
"Retrato de Camilo Castelo Branco" (Escritor, romancista, cronista, crítico,
dramaturgo, historiador, poeta e tradutor português, 1825–1890), 1918,
por Alberto Aires de Gouveia (Pintor português, 1867–1941).
A outra metade
Quando este corpo meu esfacelado
Baixar à leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.
Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para esculpir meu busto laureado.
E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:
“Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!”
Camilo Castelo Branco,
Baixar à leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.
Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para esculpir meu busto laureado.
E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:
“Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!”
Camilo Castelo Branco,
in ‘Nas Trevas - Sonetos Sentimentais e Humorísticos’
Sonetos Sentimentais e Humorísticos
Editor: Forgotten Books
Camilo Castelo Branco, um dos mais renomados escritores da literatura portuguesa, foi um dos primeiros autores portugueses a viver exclusivamente da atividade literária. Foi também um dos mais populares e prolíficos, com mais de uma centena de obras, entre as quais se destacam as novelas passionais a que terão servido de inspiração as suas próprias desventuras amorosas. Amor de Perdição, a sua obra mais famosa, publicada em 1862, é uma referência do Romantismo em Portugal.
A poesia esteve sempre presente na vida de Camilo, nela expressando os seus sentimentos mais profundos, as suas reflexões existenciais, os seus desabafos confessionais, e bem assim, a sua opinião política. Escreveu poemas desde 1845, quando iniciava a sua carreira literária profissional, até ao ano da sua morte, em que foi publicada a sua última obra: Nas Trevas: Sonetos Sentimentais e Humorísticos.
Este livro é uma viagem poética que mergulha nas profundezas da alma humana, revelando sentimentos intensos e momentos de humor inesperado. Camilo convida o leitor a explorar a dualidade da vida através de sonetos que oscilam entre o sentimental e o humorístico.
Os temas desta obra incluem o amor, a melancolia, a ironia e a crítica social, todos entrelaçados com a maestria de um autor que sabe como tocar o coração e a mente do leitor. A originalidade de Camilo reside na sua capacidade de transformar o quotidiano em poesia, oferecendo uma nova perspetiva sobre as complexidades da existência.
Os pontos fortes deste livro são o estilo inconfundível de Camilo, que combina lirismo e sagacidade, e o reconhecimento que a obra recebeu ao longo dos anos como um marco na poesia portuguesa. A linguagem rica e a profundidade emocional dos sonetos fazem deste livro uma leitura obrigatória para os amantes da literatura.
Editor: Forgotten Books
RESUMO
«Trágico, épico, lírico, satírico – tudo isso foi Camilo», afirmou Jorge de Sena, falando da obra.
A vida de Camilo Castelo Branco (1825–1890), foi igualmente tumultuosa e dramática.
No meio de uma vida de boémia e paixões, conhece Ana Plácido (1831–1895), por quem se apaixona, seduz e rapta. Escândalo público. Andam a monte até serem presos, acabam por ser processados pelo crime de adultério. Hão de ser absolvidos. Passam a viver juntos e casam-se mais tarde. Na iminência de cegueira, Camilo suicida-se em 1 de Junho de 1890.
A vida de Camilo Castelo Branco (1825–1890), foi igualmente tumultuosa e dramática.
No meio de uma vida de boémia e paixões, conhece Ana Plácido (1831–1895), por quem se apaixona, seduz e rapta. Escândalo público. Andam a monte até serem presos, acabam por ser processados pelo crime de adultério. Hão de ser absolvidos. Passam a viver juntos e casam-se mais tarde. Na iminência de cegueira, Camilo suicida-se em 1 de Junho de 1890.
Camilo Castelo Branco, um dos mais renomados escritores da literatura portuguesa, foi um dos primeiros autores portugueses a viver exclusivamente da atividade literária. Foi também um dos mais populares e prolíficos, com mais de uma centena de obras, entre as quais se destacam as novelas passionais a que terão servido de inspiração as suas próprias desventuras amorosas. Amor de Perdição, a sua obra mais famosa, publicada em 1862, é uma referência do Romantismo em Portugal.
A poesia esteve sempre presente na vida de Camilo, nela expressando os seus sentimentos mais profundos, as suas reflexões existenciais, os seus desabafos confessionais, e bem assim, a sua opinião política. Escreveu poemas desde 1845, quando iniciava a sua carreira literária profissional, até ao ano da sua morte, em que foi publicada a sua última obra: Nas Trevas: Sonetos Sentimentais e Humorísticos.
Este livro é uma viagem poética que mergulha nas profundezas da alma humana, revelando sentimentos intensos e momentos de humor inesperado. Camilo convida o leitor a explorar a dualidade da vida através de sonetos que oscilam entre o sentimental e o humorístico.
Os temas desta obra incluem o amor, a melancolia, a ironia e a crítica social, todos entrelaçados com a maestria de um autor que sabe como tocar o coração e a mente do leitor. A originalidade de Camilo reside na sua capacidade de transformar o quotidiano em poesia, oferecendo uma nova perspetiva sobre as complexidades da existência.
Os pontos fortes deste livro são o estilo inconfundível de Camilo, que combina lirismo e sagacidade, e o reconhecimento que a obra recebeu ao longo dos anos como um marco na poesia portuguesa. A linguagem rica e a profundidade emocional dos sonetos fazem deste livro uma leitura obrigatória para os amantes da literatura.
Destinado a um público que aprecia a beleza da poesia clássica e a inteligência do humor refinado, "Nas trevas: Sonetos sentimentais e humoristicos" é ideal para aqueles que buscam uma leitura que desafia e encanta.

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