Albert Lynch (French painter of German and Peruvian ancestry, 1860–1950),
Portrait of a Young Woman, 1890.
Canção do Caminho
Por aqui vou sem programa,
sem rumo,
sem nenhum itinerário.
O destino de quem ama
é vário,
como o trajeto do fumo.
Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço!
Ah! mas logo ali adiante
- tão perto! -
acaba-se a terra bela.
Para este pequeno instante,
decerto,
é melhor ir só com ela.
(Isto são coisas que digo,
que invento,
para achar a vida boa...
A canção que vai comigo
é a forma de esquecimento
do sonho sonhado à toa...)
Cecília Meireles, in "Vaga música", 1942.
SINOPSE
Em Vaga música, traços que se tornariam emblemáticos da obra poética de Cecília Meireles atingem um importante ponto de amadurecimento. Aqui, a fugacidade do tempo e a precariedade da existência são tenazmente perseguidas. Cecília trilha um profundo percurso pelas inquietações humanas mais triviais, abalando em muitos momentos as nossas mais sólidas certezas. A profusão de interrogações em boa parte dos poemas insinua o caminho escolhido pela autora para tocar a complexa sinfonia da vida: é preciso indagar para se encontrar no mundo. Para tal exercício, a modinha, a canção e a cantiga são algumas das formas poéticas aqui magistralmente orquestradas. Com efeito, a musicalidade latente é um dos elementos deste livro que, publicado em 1942, é considerado um dos momentos mais altos da lírica brasileira.
Como se estivesse em vigília no espírito humano, a autora parece posicionar-se à espreita de qualquer vestígio de perenidade para desnudá-lo, a fim de revelar sua essência mutável. (daqui)
Em Vaga música, traços que se tornariam emblemáticos da obra poética de Cecília Meireles atingem um importante ponto de amadurecimento. Aqui, a fugacidade do tempo e a precariedade da existência são tenazmente perseguidas. Cecília trilha um profundo percurso pelas inquietações humanas mais triviais, abalando em muitos momentos as nossas mais sólidas certezas. A profusão de interrogações em boa parte dos poemas insinua o caminho escolhido pela autora para tocar a complexa sinfonia da vida: é preciso indagar para se encontrar no mundo. Para tal exercício, a modinha, a canção e a cantiga são algumas das formas poéticas aqui magistralmente orquestradas. Com efeito, a musicalidade latente é um dos elementos deste livro que, publicado em 1942, é considerado um dos momentos mais altos da lírica brasileira.
Como se estivesse em vigília no espírito humano, a autora parece posicionar-se à espreita de qualquer vestígio de perenidade para desnudá-lo, a fim de revelar sua essência mutável. (daqui)

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