Philipp Otto Runge (German artist, draftsman, painter, and color theorist, 1777–1810),
"Rest on the Flight to Egypt" (Descanso na Fuga para o Egito), c. 1805–1806,
Natal à beira rio
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurreta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado…
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia…
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira (1927–1996),
David Mourão-Ferreira (1927–1996),
in 'Obra Poética'

Giorgione (Italian painter, 1470s–1510), 'Adoration of the Magi', c. 1505.
"Não se pode manter a paz pela força, mas sim pela concórdia."
Albert Einstein
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