quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

"Não há vício que se não esconda atrás de boas razões" - Séneca, in 'Cartas a Lucílio'


Quinta versão: 1894-95, óleo sobre tela, 47.5 × 57 cm. Musée d'Orsay, Paris.



Não há vício que se não esconda atrás de boas razões


"Não há vício que se não esconda atrás de boas razões; a princípio, todos são aparentemente modestos e aceitáveis, só que a pouco e pouco vão-se expandindo. Não conseguirás pôr fim a um vício se deixares que ele se instale. Toda a paixão é ligeira de início; depois vai-se intensificando, e à medida que progride vai ganhando forças. É mais difícil libertarmo-nos de uma paixão do que impedir-lhe o acesso. Ninguém ignora que todas as paixões decorrem de uma tendência, por assim dizer, natural. A natureza confiou-nos a tarefa de cuidar de nós próprios, mas, se formos demasiado complacentes, o que era tendência torna-se vício. Aos atos necessários juntou a natureza o prazer, não para que fizéssemos deste a nossa finalidade mas apenas para nos tornar mais agradáveis aquelas coisas sem as quais é impossível a existência. Se o procuramos por si mesmo, caímos na libertinagem. Resistamos, portanto, às paixões quando elas se aproximam, já que, conforme disse, é mais fácil não as deixar entrar do que pô-las fora."


Séneca, in 'Cartas a Lucílio' 



Vida e Obra 

Paul Cézanne, Self-Portrait with Pink Background, 1875
(Portrait de l'artiste au fond rose). Coleção privada



"A pintura deve nos dar o sabor da eternidade da natureza". 


(Paul Cézanne)



Paul Cézanne, Autoportrait, 1898-1900.
  Museu de Belas Artes de Boston


Paul Cézanne, pintor pós-impressionista francês, nasceu a 18 de janeiro de 1839, em Aix-en-Provence, no sul de França, e morreu a 22 de outubro de 1906, na sua cidade natal. Filho de pais abastados, estudou em Aix - onde conheceu e se tornou amigo de Émile Zola e em Paris, onde teve os primeiros contactos com artistas impressionistas como Camille Pissarro e Henri Matisse.
A maturidade artística de Cézanne foi lenta. Embora não recusasse os aperfeiçoamentos alcançados no domínio da pintura, e designadamente na cor, pelos impressionistas, não se sentia atraído, como Edgar Degas ou Claude Monet, por exemplo, pela captação de um momento fugaz. Procurou assim combinar as suas conceções sobre a cor com uma estrutura mais sólida do espaço pictórico. A composição da Natureza Morta com Cesto (1888-1890), nas suas numerosas versões, tomou alguns anos de estudo. Tentou sugerir o volume, não através de jogos de luz, como era de tradição desde Giotto, mas usando a própria cor. As diferentes tonalidades fazem avançar e recuar o espaço, o que permite estabelecer uma sucessão de planos que modelam as massas dos objetos. Nas versões de A Montanha de Santa Vitória, retirou da paisagem os elementos necessários de modo a formar uma "arquitetura", uma composição estruturada que propõe um todo coerente. 
Aplicou os mesmos princípios à figura humana em As Grandes Banhistas (1898-1905), constituindo uma composição geométrica - as árvores estabelecem um esquema triangular juntamente com o grupo de banhistas e os dois grupos de mulheres formam dois novos triângulos dentro do anterior. As próprias banhistas veem as suas formas estilizadas e geometrizadas, tal como um tronco de árvore na montanha de Santa Vitória ou uma maçã nas naturezas mortas. 
Cézanne baseou a sua busca num postulado: o de submeter os dados do real ao objetivo da pintura e não o contrário. Aqui começa toda a aventura da arte moderna, que passa pela integração da natureza fundamental do objeto e das virtualidades pictóricas que esse objeto encerra. O mesmo é dizer, vê-lo não na sua particularidade, mas na sua essência.

Paul Cézanne. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-02-05].



Paul Cézanne, Retrato de Louis-Auguste Cézanne, pai do artista, lendo ‘L’Evénement’, 1886.
National Gallery of Art, Washington


"Como pintor, torno-me mais lúcido quando confrontado com a Natureza."


(Paul Cézanne)




Paul Cézanne, Madame Cézanne (Hortense Fiquet, 1850–1922)
in a Red Dress (1888-90)
, oil on canvas, 116.5 x 89.5 cm,
The Metropolitan Museum of Art, New York



"A cor é o lugar onde nosso cérebro e o universo se encontram".

(Paul Cézanne)



Paul Cézanne, The Overture to Tannhäuser: The Artist's Mother and Sister, 1868
Hermitage Museum, St. Petersburg



 
Paul Cézanne, Paul Alexis reading to Émile Zola, 1869–1870.
São Paulo Museum of Art



Paul Cézanne, Jas de Bouffan, 1876


Paul Cézanne, Portrait of Madame Cézanne with Loosened Hair, 1883-1887


 
Paul Cézanne, Femme au Chapeau Vert
(Woman in a Green Hat. Madame Cézanne.) 1894–1895




Paul Cézanne, Les Grandes Baigneuses, 1898–1905
The triumph of Poussinesque stability and geometric balance



Paul Cézanne, Lady in Blue, 1904


List of paintings by Paul Cézanne
Paul Cezanne - The complete works
Wikipédia

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