Visita
Fui ver o mar.
Homem de polo a polo, vou
De vez em quando olhá-lo, enraizar
Em água este Marão que sou.
Da penedia triste
Pus-me a olhar aquele fundo
Dentro do qual existe
O coração do mundo.
E vi, horas a fio,
A sua angústia ser
Uma espécie de rio
Que não sabe correr.
Leiria, 10 de Abril de 1940
Miguel Torga, in Antologia Poética,
Lisboa: Círculo de Leitores, p. 253.

Max Liebermann, Two Riders on the Beach, 1901, Private collection
"O mar é a religião da Natureza."
Fernando Pessoa
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