sábado, 17 de junho de 2017

"O Deus Dará" - Poema de Reynaldo Valinho Alvarez



Émile Eisman-Semenowsky (Russian-born, French-Polish painter,
1857–1911), 'Genre Scene', 1893


O Deus Dará


ao deus-dará
vou como vou

tudo que sou
foi ou será

não sei se o tempo
trará ou não
de supetão
um contratempo

quando galopa
age sem jeito
torna imperfeito
tudo que topa

o que está morto
morto ficou
quem o enterrou
lhe deu um porto

mas na memória
de cada tarde
ainda que tarde
se conte a história

cada domingo
tem sua tarde
que sem alarde
cai como um pingo

mas há uma só
pra cada um
e não nenhum
que a atire ao pó

há uma apenas
que me recorda
em dose gorda
coisas amenas

que a tarde fique
como um menino
atento ao sino
e a se repique


Que a tarde guarde sempre o som de um sino
Ecoando alegrias de menino.


Reynaldo Valinho Alvarez,
in 'Galope do Tempo'

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