terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Natal" - Poema de António Salvado


Augustus Edwin Mulready (British, 1844–1905), Uncared for, 1871



Natal


Que nos trazes a não ser 
lágrimas cada vez mais, 
natal eterno a nascer 
de outros natais... 
Ligeira esperança que toca 
os nossos olhos molhados 
e o sangue da nossa boca, 
amordaçados... 

Ah bruxuleante luz 
acenando ao longe em vão 
e que a dor nos reproduz 
em ilusão... 
Ternura dum breve instante 
que o próprio instante desterra, 
morta no facto constante 
de tanta guerra... 


 in 'A Mar Arte'



Augustus Edwin Mulready (British, 1844–1905),  Fatigued Minstrels, 1883



"Sejamos bons e depois seremos felizes. Ninguém recebe o prémio sem primeiro fazer por isso."



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