
Jean Lurçat (Peintre, céramiste et créateur de tapisserie français, 1892-1966),
"Coq et Soleil" - Tapisserie d'Aubusson, c. 1950/1960.
Os Galos de Lurçat
Num turbilhão de folhas e de sóis
entre nuvens peixes pedras luas estrelas
cantam os galos de Lurçat
Bom dia corações de girassol e astros com cabelos
Bom dia homens com raízes
Pairam na lã os ares
do Loire e do Garona
meiga luz de velhíssimos teares
cheiro a cachos do Beaune
meiga luz dos mil matizes do aroma
da doce terra de França
Entre troncos caídos em clareiras virgens
graves galos garbosos
de esporões floridos
com a manhã nas cristas
Que outras horas são estas
Que outros sítios e olhos? Que mendigos em festa?
Que serenidades imprevistas?
Galos negros e azuis
entre o presente e o futuro
traçam nos túneis absurdos
esguias figuras mudas
Galos verdes e castanhos
rasgam na alma os lanhos
da poeira dos anos
Galos vermelhos brancos amarelos
no ponto robusto de ásperas lãs
soltam clarins nas ruínas ermas dos castelos
de que se erguem amanhãs
Oh universos suspensos de Lurçat nos nevoeiros densos
da doce terra de França
Oh fanfarras desgrenhadas nas auroras dúbias e ousadas
na doce terra de França
Teus galos cantam fúria e eu oiço amor
teus galos cantam dor e luto e noite e eu oiço
esperança
(1950)
Mário Dionísio, in 'Poesia Completa',
Imprensa Nacional, 2016.
'Poesia Completa', de Mário Dionísio, é uma compilação da poesia produzida ao longo de quase cinquenta anos, de 1936 a 1982, e que se encontra materializada em cerca de 420 poemas.
Jorge Silva Melo em «Memórias de Um Leitor que Começou pelo Meio», que prefacia a presente edição, considera que a produção poética de Mário Dionísio «É uma poesia, descubro então, sem o luxo altaneiro das letras, sem exclamações, nem reticências, sem ópios nem gladíolos, sem desmaios nem declamações, poesia certa, poesia sem nobreza poética, feita de repetições cantáveis (…)». (daqui)
Jorge Silva Melo em «Memórias de Um Leitor que Começou pelo Meio», que prefacia a presente edição, considera que a produção poética de Mário Dionísio «É uma poesia, descubro então, sem o luxo altaneiro das letras, sem exclamações, nem reticências, sem ópios nem gladíolos, sem desmaios nem declamações, poesia certa, poesia sem nobreza poética, feita de repetições cantáveis (…)». (daqui)
Jean Lurçat, 'Coq' - Tapisserie d'Aubusson.
À questão: 'O que é a arte?' somos levados a responder:
'Aquilo por meio do qual as formas se tornam estilo'.
André Malraux foi um escritor, intelectual, governante e aventureiro francês nascido a 3 de novembro de 1901, em Paris, e falecido a 23 de novembro de 1976, em Créteil, também em França.
Aos 25 anos, foi viver para o Camboja, na companhia da mulher, a escritora Clara Goldsmit. Passou depois pelo Vietname e pela China, de onde regressou novamente a território vietnamita. Em 1926, havia publicado o seu primeiro livro, La Tentation de l'Occident (A Tentação do Ocidente), editado em Portugal em 2005, composto pela troca de correspondência entre um chinês em viagem pela Europa e um francês no Extremo-Oriente.
Dois anos mais tarde, a experiência chinesa inspirou Malraux a escrever Les Conquérants (Os Conquistadores). O escritor francês lançou de seguida, em 1930, La Voie Royale (A Estrada Real), um romance passado na Indochina. Em 1933, ganhou o prestigiado prémio literário francês Goncourt graças a La Condition Humaine (A Condição Humana). Já de regresso à Europa, Malraux continuou a sua forte militância política, o que o levou a tornar-se combatente republicano durante a Guerra Civil espanhola, entre 1936 e 1939. Manteve a atividade de escritor e, em 1937, lançou L'Espoir (A Esperança).
