04/2005 (daqui)
Um gato é a independência (indiferença?) em estado puro, a dignidade que lhe vem dos tempos em que era tigre – e essas coisas não se perdem nunca.
Um gato não se doma, não faz figuras tristes, não dá a patinha.
Um gato é bicho solitário, desliza entre o silêncio dos móveis e o pó dos livros e se calhar é por isso que tantos escritores os adotam. Ou eles adotam os escritores – nunca cheguei a perceber.
Lembro-me de quando morreu a gata do Carlos de Oliveira. À mesa do Monte Carlo, durante vários dias ele murmurava:
“A falta que me faz o seu silêncio”.
Gostava que um dia alguém dissesse isso de mim.
Palavra.

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