sexta-feira, 25 de abril de 2014

"Sejamos Alegres" - Texto de Clarice Lispector



Berthe Morisot (French painter and printmaker, 1841–1895), Summer Day, 1879,
 

Sejamos Alegres


Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer — e respondo a toda essa infâmia com — exatamente isto que vai agora ficar escrito — e respondo a toda essa infâmia com a alegria. Puríssima e levíssima alegria. A minha única salvação é a alegria. Uma alegria atonal dentro do it essencial. Não faz sentido? Pois tem que fazer. Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas — porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou — apesar de tudo oh apesar de tudo — estou sendo alegre neste instante já, que passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria: mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E a minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: a alegria do it. E conformar-me não como vencida mas num allegro com brio.

Clarice Lispector, in 'Água Viva'


Berthe Morisot, Winter aka Woman with a Muff, 1880, 
 Dallas Museum of Arts


“As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”



Berthe Morisot, The Bath (Girl Arranging Her Hair), c. 1885-1886,
 Williamstown, Massachusetts


“Ignore, supere, esqueça. Mas jamais pense em desistir de você por causa de alguém.” 


Berthe Morisot, Child among the Hollyhocks, 1881, 
Wallraf-Richartz Museum, Cologne.


“A virtude da vida não está em fazer aquilo que se gosta, e sim gostar daquilo que se faz. Por isso seja forte, não como as ondas que tudo destrói, mas como as pedras que tudo suporta!” 

(Clarice Lispector)

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