
Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886-1973), Lagoa Santa, 1925.
Aqui termina o caminho
Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave
pensamento de exílio.
Porque ainda esperas? Aqui termina o caminho,
aqui morre a voz, e não há mais eco, nem nada.
Por que não esquecer, agora, as imagens que tanto
nos perturbaram
e que inutilmente nos conduziram
para nos deixar de súbito na primeira esquina?
Essa voz que vem não sei de onde,
esses olhos que olham não sei o quê,
esses braços que se estendem não sei para onde...
Debalde esperarás que o eco de teus passos acorde
os espaços que já não têm voz.
As almas já desertaram daqui.
E nenhum milagre te espera,
nenhum.
Emílio Moura (1902-1971),
in "Canto da hora amarga", 1936.
Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave
pensamento de exílio.
Porque ainda esperas? Aqui termina o caminho,
aqui morre a voz, e não há mais eco, nem nada.
Por que não esquecer, agora, as imagens que tanto
nos perturbaram
e que inutilmente nos conduziram
para nos deixar de súbito na primeira esquina?
Essa voz que vem não sei de onde,
esses olhos que olham não sei o quê,
esses braços que se estendem não sei para onde...
Debalde esperarás que o eco de teus passos acorde
os espaços que já não têm voz.
As almas já desertaram daqui.
E nenhum milagre te espera,
nenhum.
Emílio Moura (1902-1971),
in "Canto da hora amarga", 1936.

Tarsila do Amaral, Palmeiras, 1925.
(Olhando os Babaçus em Alcântara)
A palmeira e sua palma
Ondulam o ideal
Da calma.
Millôr Fernandes, in "Hai-kais",
Porto Alegre: L&PM, 1997.