terça-feira, 24 de março de 2026

"O Gato" - Poema de Mário Quintana


 
Gertrude Abercrombie (American painter, 1909–1977), White Cat, c. 1938,
Smithsonian American Art Museum.


O Gato


O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara... hesita... avança...

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos...
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.


Mário Quintana (19061994),
in "Preparativos de Viagem", 1987.
 
 

Gertrude Abercrombie, Self-Reflection, 1953.

Gertrude Abercrombie (Austin, 17 de fevereiro de 1909 - Chicago, 3 de julho de 1977) foi uma pintora norte-americana radicada em Chicago. Chamada de "a rainha dos artistas boêmios", Abercrombie estava envolvida na cena jazzística de Chicago e era amiga de músicos como Dizzy Gillespie, Charlie Parker e Sarah Vaughan, cuja música inspirou seu próprio trabalho criativo. (daqui)
 


Gertrude Abercrombie, "Doors And Two Cats", 1956.
 

"Os escritores gostam de gatos porque são criaturas quietas, adoráveis e sábias, e os gatos gostam deles pelas mesmas razões". 

Robertson Davies
(Escritor e jornalista canadiano, 19131995) (daqui)
 
 

Gertrude Abercrombie, "Demolition Doors", 1964, Illinois State Museum.


"Os gatos conseguem sem fadiga aquilo que continua a ser negado ao homem: atravessar a vida silenciosamente."

Atribuída a Ernest Hemingway (Escritor norte-americano, 18991961)
 
 
 
Gertrude Abercrombie, Blue Screen, 1945.


«A filosofia, que se faz passar por cura, é sintoma da perturbação que finge solucionar. Os outros animais não precisam de se distrair da sua condição. Nos humanos a felicidade é um estado artificial, nos gatos é sua condição natural. Os gatos nunca se aborrecem, a não ser que estejam confinados em ambientes que não lhes sejam naturais. O tédio é o medo de ficarmos sozinhos connosco. Os gatos sentem‑se felizes a ser gatos, os humanos tentam ser felizes a fugir de si.»

John Gray, in Filosofia Felina – Os Gatos e o Sentido da Vida. (daqui)



"Filosofia Felina — Os Gatos e o Sentido da Vida" de John Gray
Tradução de Nuno Quintas. Revisão de Helder Guégués.
Edição da Editorial Presença, 2021



SINOPSE

«Os seres humanos não se podem transformar em gatos. Contudo, se puserem de lado uma qualquer ideia que tenham da sua superioridade enquanto seres humanos, talvez consigam entender como os gatos prosperam sem andarem com interrogações agitadas sobre como viver.»

Nada prova que nós, humanos, tenhamos domesticado os gatos. Na verdade, tudo aponta para que tenham sido os gatos a perceber, em dado momento, o valor que os seres humanos podiam ter para eles. No seu novo livro, John Gray, um dos nomes maiores da filosofia atual, convida-nos a embarcar numa viagem pela história - filosófica e moral - da nossa relação com estes magníficos animais. A partir dos mais variados exemplos ao longo dos séculos, de Montaigne a Schopenhauer, Filosofia Felina revela-nos o fascínio e a complexidade por detrás dos nossos comportamentos e reações perante este inesperado animal de companhia.

É aos gatos, diz-nos John Gray, que devemos estar agradecidos, pois são talvez - e mais do que qualquer outra - a espécie que melhor traduz a nossa própria natureza animal. (daqui)
 
 

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