Garoto com Banana, 1897.
Quando eu era menino
Quando eu era menino,
Um deus muitas vezes me salvava
Do tumulto e da vergasta dos homens,
E eu brincava, tranquilo e feliz,
Com as flores do bosque,
E as brisas do céu
Brincavam comigo.
E tal como tu alegras
O coração das plantas
Quando para ti estendem
Os delicados braços,
Assim também, Hélio, pai!, me encheste
De alegria a alma, e como Endimião,
Sagrada Lua,
Fui teu favorito!
Oh, deuses fiéis, todos
Vós, e amáveis!
Se soubésseis
Como vos amava este meu coração!
Então, é verdade, ainda vos não chamava
Pelos vossos nomes, nem vós
A mim me nomeáveis, como fazem os humanos,
Julgando que assim se conhecem.
Mas eu a vós conhecia-vos melhor
Do que jamais conheci os humanos,
Compreendia o silêncio do éter,
As palavras dos homens nunca as entendi.
A mim, criou-me o murmúrio
Harmonioso das árvores do bosque
E fui aprendendo a amar
No meio das flores.
E nos braços dos deuses me fiz grande.
Friedrich Hölderlin, in "Todos os Poemas"
Tradução de João Barrento
Quando eu era menino
Quando eu era menino,
Um deus muitas vezes me salvava
Do tumulto e da vergasta dos homens,
E eu brincava, tranquilo e feliz,
Com as flores do bosque,
E as brisas do céu
Brincavam comigo.
E tal como tu alegras
O coração das plantas
Quando para ti estendem
Os delicados braços,
Assim também, Hélio, pai!, me encheste
De alegria a alma, e como Endimião,
Sagrada Lua,
Fui teu favorito!
Oh, deuses fiéis, todos
Vós, e amáveis!
Se soubésseis
Como vos amava este meu coração!
Então, é verdade, ainda vos não chamava
Pelos vossos nomes, nem vós
A mim me nomeáveis, como fazem os humanos,
Julgando que assim se conhecem.
Mas eu a vós conhecia-vos melhor
Do que jamais conheci os humanos,
Compreendia o silêncio do éter,
As palavras dos homens nunca as entendi.
A mim, criou-me o murmúrio
Harmonioso das árvores do bosque
E fui aprendendo a amar
No meio das flores.
E nos braços dos deuses me fiz grande.
Friedrich Hölderlin, in "Todos os Poemas"
Tradução de João Barrento
[Friedrich Hölderlin, poeta lírico alemão, dos mais influentes do seu
tempo, nasceu a 20 de março de 1770, na Alemanha, e morreu a 7 de junho
de 1843, também na Alemanha.
Licenciou-se em Teologia, mas não pôde seguir a vida religiosa devido ao seu posicionamento filosófico e mesmo estético, que atribuía grande valor à tradição mitológica clássica.
Em 1795 apaixonou-se por Susette Gontard, a "Diotima" dos seus poemas. Este amor impossível marcou toda a sua escrita posterior. A sua obra mais conhecida é o romance Hyperion (1799).
Licenciou-se em Teologia, mas não pôde seguir a vida religiosa devido ao seu posicionamento filosófico e mesmo estético, que atribuía grande valor à tradição mitológica clássica.
Em 1795 apaixonou-se por Susette Gontard, a "Diotima" dos seus poemas. Este amor impossível marcou toda a sua escrita posterior. A sua obra mais conhecida é o romance Hyperion (1799).
Hölderlin deixou uma obra que é uma constante interrogação metafísica, uma tentativa de diálogo com o transcendente.(daqui)

"Todos os Poemas seguido de Esboço de uma Poética",
de Friedrich Hölderlin. Editora: Assírio & Alvim, 2021.
Uma vida contada a verso a verso, Assírio & Alvim publica Todos os Poemas seguido de Esboço de uma Poética, volume que nos revela, pela primeira vez, «um Hölderlin de corpo inteiro».
Com tradução, introdução, comentários e notas de João Barrento, Todos os Poemas seguido de Esboço de uma Poética é um verdadeiro acontecimento editorial pois reúne, pela primeira vez e num único volume, em Portugal, a obra poética de Friedrich Hölderlin. O livro inclui ainda uma cronologia ilustrada da vida e do legado do autor alemão cuja obra permaneceu desconhecida até meados do século XIX e só viria a ser reconhecida depois da sua morte, transformando-o num dos mais influentes poetas de todos os tempos e de todos os lugares.
«Não se fecha do espírito ao homem a via sã,
É esse o fio que segue a sua vida,
Esse é da vida o dia, é da vida a manhã,
Pois o tempo do espírito é riqueza infinita.
O que faz o esplendor da natureza
É a alegria que pomos no olhar,
São os dias, a vida que sabemos amar,
Em comunhão com o espírito e a beleza.»
Com tradução, introdução, comentários e notas de João Barrento, Todos os Poemas seguido de Esboço de uma Poética é um verdadeiro acontecimento editorial pois reúne, pela primeira vez e num único volume, em Portugal, a obra poética de Friedrich Hölderlin. O livro inclui ainda uma cronologia ilustrada da vida e do legado do autor alemão cuja obra permaneceu desconhecida até meados do século XIX e só viria a ser reconhecida depois da sua morte, transformando-o num dos mais influentes poetas de todos os tempos e de todos os lugares.
«Não se fecha do espírito ao homem a via sã,
É esse o fio que segue a sua vida,
Esse é da vida o dia, é da vida a manhã,
Pois o tempo do espírito é riqueza infinita.
O que faz o esplendor da natureza
É a alegria que pomos no olhar,
São os dias, a vida que sabemos amar,
Em comunhão com o espírito e a beleza.»
SINOPSE
«Trazer
ao leitor português toda a poesia de Hölderlin significa entrar num mar
desconhecido desse leitor, num território de contradições, de uma
diversidade não imaginada e desigual de registos poéticos, do mais naïf
e convencional ao mais elaborado e sublime, do mais heróico ao mais
prosaico, do poema transbordante à brevidade do dístico epigramático.
Mas é altura de esta poesia nos ser dada de corpo inteiro. Só assim se
compreenderá o percurso trágico, intenso e nele mesmo tenso e
contraditório desta figura singular da Poesia, corrigindo ao mesmo tempo
uma certa visão, mitificada e totalmente sublimizada, de um poeta que,
como tantos outros, tem lados bem mais humanos e vulneráveis do que
aqueles que os chamados “grandes poemas” nos dão.» (daqui)

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