Valentín Thibon de Libian (Artista plástico argentino, 1889–1931),
'Agencia de colocaciones', 1920, Juan B. Castagnino Fine Arts Museum.
Balada para um Homem na Multidão
Este homem que entre a multidão
enternece por vezes destacar
é sempre o mesmo aqui ou no Japão
a diferença é ele ignorar.
Muitos mortos foram necessários
para formar seus dentes um cabelo
vai movido por pés involuntários
e endoidece ser eu a percebê-lo.
Sentam-no à mesa de um café
num andaime ou sob um pinheiro
tanto faz desde que se esqueça
que é homem à espera que cresça
a árvore que dá dinheiro.
Alimentam-no do ar proibido
de um sonho que não é dele
não tem mais que esse frasco de vidro
para fechar a estrela do norte.
E só o seu corpo abolido
lhe pertence na hora da morte.
Natália Correia (1923–1993)
in "O Vinho e a Lira", 1969

Valentín Thibon de Libian, 'El bodegon'
"O tempo não deseja ser feliz. Por isso nós o seguimos."
António Osório (n. 1933),
in 'Antologia Poética', Quetzal Editores, p.187
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