sexta-feira, 5 de maio de 2017

"Fogo" - Poema de Francisco Joaquim Bingre



Paula Rego (Pintora luso-britânica, n. 1935), 'The Firemen of Alijo', 1966



Fogo


Faísca luminar da etérea chama
Que acendes nossa máquina vivente,
Que fazes nossa vista refulgente
Com elétrico gás, com subtil flama:

A nossa construção por ti se inflama;
Por ti, o nosso sangue gira quente;
Por ti, as fibras tem vigor potente,
Teu vivo ardor por elas se derrama. 

Tu, Fogo animador, nos vigorizas,
E à maneira de um voltejante rio,
Por todo o nosso corpo te deslizas.

O homem, só por ti tem força e brio
Mas, se tu o teu giro finalizas,
Quando a chama se apaga, ele cai frio.


Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos'


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