
George Henry Boughton (Anglo-American landscape and genre painter, illustrator
and writer, 1833–1905), 'Weeding the Pavement', 1882, National Gallery.
Portugal está a atravessar a pior crise
Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje, crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.
Eça de Queirós, in 'Correspondência', 1891
Eça de Queirós
José Maria de Eça de Queirós (Póvoa de Varzim, 25 de novembro de 1845 — Paris, 16 de agosto de 1900) foi um dos maiores escritores portugueses e simultaneamente um dos maiores pensadores. Foi autor, entre outros romances de reconhecida importância, de “Os Maias” e “O crime do Padre Amaro”; este último é considerado por muitos o melhor romance realista português do século XIX.
Retratou como ninguém a sociedade e a psicologia dos portugueses, num estilo irónico e humorístico único, presente nos seus romances, crónicas e correspondência. Mais radical nos seus primeiros escritos, mais conservador nos últimos, em todos grassa uma atualidade e uma acutilância que continua a surpreender passados mais de cem anos sobre a sua morte.
A visão e crítica de Eça de Queirós sobre os costumes em geral, e os portugueses em particular, continua surpreendentemente válida nos dias de hoje, provando que a evolução é pouco mais que um conjunto de progressos técnicos, e que as características do povo português, em todos os aspetos da sociedade, se mantêm praticamente iguais.
George Henry Boughton, 'The Town of Doorn, North Holland'
(also known as 'A Dead City of the Zuider Zee, Holland')
Russell-Cotes Art Gallery & Museum
"O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas."

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