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Rudolf Epp (German painter, 1834–1910), A Cool Sip, n. d.
À boca do cântaro
Caminha sílaba a sílaba
como a fonte
que só para à boca do cântaro.
Aí consente partilhar a água.
À audácia dos jovens, à timidez
dos que já o não são, mata a sede.
Aos que tropeçam na falta
de amor, aos que mordem as lágrimas
em segredo, dá a beber.
Leva aos lábios febris
a frescura da pedra. Não deixes
o medo multiplicar as garras.
Sílaba a sílaba
caminha até ao cântaro
vazio. – Tão cheio agora!
Eugénio de Andrade (1923–2005),
in "Os Sulcos da Sede"
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