quarta-feira, 22 de abril de 2026

"Alinho" - Poema de Luci Collin

 


Claude Monet, Meadow with Poplars (Poplars near Argenteuil, Val-d'Oise), 1875,
Museum of Fine Arts Boston.



Alinho 


É preciso voltar
às rosas mais antigas
e suas exuberâncias
e seus frémitos de infinito
às palavras surgentes
às vozes prometidas
nos ecos do que amanhece

é preciso voltar
aos gatos que compõem a noite
às cálidas cantorias
ao flagrante do gosto
aos votos interrompidos
às garatujas nos muros
às cigarras já sem valia

voltar será sempre preciso
girar a chave de formato único
pisar nas tábuas lassas e confessas
ouvir o apelo do oco
a ascese dos líquens no tronco
fazer irromper acenos que
contem não só desfechos.

Os silêncios recuperam
a porosidade das rochas
o advento das peças da flor
o insabido da brasa
e a razão à palavra.

É preciso acalentar
o momento em que se resolve
a história do espinho

e saborear
o estremecimento.


Luci Collin
, in "Rosa que está",
Iluminuras, 2019.
 

Obras de Claude Monet
 
Claude Monet, Flowered Riverbank, Argenteuil, 1877.
 
 

Claude Monet, Flowers at Vétheuil, 1881.
 
 
 
Claude Monet, Garden in Bloom at Sainte-Adresse, 1866.


 
Claude Monet, Poppy Field in a Hollow near Giverny,
(Champ de coquelicots dans un creux près de 
Giverny), 1888.
Museum of Fine Arts Boston
 
 
 
Claude Monet, Flowering Arches (Les arceaux fleuris), Giverny, 1913,
Phoenix Art Museum.
 
 
[Em Giverny localizam-se a Casa e os Jardins de Claude Monet (Maison et Jardins de Claude Monet – Giverny) que inspiraram tantas obras do artista.]
 

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