
Laurits Andersen Ring (Danish painter, 1854–1933), "Sønnen Ole kigger ud af vinduet"
(Ole Looking out of the Window), 1930, Randers Kunstmuseum.
A si próprio
Repousarás agora para sempre,
Ó meu cansado coração. Está morta a suprema
Ilusão, que julguei eterna. Morta. Bem sinto
Que das minhas caras ilusões
Não a esperança, mas o desejo é extinto.
Repousa para sempre. Demasiado
Palpitaste. De nada valem
Teus movimentos, nem de suspiros é digna
A terra. Amargor e tédio
A vida, nada mais; o mundo é lama.
Sossega, enfim. Desespera
Pela última vez. À nossa espécie o destino
Mais não deu que o morrer. Despreza-te, a partir de agora,
A ti, à natureza, ao mau
Poder, que, oculto, para nosso comum dano governa,
E à infinita vaidade de tudo.
Giacomo Leopardi, in "Cantos".
Apresentação, seleção, tradução e notas de Albano Martins,
Vega, Gabinete de Edições, Lisboa, s/d.
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Laurits Andersen Ring, "Ved det Gamle Hus" (At the Old House), 1919-22.
A si mesmo
Repousa para sempre,
exausto coração. Morto é o engano extremo
que eu supusera eterno. É morto. E sinto
que em nós de enganos caros
a mais da esperança, o desejar é extinto.
Repousa. Já bastante
hás palpitado. Coisa alguma vale
o teu bater, nem de saudade é digna
a terra. Tédio amargo
a vida, e nada mais; e lama é o mundo.
Quieto, pois. Desperta
por uma última vez. À raça humana o fado
não deu mais que o morrer. Ora despreza
a natureza, o triste
brutal poder que contra nós impera,
e o infinito vácuo do que existe.
Giacomo Leopardi (1798-1837),
in Antologia: "Poesia de 26 Séculos",
Tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena,
Fora do Texto, Coimbra, 1993.
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Laurits Andersen Ring, "Den syge mand" (The sick man), 1902,
Den Hirschsprungske Samling
A Se Stesso
(Original)
Or poserai per sempre,
Stanco mio cor. Perì l’inganno estremo,
Ch’eterno io mi credei. Perì. Ben sento,
In noi di cari inganni,
Non che la speme, il desiderio è spento.
Posa per sempre. Assai
Palpitasti. Non val cosa nessuna
I moti tuoi, né di sospiri è degna
La terra. Amaro e noia La vita, altro mai nulla; e fango è il mondo.
T’acqueta omai. Dispera
L’ultima volta. Al gener nostro il fato
Non donò che il morire. Omai disprezza
Te, la natura, il brutto
Poter che, ascoso, a comun danno impera,
E l’infinita vanità del tutto.
1835
Giacomo Leopardi, Canti, con uno scritto di Giuseppe Ungaretti,
Arnaldo Mondadori Editore S.p.A., Milão, 1987.

Laurits Andersen Ring, "På kirkegården i Fløng" (Churchyard at Fløng, Zealand), 1904,
Statens Museum for Kunst.
"Ter fé é ser mais humano, no sentido mais verdadeiro."
"To have faith is to be human, in the highest, truest, sense."
Wilfred Cantwell Smith,
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