segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

"Tercetos de amor" - Poema de Thiago de Mello


Charles Courtney Curran, Among the Wild Azaleas, 1908



Tercetos de amor


Só agora aprendi 
que amar é ter e reter. 
Foi quando te vi. 

Vi quando a rosa se abriu. 
Como a eternidade 
pode ser tão fugaz? 

Não sei quando é o mar, 
ou se é o sol dos teus cabelos. 
Tudo são funduras. 

Na entressombra, o sabre 
se estira na relva morna. 
O nenúfar se abre. 

Brilha um dorso: és tu. 
Encontro no teu ventre 
a explicação da luz. 


em "Num campo de margaridas", 1986


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