sábado, 25 de abril de 2015

"O Teatro e a Sátira Política"... por Harold Pinter


A Catedral e a Torre Inclinada de Pisa, na Piazza dei Miracoli (Praça dos Milagres). 
A Praça é Património Mundial pela UNESCO e ambos os edifícios são exemplos de arquitetura românica.



O Teatro e a Sátira Política


O teatro político coloca toda uma série de problemas. Há que evitar os sermões a todo o custo. A objetividade é essencial, deve-se deixar as personagens respirar o seu próprio ar. O autor não pode confiná-las nem obrigá-las a satisfazer o seu próprio gosto, inclinações ou preconceitos. Tem de estar preparado para as abordar sob uma grande variedade de ângulos, um leque de perspetivas diversas, apanhá-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu próprio caminho. Isto nem sempre funciona. E a sátira política, é evidente, não obedece a nenhum destes preceitos; faz exatamente o inverso, e é essa a sua função principal. 



Harold Pinter, in "Discurso de Aceitação do Prémio Nobel"



Harold Pinter, fotografia de Eamonn McCabe


Harold Pinter (Londres, 10 de outubro de 1930 — Londres, 24 de dezembro de 2008) foi um ator, diretor, poeta, roteirista, e certamente um dos grandes dramaturgos do século XX, além de destacado e incómodo ativista político britânico.
Foi um dos grandes representantes do teatro do absurdo junto com Samuel Beckett e Eugène Ionesco. Recebeu o Nobel de Literatura de 2005 e o prémio Companion of Honour da Rainha da Inglaterra pelos serviços prestados à literatura. (Daqui)

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