segunda-feira, 27 de abril de 2026

"Pequenos Mosaicos" - Poema de Ana Luísa Amaral

 


Jacques-Ferdinand Humbert  - ), 
Portrait de Colette, c. 1896.


Pequenos Mosaicos 

 
É agora - na pura ausência das coisas
e a madrugada por abrir. Um palco
a lua. Eu observada de fora da janela.

O terror de pensar: o pesadelo
de me sentir duas pela primeira vez
falado. É de amor este poema
e de visões: ondulantes cortinas
noutra que me é igual.

Porque no pesadelo e de repente
o futuro rasgou-se, as cortinas
soltaram-se. Na profecia
só ficaste tu.

E a tua falta mais que a tua
ausência em pequeno mosaico
se fechou. Entendo agora como uma cadeira
pode ser só esta cadeira porque
é tua.


Ana Luísa Amaral
(1956–2022)


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