
Émile Eisman Semenowsky (Russian-born, French-Polish painter,
1853–1918), 'An Oriental Flower Girl', n.d.
Pastoral
Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.
Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há, de certeza, duas folhas iguais.
Limbo todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
bainha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas.
Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos atos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelos nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou.
Poesias Completas, 3ª ed. Portugália,
Editora, Lisboa, 1970.
Editora, Lisboa, 1970.
Émile Eisman Semenowsky, 'Autumn', n.d.
Manchester Art Gallery
Outono
Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
(Haikai)
Sem comentários:
Enviar um comentário