segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

"Tercetos de amor" - Poema de Thiago de Mello



Charles Courtney Curran (American impressionist painter, 1861–1942),
Among the Wild Azaleas, 1908


Tercetos de amor


Só agora aprendi
que amar é ter e reter.
Foi quando te vi.

Vi quando a rosa se abriu.
Como a eternidade
pode ser tão fugaz?

Não sei quando é o mar,
ou se é o sol dos teus cabelos.
Tudo são funduras.

Na entressombra, o sabre
se estira na relva morna.
O nenúfar se abre.

Brilha um dorso: és tu.
Encontro no teu ventre
a explicação da luz.


Thiago de Mello,
in "Num campo de margaridas", 1986


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