terça-feira, 8 de maio de 2018

"O ruído vário da rua" - Poema de Fernando Pessoa


George BellowsNew York, 1911



O ruído vário da rua


O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua.
Oiço: cada som é consigo.

Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.

Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.

21-2-1931

Poesias Inéditas (1930-1935)


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