domingo, 25 de setembro de 2011

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" - Soneto de Luís de Camões


  
Frederik Sødring (Danish landscape painter, 1809–1862), The "Summer Spire"
on the Chalk Cliffs of the Island Møn. Moonlight
, 1831.
Statens Museum for Kunst
 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades 


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


Luís de Camões, in "Sonetos"



Frederik Sødring, Rønneby Waterfall at Blekinge, Sweden, 1836


"Perde-se a vida quando a pretendemos resgatar à custa de demasiadas preocupações."

(William Shakespeare)

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