sábado, 17 de junho de 2017

"O Deus Dará" - Poema de Reynaldo Valinho Alvarez


Émile Eisman Semenowsky, Genre Scene. 1893



O Deus Dará


ao deus-dará 
vou como vou 

tudo que sou 
foi ou será 

não sei se o tempo 
trará ou não 
de supetão 
um contratempo 

quando galopa 
age sem jeito 
torna imperfeito 
tudo que topa 

o que está morto 
morto ficou 
quem o enterrou 
lhe deu um porto 

mas na memória 
de cada tarde 
ainda que tarde 
se conte a história 

cada domingo 
tem sua tarde 
que sem alarde 
cai como um pingo 

mas há uma só 
p'ra cada um 
e não nenhum 
que a atire ao pó 

há uma apenas 
que me recorda 
em dose gorda 
coisas amenas 

que a tarde fique 
como um menino 
atento ao sino 
e a se repique 


Que a tarde guarde sempre o som de um sino 
Ecoando alegrias de menino. 


in 'Galope do Tempo'


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