
Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886–1973), "Rio de Janeiro", 1923.
Deveras
o poeta finge
e enquanto isso
cigarras estouram
pontes caem
azaleias claudicam
édipos ressonam
vacinas vencem
a bolsa quebra e
o poeta finge
e enquanto isso
vagalhões explodem
o pão adoece
astros desviam-se
manadas inteiras se perdem
a noite range
o vento derruba ninhos e
o poeta finge
e enquanto isso
vozes racham
veias entopem
galeões afundam
medeias abatem crias
turvam-se as corredeiras
o sapato aperta e
o poeta finge
que as mãos cheias de súbitos
não são as suas
Luci Collin, in "A palavra algo",
o poeta finge
e enquanto isso
cigarras estouram
pontes caem
azaleias claudicam
édipos ressonam
vacinas vencem
a bolsa quebra e
o poeta finge
e enquanto isso
vagalhões explodem
o pão adoece
astros desviam-se
manadas inteiras se perdem
a noite range
o vento derruba ninhos e
o poeta finge
e enquanto isso
vozes racham
veias entopem
galeões afundam
medeias abatem crias
turvam-se as corredeiras
o sapato aperta e
o poeta finge
que as mãos cheias de súbitos
não são as suas
Luci Collin, in "A palavra algo",
Iluminuras, 2016.
Tarsila do Amaral, "São Paulo", 1924.
"Sou poeta quando entendo a voz do vento,
E me vejo fantasma e sentimento."
"Sou poeta quando entendo a voz do vento,
E me vejo fantasma e sentimento."
[A obra "São Paulo", de Tarsila do Amaral, é uma pintura que faz parte de uma série conhecida como "Pau-brasil",
que incluía paisagens tipicamente brasileiras, tanto rurais quanto
urbanas. No que se refere à forma, Tarsila desenvolveu uma abordagem
ousada, estilizada para obter figuras que poderiam transmitir o
dinamismo da rápida modernização do país. Neste quadro, a artista
preenche a metrópole com ícones de progresso: bombas de gasolina e um
poste de eletricidade se destacam em primeiro plano; no fundo, um bonde,
uma ponte de ferro, um edifício em construção e um cartaz com números
expressam a chegada da modernidade.] (daqui)

Tarsila do Amaral, A gare, 1925.


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