sábado, 22 de outubro de 2016

"A Minha Religião é o Novo" - Poema de Gonçalo M. Tavares


Franz von Lenbach, Hirtenknabe (1860)



A Minha Religião é o Novo


A minha Religião é o Novo. 
Este dia, por exemplo; o pôr do Sol, 
estas invenções habituais: o Mar. 
Ainda: 
os cisnes a Ralhar com a água. A Rapariga mais bonita que 
ontem. 
Deus como habitante único. 
Todos somos estrangeiros a esta Região, cujo único habitante 
verdadeiro é Deus (este bem podia ser o Rótulo do nosso 
Frasco). 
Dele também se podia dizer, como homenagem: 
Hóspede discreto. 
Ou mais pomposamente: 
O Enorme Hóspede discreto. 
Ou dizer ainda, para demorar Deus mais tempo nos lábios ou 
neste caso no papel, na escrita, dizer ainda, no seu epitáfio que 
nunca chega, que nunca será útil, dizer dele: 
em todo o lado é hóspede, 
e em todo o lado é Discreto. 


in "Investigações. Novalis"



Franz von Lenbach, Italienerknaben (1859), Weimarer Stadtschloss



"Quando a alma, ao termo de mil hesitações e desenganos, cravou as raízes para sempre num ideal de amor e de verdade, podem calcá-la e torturá-la, podem-na ferir e ensanguentar, que quanto mais a calcam, mais ela penetra no seio ardente que deseja."

(Abílio Manuel de Guerra Junqueiro)



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