
Aldo Locatelli (Pintor ítalo-brasileiro, 1915-1962), Mural do Ciclo do "Negrinho do Pastoreio",
1951-1955, Palácio Piratini.
[No Palácio Piratini, Murais do pintor Aldo Locatelli ilustram episódios da História do Rio Grande do Sul e recontam A Lenda do Negrinho do Pastoreio.]
Negrinho do Pastoreio,
Venho acender a velinha
que palpita em teu louvor.
A luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.
A luz da vela me mostre
onde está Nosso Senhor.
Eu quero ver outra luz
clarão santo, clarão grande
como a verdade e o caminho
na falação de Jesus.
Negrinho do Pastoreio
diz que Você acha tudo
se a gente acender um lume
de velinha em seu louvor.
Vou levando esta luzinha
treme, treme, protegida
contra o vento, contra a noite...
É uma esperança queimando
na palma da minha mão.
Que não se apague este lume!
Há sempre um novo clarão.
Quem espera acha o caminho
pela voz do coração.
Eu quero achar-me, Negrinho!
(Diz que Você acha tudo).
Ando tão longe, perdido...
Eu quero achar-me, Negrinho:
a luz da vela me mostre
o caminho do meu amor.
Negrinho, Você que achou
pela mão da sua Madrinha
os trinta tordilhos negros
e varou a noite toda
de vela acesa na mão,
(piava a coruja rouca
no arrepio da escuridão,
manhãzinha, a estrela d'alva
na luz do galo cantava,
mas quando a vela pingava,
cada pingo era um clarão).
Negrinho, Você que achou,
me leve à estrada batida
que vai dar no coração.
(Ah! os caminhos da vida
ninguém sabe onde é que estão!)
Negrinho, Você que foi
amarrado num palanque,
rebenqueado a sangue
pelo rebenque do seu patrão,
e depois foi enterrado
na cova de um formigueiro
pra ser comido inteirinho
sem a luz da extrema-unção,
se levantou saradinho,
se levantou inteirinho.
Seu riso ficou mais branco
de enxergar Nossa Senhora
com seu Filho pela mão.
Negrinho santo, Negrinho,
Negrinho do Pastoreio,
Você me ensine o caminho,
pra chegar à devoção,
pra sangrar na cruz bendita
pelo cravos da Paixão.
Negrinho santo, Negrinho,
Quero aprender a não ser!
Quero ser como a semente
Na falação de Jesus,
semente que só vivia
e dava fruto enterrada,
apodrecendo no chão.
A Lenda do Negrinho do Pastoreio
O Negrinho do Pastoreio é um personagem do folclore brasileiro conhecido na região sul do Brasil. De origem africana e cristã, a lenda surgiu em meados do século 19 e conta a história de um menino escravo que recebeu um milagre de Nossa Senhora por ser um inocente que sofre com castigos de um fazendeiro.
Como boa parte das histórias populares, apresenta várias versões. Uma delas conta que o Negrinho, ao perder uma corrida apostada pelo estanceiro, recebeu um castigo: ficar pastoreando durante trinta dias uma tropilha de 30 tordilhos negros. Por duas vezes os cavalos se dispersaram, mas, após acender uma vela para Nossa Senhora, o Negrinho reencontrou os cavalos perdidos.
Em outra versão da lenda, um determinado dia o fazendeiro ordenou ao Negrinho que cuidasse de alguns cavalos, porém um deles fugiu. Quando retornou, o senhor sentiu falta do cavalo baio e mandou o Negrinho procurar o animal. Ele chegou a encontrá-lo, mas não conseguiu capturá-lo. Dessa maneira, o senhor resolveu castigar o escravo com muitas chibatadas e lançá-lo num formigueiro. O fazendeiro resolveu deixar o Negrinho lá, certo de que já estava morto. Mas, no dia seguinte, ficou perplexo ao deparar com o Negrinho ileso, montado no cavalo perdido, e ao seu lado estava a Virgem Maria, padroeira do pequeno escravo. Arrependido, o fazendeiro pediu perdão, mas o Negrinho saiu galopando feliz e livre no cavalo baio.
Negrinho do Pastoreio é considerado santo das causas perdidas. Por isso, conforme a tradição popular, quem perde algo e tem dificuldade de encontrar acende uma vela e pede ajuda ao Negrinho para encontrar o que perdeu. (daqui)
O Negrinho do Pastoreio é um personagem do folclore brasileiro conhecido na região sul do Brasil. De origem africana e cristã, a lenda surgiu em meados do século 19 e conta a história de um menino escravo que recebeu um milagre de Nossa Senhora por ser um inocente que sofre com castigos de um fazendeiro.
Como boa parte das histórias populares, apresenta várias versões. Uma delas conta que o Negrinho, ao perder uma corrida apostada pelo estanceiro, recebeu um castigo: ficar pastoreando durante trinta dias uma tropilha de 30 tordilhos negros. Por duas vezes os cavalos se dispersaram, mas, após acender uma vela para Nossa Senhora, o Negrinho reencontrou os cavalos perdidos.
Em outra versão da lenda, um determinado dia o fazendeiro ordenou ao Negrinho que cuidasse de alguns cavalos, porém um deles fugiu. Quando retornou, o senhor sentiu falta do cavalo baio e mandou o Negrinho procurar o animal. Ele chegou a encontrá-lo, mas não conseguiu capturá-lo. Dessa maneira, o senhor resolveu castigar o escravo com muitas chibatadas e lançá-lo num formigueiro. O fazendeiro resolveu deixar o Negrinho lá, certo de que já estava morto. Mas, no dia seguinte, ficou perplexo ao deparar com o Negrinho ileso, montado no cavalo perdido, e ao seu lado estava a Virgem Maria, padroeira do pequeno escravo. Arrependido, o fazendeiro pediu perdão, mas o Negrinho saiu galopando feliz e livre no cavalo baio.
Negrinho do Pastoreio é considerado santo das causas perdidas. Por isso, conforme a tradição popular, quem perde algo e tem dificuldade de encontrar acende uma vela e pede ajuda ao Negrinho para encontrar o que perdeu. (daqui)

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