Entretanto, em 1939, com o advento da Segunda Guerra Mundial, Malraux alistou-se na Resistência, tornando-se partidário do general Charles de Gaulle. Paralelamente, deixou o Partido Comunista Francês, descontente com o facto dos soviéticos terem assinado um pacto com os alemães. Com o terminar da guerra, Malraux dedicou-se ainda mais à política e, em 1945 e 1946, foi ministro da Informação do governo provisório liderado por De Gaulle. Contudo, continuou a escrever e, entre a Segunda Guerra Mundial e meados da década de 50, publicou vários trabalhos sobre arte e estética. Entre estas obras destacam-se Voix du Silence (As Vozes do Silêncio) e Le Musée Imaginaire de la Sculpture Mondiale (O Museu Imaginário da Escultura Mundial). Regressou de forma efetiva à política, em 1958, para assumir de novo a chefia do Ministério da Informação, num governo liderado por Charles de Gaulle. Logo no ano seguinte, assumiu a pasta da Cultura e foi ministro desta área até 1969. Ano em que abandonou o cargo após a contestação surgida por ocasião das manifestações estudantis do maio de 68.
Até morrer, em 1976, André Malraux dedicou-se em exclusivo à escrita tendo lançado, sucessivamente, Les Chênes qu'on abat (1970, Quando os Robles se Abatem), Oraisons funébres (1971), Le miroir des limbes (1972), La corde et les souris (1976), este último a sua derradeira obra. (daqui)
Aos 25 anos, foi viver para o Camboja, na companhia da mulher, a escritora Clara Goldsmit. Passou depois pelo Vietname e pela China, de onde regressou novamente a território vietnamita. Em 1926, havia publicado o seu primeiro livro, La Tentation de l'Occident (A Tentação do Ocidente), editado em Portugal em 2005, composto pela troca de correspondência entre um chinês em viagem pela Europa e um francês no Extremo-Oriente.
Dois anos mais tarde, a experiência chinesa inspirou Malraux a escrever Les Conquérants (Os Conquistadores). O escritor francês lançou de seguida, em 1930, La Voie Royale (A Estrada Real), um romance passado na Indochina. Em 1933, ganhou o prestigiado prémio literário francês Goncourt graças a La Condition Humaine (A Condição Humana). Já de regresso à Europa, Malraux continuou a sua forte militância política, o que o levou a tornar-se combatente republicano durante a Guerra Civil espanhola, entre 1936 e 1939. Manteve a atividade de escritor e, em 1937, lançou L'Espoir (A Esperança).
Entretanto, em 1939, com o advento da Segunda Guerra Mundial, Malraux alistou-se na Resistência, tornando-se partidário do general Charles de Gaulle. Paralelamente, deixou o Partido Comunista Francês, descontente com o facto dos soviéticos terem assinado um pacto com os alemães. Com o terminar da guerra, Malraux dedicou-se ainda mais à política e, em 1945 e 1946, foi ministro da Informação do governo provisório liderado por De Gaulle. Contudo, continuou a escrever e, entre a Segunda Guerra Mundial e meados da década de 50, publicou vários trabalhos sobre arte e estética. Entre estas obras destacam-se Voix du Silence (As Vozes do Silêncio) e Le Musée Imaginaire de la Sculpture Mondiale (O Museu Imaginário da Escultura Mundial). Regressou de forma efetiva à política, em 1958, para assumir de novo a chefia do Ministério da Informação, num governo liderado por Charles de Gaulle. Logo no ano seguinte, assumiu a pasta da Cultura e foi ministro desta área até 1969. Ano em que abandonou o cargo após a contestação surgida por ocasião das manifestações estudantis do maio de 68.
Até morrer, em 1976, André Malraux dedicou-se em exclusivo à escrita tendo lançado, sucessivamente, Les Chênes qu'on abat (1970, Quando os Robles se Abatem), Oraisons funébres (1971), Le miroir des limbes (1972), La corde et les souris (1976), este último a sua derradeira obra. (daqui)

Sem comentários:
Enviar um comentário