sexta-feira, 15 de abril de 2016

"Pastor do Monte, Tão Longe de Mim" - Poema de Alberto Caeiro


 
António da Silva Porto (Pintor português, 1850–1893), Guardando o rebanho, 1893.
Óleo sobre tela, 160 cm x 200 cm. Museu Nacional de Soares dos Reis do Porto.


Pastor do Monte, Tão Longe de Mim


Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas 
Que felicidade é essa que pareces ter — a tua ou a minha? 
A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te? 
Não, nem a ti nem a mim, pastor. 
Pertence só à felicidade e à paz. 
Nem tu a tens, porque não sabes que a tens. 
Nem eu a tenho, porque sei que a tenho. 
Ela é ela só, e cai sobre nós como o sol, 
Que te bate nas costas e te aquece, e tu pensas 
noutra cousa indiferentemente, 
E me bate na cara e me ofusca. e eu só penso no sol. 


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa



Max Liebermann (German painter and printmaker, 1847–1935),
Woman and Her Goats in the Dunes, 1890



"Amor, fascinante amor, o campo é o teu templo."

Jean François de Saint-Lambert, "Le Printemps"


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