François Flameng (French painter, 1856–1923),"Grolier in the House of Aldus", 1889.
Oil on canvas, 73 x 81 in. Collection of The Grolier Club.
Saudade da prosa
Poesia, saudade da prosa;
escrevia «tu», escrevia «rosa»;
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.
E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava
senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,
o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.
Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia?
Manuel António Pina,
'Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança',
Assírio & Alvim, 1999.
of Aldus Manutius (c.1449/1452 –1515), 1889, Collection of The Grolier Club.
"A literatura é a expressão da sociedade, como a palavra é a expressão do homem."
Louis de Bonald, in Oeuvres complètes; volume 3, ed. 1859.

Retrato de Louis de Bonald por Louis Hersent
(Pintor francês, 1777-1860), 1823.
Filósofo e político tradicionalista, Louis Gabriel Ambroise de Bonald nasceu a 2 de outubro de 1754, em Le Monna, e morreu a 23 de novembro de 1840, em Lyon. O Visconde Louis de Bonald, filósofo e político, foi obrigado a abandonar França a seguir à revolução de 1789, por ser contrarrevolucionário.
Para Bonald, o homem só existe em função da sociedade e só nela se realiza. Todo o indivíduo que vá contra a sociedade, erra moralmente e vai contra aquilo que a sua própria natureza tem de melhor. Esta posição é fundamentada filosoficamente por Bonald, argumentando que o homem, não tendo ideias inatas, necessita do contacto com a sociedade para a aprendizagem das palavras que lhe permitirão pensar. Mas o homem é apenas o veículo que passa, por tradição, a palavra de geração em geração, pois, em última instância, é em Deus que a palavra se fundamenta: aqui se aplica o bem conhecido adágio que diz "a voz do povo, a voz de Deus". Ora, neste sentido, segundo Bonald, o homem tem um pacto natural com Deus que o obriga a manter em si o que de melhor tem: a presença divina, que se manifesta pelo pensamento e pelo amor, que se socorrem ambos da palavra.
Para que este pacto natural com Deus se cumpra deve haver um soberano único e destacado, à maneira monárquica. O Rei estaria para a sociedade civil, como o Papa para a religiosa.
Bonald examina a história do pensamento, dividindo-a em três sistemas gerais: o sistema da causa, difundido pelo judaísmo, que corresponde à doutrina de Deus; o sistema dos efeitos, difundido pelo paganismo, e que corresponde a uma doutrina meramente humana; finalmente, o sistema intermédio, difundido pelo cristianismo, correspondendo a uma doutrina de mediação entre Deus e o homem. Toda a estrutura do universo se manifesta por esta tríade, que deve tomar forma tanto na sociedade em geral (poder, ministro, súbdito), quanto no homem em particular (inteligência, órgãos, objeto). (daqui)
Para Bonald, o homem só existe em função da sociedade e só nela se realiza. Todo o indivíduo que vá contra a sociedade, erra moralmente e vai contra aquilo que a sua própria natureza tem de melhor. Esta posição é fundamentada filosoficamente por Bonald, argumentando que o homem, não tendo ideias inatas, necessita do contacto com a sociedade para a aprendizagem das palavras que lhe permitirão pensar. Mas o homem é apenas o veículo que passa, por tradição, a palavra de geração em geração, pois, em última instância, é em Deus que a palavra se fundamenta: aqui se aplica o bem conhecido adágio que diz "a voz do povo, a voz de Deus". Ora, neste sentido, segundo Bonald, o homem tem um pacto natural com Deus que o obriga a manter em si o que de melhor tem: a presença divina, que se manifesta pelo pensamento e pelo amor, que se socorrem ambos da palavra.
Para que este pacto natural com Deus se cumpra deve haver um soberano único e destacado, à maneira monárquica. O Rei estaria para a sociedade civil, como o Papa para a religiosa.
Bonald examina a história do pensamento, dividindo-a em três sistemas gerais: o sistema da causa, difundido pelo judaísmo, que corresponde à doutrina de Deus; o sistema dos efeitos, difundido pelo paganismo, e que corresponde a uma doutrina meramente humana; finalmente, o sistema intermédio, difundido pelo cristianismo, correspondendo a uma doutrina de mediação entre Deus e o homem. Toda a estrutura do universo se manifesta por esta tríade, que deve tomar forma tanto na sociedade em geral (poder, ministro, súbdito), quanto no homem em particular (inteligência, órgãos, objeto). (daqui)
%20with%20Aldus%20Manutius.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário