domingo, 13 de maio de 2012

"Jardim Perdido"... Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


Pintura de Édouard Léon Cortés



Jardim Perdido 


Jardim em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,
Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão,

A verdura das árvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava,
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.

A luz trazia em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidade e suspensão.

Mas cada gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.


Sophia de Mello Breyner Andresen



Pintura de Édouard Léon Cortés




Édouard Léon Cortés


Édouard Léon Cortés nasceu em Lagny, França em 1882. Durante sua juventude, Paris era o centro mundial da arte, e artistas de todo o mundo viajavam para lá para estudar e pintar suas belas paisagens. Nessa época, Paris ficou conhecida como "Cidade das Luzes", e havia uma grande procura, por parte de colecionadores e turistas, por pinturas retratando as ruas e paisagens da cidade. Em meados de 1900 Cortés começou a pintar as telas que o tornariam o mais famoso pintor de cenas urbanas de Paris.
Um dos artistas mais prolíficos de seu tempo, Cortés, retratando suas ruas e monumentos, encontrou aí seu nicho de mercado e soube explorá-lo muito bem. Suas perspectivas de Paris estão entre as imagens mais reveladoras e belas do género, as quais retratou em todos as estações do ano, por mais de 60 anos.
Edouard Cortés, juntamente com outros artistas como Eugene Galien-Laloue (1854-1941), Luigi Loir (1845-1916) e Jean Beraud (1849-1936), corresponderam ao chamado do mercado de arte. Especializando-se em cenas de rua de Paris, cada um desses artistas retrataram a cidade durante o seu apogeu, e continuaram a pintá-las por muitos anos durante o século 20. Suas belas representações de Paris estavam sempre na moda e Cortés continuou a pintá-las até sua morte. Em meados da década de 1920, Edouard e sua família voltaram para a Lagny (Normandia) e ele começou a pintar cenas da vida no campo - incluindo paisagens, cenas de interiores e natureza morta. Ele era um membro ativo da Union des Beaux-Arts de Lagny, onde estreou numa exposição em 1927, continuando a se apresentar lá até o final de 1930. Durante este período, ele recebeu vários prémios, ganhou grande notoriedade e foi um expositor frequente em salões de arte em Paris. Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, Cortés e sua família passaram o tempo em Cormelles-le-Royal (na Normandia), na tentativa de retirar-se da dura realidade da guerra. No início de 1950, mudou-se para Lagny, onde permaneceria pelo resto de sua vida, até falecer em 1969.


Galeria de Édouard Léon Cortés

Suas telas parisienses, dotadas de uma elegância sem par, tem em comum a efervecência da cidade grande, onde carros, cavalos e pessoas de todo tipo circulam pelas ruas da cidade.
Cortés retratou vários pontos marcantes da cidade, em épocas e estações do ano diferentes, sob sol pleno ou sob a chuva, em dia claro ou ao anoitecer, sempre mostrando a vida da cidade, seus habitantes e os lugares que frequentavam.


"Panteão"


 Place de La Concorde 


Place de l'Opera


Place de l'Opera


Pont Alexander III 


Quai du Louvre


Rue de Lyon, Bastilha


Rue de La Paix e Place Vendome


Mercado de Flores - Madeleine 


 Jardin des Tuileries


Les bouquinistes de notre


Larc de Triomphe



Luzes da Ribalta - Charles Chaplin

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